O alcoólatra na convivência matrimonial

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Por Dom Bruno Carneiro Lira

A Igreja, na sua preocupação materna com todos os filhos, é sempre misericordiosa e deseja que vivam em alegria na busca constante da santidade, a nossa vocação primordial.

No coração eclesial, temos a variedade dos membros, que é uma riqueza do Espírito Santo, os dons para serem postos a serviço, mas também as fraquezas, que são próprias da natureza humana.

O importante é garantirmos a unidade e não fazermos julgamentos, pois isso compete ao Mestre, como nos ensina o apóstolo João: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Portanto, Deus enviou o seu Filho ao mundo não para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por meio dele” (cf. Jo 3,16-17).

Como lidar com a doença do alcoolismo na família

Uma dessas fraquezas que aparecem, hoje, no seio da família é o problema da doença do alcoolismo. Como a própria ciência nos ensina, é uma enfermidade que deverá ser tratada com cuidado, e a pessoa, sempre acolhida.

Na minha vivência pastoral como sacerdote de quase trinta anos de ministério, deparo-me muito com essa questão. Quando um dos cônjuges possui a enfermidade do alcoolismo, a relação familiar fica estremecida, e isso prejudica não apenas a vivência matrimonial, mas também a educação equilibrada dos filhos. O que fazer para manter a unidade do casamento, como Jesus nos ensinou?

Como já mencionamos acima, a Igreja vê o alcoólatra com todo carinho e deseja que, por meio da ciência e da fé, cure-se desse vício e passe a ter uma vida sadia e integrada à família.

Como ajudar um membro da família alcoólatra

Freepik.com

Duas posturas são necessárias nessas situações: levar o alcoólatra a uma experiência profunda de Deus, através de seu acolhimento em Movimentos de Casais com Cristo (ECC), para que possa ter toda a ajuda espiritual necessária, através do Sacramento da Reconciliação, da Eucaristia e do aconselhamento com o padre, e para que tenha, sobretudo, o apoio dos outros casais, que podem, pelo testemunho, mostrar atitudes mais sadias e formas de se alegrar e conviver em família; e buscar a ajuda médica.

Cremos que essas duas atitudes vão curar esse(a) filho(a) de Deus, e acontecerá um verdadeiro resgate. Jesus nos ensina que as ovelhas enfermas devem ser conduzidas nos ombros e que há uma grande festa no céu quando elas são curadas.

Portanto, fé e ciência caminhando juntas na reintegração sadia do alcoólatra ao seio familiar, para garantir-se a união indissolúvel do matrimônio: “Que ninguém separe o que Deus uniu” (cf. Mt 19,6). A oração e a caridade fraterna conseguem tudo!

Dom Bruno Carneiro Lira é monge beneditino, vigário paroquial da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima de Boa Viagem, de Recife (PE). Professor universitário, membro da Academia Olindense de Letras e autor da Paulinas Editora.

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