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Viuvez: a solidão não é querida por Deus - Revista Familia Cristã

Viuvez: a solidão não é querida por Deus

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As viúvas Clenar e Sueli encontraram um movimento, na Igreja Católica, de apoio espiritual, religioso e vivencial para suas vidas

 Por Karina de Carvalho

VIÚVO
Clemar e seu esposo Jandir. Teve um casamento feliz, por 49 anos. Foto: Arquivo Pessoal

“Só entende a viuvez quem passa por ela. É uma situação que nos deixa sem saber que rumo tomar. Eu chorei por dois anos, quando meu marido morreu.” É o que relata Clenar Terezinha Viezzer Formighieri, hoje com 81 anos de idade e 16 de viuvez. Esse tempo de dor e pranto, no entanto, parece ter sido necessário para regar o terreno de sua vida, que hoje é florido de vitalidade, alegria e encanto.

Clenar teve um casamento feliz com Jandir Formighieri, por 49 anos. Com ele, formou uma família com 6 filhos, 21 netos e 9 bisnetos. Tanto ela quanto o esposo sempre foram pessoas de muita fé, católicos e atuantes na comunidade. Depois de viver o amargo tempo do luto, Clenar entendeu que a vida continuava para ela e que precisava vivê-la da melhor forma possível. Inspirada pela Palavra de Deus, decidiu que não mais se casaria, que sua vida dali em diante seria consagrada ao Senhor e a sua família. Porém, ela precisava de algo a mais para preencher o vazio que tinha ficado no seu coração.

Então, começou a buscar algum grupo na Igreja que fosse direcionado às pessoas viúvas. Não encontrou em sua Diocese de Toledo (PR), mas descobriu, em São Paulo (SP), o movimento “Comunidades Nossa Senhora da Esperança”, para viúvos(as), pessoas separadas ou divorciadas e também solteiras (já com certa idade).

Clenar entrou em contato com o movimento, para conhecê-lo melhor e seu estatuto, e não teve dúvidas de que era o que buscava para sua vida. “Após conhecer melhor as Comunidades Nossa Senhora da Esperança, procurei o bispo diocesano da época, Dom Francisco Carlos Bach, e obtive o aval para começar um grupo na diocese. Iniciamos com muito ânimo, energia e vontade de, realmente, encontrar alguma coisa que nos fizesse sofrer menos e que preenchesse o vazio do nosso coração. Assim, formamos pequenos grupos de encontros, e esses grupos se tornaram uma pequena comunidade de apoio entre nós mesmas e de presença de Deus na nossa vida”, conta Clenar.

Testemunho de Clenar Terezinha Viezzer Formighieri

Apoio espiritual para viúvas(os) e pessoas sós

França, início da década de 1940, tempo da Segunda Guerra Mundial. O padre Henri Caffarel acompanha casais que participam do movimento recém-criado por ele: “Equipes de Nossa Senhora”. Nesse contexto, muitas mulheres começam a ficar viúvas pela perda de seus esposos nos campos de batalha. Então, o sacerdote percebe a necessidade de amparar, espiritualmente, essas viúvas e cria um movimento que, inicialmente, ficou conhecido por “Fraternidade Nossa Senhora da Ressurreição” e, posteriormente, por “Grupamentos Espirituais de Viúvas”.

No Brasil, esse movimento chegou em 2003, por iniciativa da senhora Nancy Cajado Moncau. Ela, junto com seu esposo, foi pioneira do Movimento das Equipes de Nossa Senhora no Brasil e, ao ficar viúva, intuiu que as pessoas viúvas e também as que vivem sós, quer por serem solteiras, quer por terem se divorciado, também precisavam de um apoio espiritual.

O movimento “Comunidades Nossa Senhora da Esperança” é organizado em pequenos grupos de no máximo dez pessoas, que são acompanhados por um casal das Equipes de Nossa Senhora e um sacerdote ou religiosa. O grupo se reúne nas casas, uma vez por mês, para rezar com a Palavra de Deus e partilhar sobre a própria vida, os sentimentos, as angústias e dificuldades. Essa partilha é mantida em sigilo entre o grupo, a fim de que todos se sintam livres para falar em um ambiente de confiança e de ajuda fraterna.

Missa com o movimento “Comunidades Nossa Senhora da Esperança”, na cidade de Cascavel (PR). Foto: Arquivo Pessoal

Após um período de amadurecimento do grupo, os encontros passam a ser quinzenais, sendo um de oração e outro de estudo, no qual se aprofundam temas como Catecismo da Igreja Católica e documentos da Igreja.

Em cada diocese em que está presente, o movimento Comunidades Nossa Senhora da Esperança tem aprovação do bispo diocesano e o acompanhamento espiritual de um sacerdote. É possível conhecer mais sobre o movimento por meio do site oficial: https://www.cnse.org.br/

Sueli Maria Martello, após ouvir Clenar falar, teve a iniciativa de criar um grupo. Foto: Arquivo Pessoal

“Nesse movimento encontrei a salvação para minha solidão”

Em 2012, quando o movimento já caminhava havia seis anos na Diocese de Toledo (PR), Clenar foi falar sobre ele em Cascavel (PR). Entre as pessoas que a escutavam, estava Sueli Maria Martello, viúva havia oito meses. Seu esposo, com quem fora casada por 39 anos e teve 4 filhos e 8 netos, havia falecido de câncer e ela encontrava-se totalmente perdida e sozinha. “Assim que terminei de ouvir a Clenar, eu fui correndo dar meu nome e me coloquei à disposição para iniciar um grupo. Nesse movimento eu encontrei a salvação para minha solidão”, conta Sueli.

Professora aposentada, hoje com 73 anos, Sueli coordena um dos grupos das Comunidades Nossa Senhora da Esperança na cidade de Cascavel (PR). Desde que se iniciou a pandemia, os encontros têm sido on-line, tanto de oração e partilha quanto de estudo. Sueli explicou que, neste momento, estão estudando o documento Fratelli Tutti,do Papa Francisco.

Tanto Sueli quanto Clenar encontraram no movimento uma forma de dar sentido à viuvez e à solidão. Ambas testemunham a alegria de viver e o desejo de ajudar outras pessoas que sofrem a dor da perda ou da solidão a reencontrar o sentido de viver.

Após 16 anos de viuvez, Clenar afirma que, às vezes, se sente um pouco egoísta por ser tão feliz, mas logo entende que isso é bênção de Deus. Da mesma forma, Sueli sente que, a cada dia, tem mais a agradecer a Deus do que pedir, e isso graças a sua participação no movimento. “As reuniões abastecem o espírito da gente, eu saio sempre renovada, faço amizades tão bonitas com pessoas que se tornam como da minha família”, afirma Sueli.

Karina de Carvalho é jornalista, curitibana e trabalha no âmbito da comunicação na Igreja Católica. Na comunicação se aventura por vários caminhos: escrever, diagramar, fotografar, filmar e editar. Escrever, porém, é uma de suas artes preferidas.

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