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Você acelera os áudios no WhatsApp? - Revista Familia Cristã

Você acelera os áudios no WhatsApp?

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Entenda sobre o uso deste recurso no dia a dia

Por Janaína Gonçalves

Levantar cedo, ir para o trabalho, sair para procurar emprego, trabalhar o dia todo, ônibus cheio, trânsito complicado, contas para pagar, família para dar atenção e, já não bastasse toda a correria, ainda tem aquelas mensagens de áudio enviadas pelo WhatsApp que mais parecem Podcast de tão longas! Pelo menos para esta demanda do dia já há salvação: o aplicativo de mensagens mais utilizado no mundo liberou, em maio deste ano, a função de acelerar os áudios. Mas, afinal, o que faz o brasileiro utilizar este recurso?

As mídias digitais são indispensáveis no dia a dia dos brasileiros, e muitas vezes elas ditam as regras da rotina. Basta pensar no toque do despertador, no som das notificações de aplicativos, nos dois “risquinhos azuis” do WhatsApp indicando mensagem lida etc. A possibilidade de acelerar o áudio no WhatsApp é mais um sinal dessa ambiência virtual e do ritmo acelerado vivido pela sociedade, sem contar o período da pandemia, que mexeu consideravelmente com a vida de todas as pessoas.

Ainda que o brasileiro esteja nesta realidade desgastante de pós-pandemia, um vetor que não se anula e nunca para de funcionar é a tecnologia. Ela não se estressa, não se cansa, não desanima, pelo contrário, ela existe para tentar facilitar a vida dos consumidores, principalmente durante a pandemia, quando muitas pessoas fizeram o uso de aplicativos para não deixar o contato humano de lado, ainda que fosse pelo ambiente virtual. Diante disso, o que dizer sobre a última tecnologia lançada pelo aplicativo WhatsApp, com o recurso de acelerar o áudio?

Aceleração dos vínculos e afetos

Para o psicólogo clínico Bernardo Adame de Carvalho, a mudança de comportamento já começa quando o indivíduo deixa de enviar uma mensagem escrita e passa a enviar áudios, uma vez que a digitação levará mais tempo do que o ato de falar. Aqui já é possível perceber que muitos ambientes da vida contemporânea buscam formas de acelerar o tempo, mas, ao mesmo tempo, se perde cada vez mais as características humanas do relacionamento.

Áudio
Psicólogo clínico Bernardo Adame. Foto: Camilla Moreira

Carvalho destaca: “Toda essa aceleração da vida cria, também, narrativas que apontam as relações cotidianas como perda de tempo. Já não ligamos para conversas com tanta frequência; agora se ignora também, como se fosse perda de tempo, o que o outro tem a dizer enquanto forma e conteúdo. Ao longo do tempo construímos novos hábitos, nem sempre bons. O WhatsApp é uma ferramenta necessária e de grande ajuda, mas com seu uso deixamos hábitos importantes, como o de telefonar para uma conversa amiga ou um diálogo recheado de histórias que fazem bem. Portanto, devemos construir caminhos que não nos acelerem, que nos permitam sentir, que nos permitam dar e receber afeto”.

E sobre o novo recurso do WhatsApp, ele deixa claro: “Ao acelerar um áudio em busca apenas do que me é importante enquanto informação, passo então a não me comunicar com características de uma relação humana, mas como máquinas. Sendo assim, a aceleração gera cada vez mais relações sem afetos. E sem contar, também, que essa constante aceleração para se chegar a um objetivo que não se sabe qual é faz com que se busque acelerar mais a vida, a fim de fugir dos sentimentos. Isso traz mais ansiedade às pessoas”, afirma o psicólogo.

Quem nunca?

Há quem tenha outro olhar sobre o assunto e já esperava a função de acelerar áudios no aplicativo de mensagens há muito tempo; e este exemplo é constatado através da opinião de Fabiano Fachini, jornalista e estrategista digital. Para ele, acelerar o áudio era um dos recursos mais aguardados do WhatsApp. “Ninguém quer perder tempo com ‘enrolação’, com aquele áudio longo e lento de um contato prolixo. Eu, por exemplo, acelero 80% dos áudios que recebo no WhatsApp. Acabou aquele sofrimento com áudios longos!”, ressalta.

Ferramenta de áudio WhatsApp
Fabiano Fachini, jornalista e estrategista digital. Foto: Arquivo Pessoal
WhatsApp
A enfermeira Juliana Neves diz que recebe muitos áudios diariamente e faz uso da ferramenta. Foto: Jean Dantas

E não é só quem trabalha na área da comunicação que aproveita este recurso. Esta prática também faz parte da rotina da enfermeira Juliana Ferreira das Neves Dantas, que diz receber muitos áudios diariamente e, por isso, acelera o conteúdo. “Como no trabalho eu recebo, em média, 20 a 30 áudios diários dos integrantes das equipes que coordeno, e tenho que dar o retorno para cada um, eu acelero com o intuito de agilizar o processo”, comenta. Porém, Juliana destaca que não faz com todas as pessoas dessa mesma forma. “Eu não uso este recurso para as mensagens de amigos, familiares ou pessoas próximas. Dessas, eu escuto até o fim, como se estivesse batendo um papo”, afirma.

Com relação aos cuidados que são necessários diante das novas tecnologias, sobretudo daquelas que envolvem a comunicação humana, a enfermeira destaca: “O lado bom deste recurso de acelerar os áudios, se é que assim podemos pensar, é que eu ganho tempo e, consequentemente, consigo fazer render mais o meu trabalho; mas o lado negativo é que essa atitude deixa o diálogo muito robotizado. Isso parece contribuir para o afastamento das pessoas. Sem contar que essa prática pode resultar em ansiedade e falta de paciência”.

Ainda que a correria da vida cotidiana peça o imediatismo, Fabiano Fachini faz uma colocação importante: “Acredito que o equilíbrio e o uso consciente sejam caminhos para encarar esta nova realidade dos áudios acelerados no WhatsApp e toda experiência digital que ainda viveremos”, finaliza.

Janaína Gonçalves é jornalista, mestra em Ciências da Religião e especialista em Gestão de Mídias Digitais. Gosta de ler, dançar, e é fã de Chaves, Chapolin e Harry Potter.

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