Entre as panelas e o delivery

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Por Aline Braga

A pandemia do novo coronavírus trouxe às pessoas mais tempo para viver em casa e a oportunidade de redescobrir o ambiente da cozinha

O isolamento social, em decorrência da pandemia da Covid-19, alterou o cotidiano de milhares de pessoas no mundo todo. Para muitos, a pandemia tem significado um maior tempo em casa, um ambiente que, em uma rotina de trabalho cada vez mais exigente, era apenas visitado nos períodos de descanso.

Não por coincidência, a pausa decorrente da pandemia tem sido um momento para refletir sobre a casa e sobre hábitos de vida. Não é raro descobrir que parentes, amigos e colegas começaram uma pequena reforma, alteraram a organização dos móveis, iniciaram uma prática de atividade física dentro de casa ou ainda têm dedicado um tempo à ioga e à meditação. Há aqueles que retornaram à leitura, buscando transformar esse período tão desafiador em uma oportunidade de desenvolvimento pessoal. O ponto comum de toda essa movimentação é a casa.

Cozinha: um coração que pode pulsar mais forte

Esse cenário tem sido também uma oportunidade para ressignificar a relação com a alimentação. É comum ouvir que a cozinha é o coração da casa. Estar em casa, portanto, é uma oportunidade para fazer esse coração pulsar mais forte!

Segundo dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 2017-2018, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as famílias brasileiras têm consumido menos cereais, leguminosas e oleaginosas, representados em nossa alimentação pela famosa dupla arroz e feijão. Em comparação com a pesquisa anterior, esse dado caiu de 8% para 5%.

Além disso, de todas as calorias consumidas por um brasileiro, em média 53,4% vêm de ingredientes e alimentos processados e ultraprocessados, de modo geral, os conhecidos industrializados. Tais alimentos têm maior relação com o desenvolvimento de doenças e agravos crônicos não transmissíveis, como diabetes tipo II, hipertensão e obesidade, entre outros.

A pausa ocasionada pela pandemia pode ser uma oportunidade para alterar hábitos relacionados à alimentação. Uma ótima pedida é partir para as panelas! Cozinhar é uma questão de prática, além de ser um ato libertador. Permite conhecer profundamente aquilo que se está comendo. Ao comprar um produto industrializado, você já leu os ingredientes e enumerou quais nunca viu de perto?

Skitterphoto – Pexels

Agora, os ingredientes de um bom nhoque de batata inglesa com molho de tomate caseiro nós conhecemos bem. Todos os ingredientes são fáceis de encontrar. Cozinhar, para além de um hobby, é um ato de liberdade: quem cozinha não depende do delivery, além de brindar o paladar com sabores muito além dos processados e ultraprocessados. Sabores de uma alimentação saudável. A pandemia pode ser favorável também para aqueles que desejam conhecer melhor a própria alimentação. Quem consegue se lembrar com precisão de tudo que comeu no dia anterior? Tarefa difícil para a maioria. Uma alternativa é fazer um diário alimentar.

Anotar tudo aquilo que comemos ao longo do dia, por um período de três dias, é uma ótima maneira de conhecer melhor a própria alimentação e identificar pontos a serem melhorados. Trocas simples têm grande impacto na rotina alimentar, seja reduzindo o consumo de industrializados, principalmente os ultraprocessados, seja revendo o consumo de ingredientes sabidamente deletérios em excesso, tal como sal e açúcar, ou ainda aumentando o consumo de alimentos in natura.

Alternativas não faltam para pensar e fazer da alimentação uma fonte de qualidade de vida e prazer. Buscar o apoio de profissionais, como um nutricionista, é também um grande ponto de apoio e segurança. Em meio a uma pandemia que paralisou uma série de planos, tempo é que não falta para se alimentar melhor. Sucesso na cozinha e bom apetite!

Aline Braga é nutricionista e especialista em Administração Pública, esfera na qual atua como servidora municipal há oito anos. Gosta de ler, cozinhar e praticar esportes. Na vida se descreve como boba convicta, tal como descreveu Clarice Lispector em sua crônica “Das vantagens de ser bobo”.

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