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Quatro pontos sobre o suicídio - Revista Familia Cristã

Quatro pontos sobre o suicídio que toda família precisa saber!

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Por Virgínia Diniz Ferreira

De que forma é possível prevenir a violência autoprovocada e como ajudar as famílias enlutadas

Segundo a cartilha “Suicídio: informando para prevenir”, desenvolvida pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), a cada cem pessoas no Brasil, 17 já pensaram em suicídio ao longo de sua vida, pelo menos cinco elaboraram um plano de suicídio, três tentaram e uma conseguiu se suicidar.

Segundo o último Boletim Epidemiológico (2019) do Ministério da Saúde, o aumento de casos de suicídio chegou a 10%, representando a maior causa de mortes entre jovens de 14 a 19 anos. O suicídio pode ser evitado! Pensando nisso, a informação de como pode acontecer é um fator importante e até determinante para salvar vidas.

1. Identifique fatores de risco na sua família – O suicídio é evitável!

O suicídio não é uma doença, porém é um ato de violência autopraticada que tem como motivação múltiplos fatores. É importante que a família saiba identificá-los e lidar com eles.

Transtornos mentais

Apesar de não ser o único fator, como veremos a seguir, o transtorno mental é um dos principais agravantes das ideias e atitudes suicidas. Diante de qualquer sinal de adoecimento mental, é importante que se busque a ajuda profissional de psicólogos e psiquiatras.

Fatores estressores crônicos e recentes

Separação, brigas familiares, situação de desemprego na família, endividamento alarmante, falência, perda de um familiar em acidente ou doença crônica e outras situações de fatores estressores crônicos recentes são indícios associados a pensamentos suicidas.

Organizar detalhes e fazer despedidas

Observe se há entre os membros da família pessoas que sugiram comportamentos de despedida suicida. Entre algumas atitudes que merecem mais atenção, estão as mensagens de despedida e as ligações incomuns para amigos e familiares.

Meios acessíveis para suicidar-se

Se há pessoas que já demonstraram pensamento suicida em casa, redobre a atenção para algumas condições que permitiriam levar a ideia adiante, como o acesso a armas de fogo, a lugares muito elevados ou mesmo a medicações ou substâncias que, ingeridas, poderiam levar ao óbito.

Eventos adversos na infância e na adolescência

Estados de sofrimentos psíquicos vivenciados na infância ou adolescência, associados à falta de apoio ou vínculo familiar, podem estar associados à pretensão de suicídio.

Motivos aparentes ou ocultos

Pessoas que tentam o suicídio enxergam na morte um meio de se livrar do estado de sofrimento que consideram impossível de superar.

2. Ações que salvam vidas – Como agir quando identificar um caso de risco de suicídio na família

Karl Fredrickson – Unsplash

Antes de tudo, é preciso ter sempre uma atitude de amor e acolhimento com essas pessoas. Se possuírem plano de saúde, encaminhem para ajuda profissional do especialista. Se não possuírem, a rede de saúde pública está preparada para atender esses casos.

Na atenção primária, irão identificar, manejar e encaminhar os casos para atendimento necessário. Caso seja classificado como grave, é a atenção primária que encaminhará para o atendimento secundário, que é feito pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Hospitais de Urgência e Emergência (Geral ou Psiquiátricos) e Serviço de Saúde Especializado, conforme necessidade.

No sistema secundário e terciário, eles receberão: avaliação adequada; tratamento; acompanhamento e encaminhamento para ações conjugadas, quando necessário. É de fundamental importância o apoio da família, e não apenas o acompanhamento médico. Para além do tratamento de saúde, a pessoa com comportamento suicida deve ser assistida em todas as demais áreas – educação, lazer, cultura – que colaborem para seu estado de qualidade de vida e saúde.

3.  Rede do bem – Grupos e pessoas especializadas que podem ajudar na prevenção do suicídio

Além do auxílio do sistema de saúde, algumas iniciativas de combate ao suicídio tomam forma no Brasil. É o caso do projeto de extensão Pega Leve, nascido em 2016, vinculado à Faculdade de Medicina (FAMED) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e coordenado pela médica psiquiatra Ana Margareth, que tem o objetivo de “criar uma rede de identificação e encaminhamento adequado de estudantes em risco, dar visibilidade à questão da saúde mental na universidade e causar um impacto cultural positivo na promoção e prevenção em saúde mental”.

Para a professora Ana Margareth, “um indivíduo em sofrimento pode dar certos sinais, que devem chamar a atenção de seus familiares e amigos próximos, sobretudo se muitos desses sinais se manifestam ao mesmo tempo. Se, além disso, forem identificados os 4 Ds = Depressão + Desamparo+ Desesperança + Desespero, a situação pode ser mais grave”, alerta a médica.

Para o jovem doutorando de Comunicação (UFRGS) Romulo Tondo, 33 anos, que participa do projeto Pega Leve e desenvolve sua pesquisa sobre mídia e suicídio, a maioria dos casos de suicídio pode ser evitada.

Romulo enfatiza que é tarefa de todos, hoje em dia, falar sobre o assunto: “Devemos falar mais e tratar desse tema com responsabilidade, seja individual, de cada sujeito com suas redes, ou coletivo, de uma sociedade que busca melhorias para o bem-estar de toda a sua população”, pontua o pesquisador.

Contudo, é importante lembrar que, para além das ações governamentais, como bem lembrou o pesquisador Romulo Tondo, o enfrentamento deve ser uma atitude de toda a sociedade, o que inclui famílias, coletivos, associações e toda a sociedade organizada.

Engin Akyurt – Pexels

4. Como agir se acontecer em minha família?

Se existe prevenção, é preciso haver, também, posvenção. O conceito, que chegou ao Brasil em 2011, também é citado na cartilha de orientação sobre o combate ao suicídio do Setembro Amarelo e está relacionado ao auxílio às famílias enlutadas, pessoas que passaram pela trágica experiência do suicídio na família e são, portanto, sobreviventes.

Algumas ações no Brasil podem ser pontuadas, entre elas o Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio (SP), que oferece palestras, formações, consultorias, ajuda em situações de crise (tentativas de suicídio) e Grupos de Sobreviventes, que auxiliam as famílias que viveram essa situação.

Contudo, é importante lembrar que o auxílio espiritual a essas famílias é sempre importante e, assim, grupos, movimentos e pastorais devem ficar atentos para essas demandas quando surgirem.

Onde procurar ajuda

Centro de Valorização da Vida (CVV), ligue 188.

Nos casos de risco de suicídio iminente, ligar 190.

Procure ajuda com o pároco, pastor, diretor da escola ou pessoas responsáveis por seu grupo. Eles podem ajudar nos encaminhamentos que devem ser tomados.

Procure em sua cidade os lugares de referência em auxílio à saúde mental.

Prevenção do suicídio, sinais para saber agir: Saúde de A a Z – Suicídio / Ministério da saúde – Governo Federal

Manual de Prevenção do Suicídio – CVV: Centro de Valorização da Vida

Virgínia Diniz Ferreira é mestra em comunicação, radialista e membro da Comissão Nacional de Comunicação da Renovação Carismática Católica do Brasil. Acredita que abraçar a vida, sob quaisquer circunstâncias, é a grande salvação para a liberdade interior!

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