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Um pouco de atenção - Revista Familia Cristã

Um pouco de atenção

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Homens e mulheres na terceira idade enfrentam um dos maiores desafios: a solidão

Por Sara Gomes

Passos lentos, cabelos brancos, esquecimentos, problemas de saúde. São inúmeros os desafios para quem chega à terceira idade. Em alguns casos, olhar para trás é motivo de alegria pelo caminho trilhado, pelas aventuras vividas, pela família construída; em outros, a lembrança machuca, entristece e decepciona. E isso pode ser ainda mais intenso quando o idoso enfrenta a solidão.

Não é difícil observar, no dia a dia – em tempos sem pandemia –, a quantidade de idosos que frequentam parques e praças. Ao contrário do que muita gente pensa, a maioria deles circula por esses lugares na esperança de encontrar alguém para conversar ou apenas para ver quem passa pelas ruas.

De acordo com a psicóloga Cynthia Julie Valadão, a percepção de solidão pode trazer aos idosos os sentimentos de ansiedade e estresse, além da diminuição da independência e autonomia, já que há uma interrupção em atividades que podiam ser desenvolvidas anteriormente. “Deste ponto de vista, podem ser desencadeados também quadros depressivos resultantes tanto dessas perdas afetivas, incluindo a perda do convívio presencial com a família, quanto da sobrecarga de notícias alarmantes que estão disponíveis”, afirma.

Aposentadoria ativa

Consciente da necessidade de se manter ativa, a pedagoga Maria Bernardete Cardoso Gomes procura sempre estar em família, em comunidade ou próxima dos colegas de trabalho. Aos 65 anos, ela já está aposentada, mas optou por continuar a trabalhar. “Eu me sinto muito bem trabalhando, perto de outras pessoas e sempre em movimento. Estou sempre com meu esposo, filhas e netos; mas também procuro servir na paróquia. Ficar sozinha nem sempre é bom, e isso foi perceptível neste período de pandemia”, avalia.

De fato, a pandemia agravou o processo de solidão enfrentado por muitas pessoas e, de modo especial, pelos idosos. Por serem do grupo de risco, pessoas acima dos 60 anos foram obrigadas a evitar contatos físicos, passaram a não receber visitas e a não sair das casas. “Acontece que muitos idosos ficaram sem ter pessoas para conversar. Na paróquia, eu sou Ministra Extraordinária da Sagrada Comunhão Eucarística e costumo visitar os doentes e os idosos. Com a pandemia ficamos impossibilitados de ir até as casas deles. Porém, procuramos manter contato, ao menos, por telefone ou pelo WhatsApp. Isso ajuda a aliviar o sentimento de solidão. Inclusive, a minha única tia viva tem 93 anos e fazemos de tudo para que ela não se sinta sozinha”, afirma Maria Bernardete.

Também preocupada com esta fase da vida, na qual as pessoas tendem a sentir-se abandonadas, a recepcionista Márcia Rocha procura, junto com a família, estar presente no dia a dia da mãe, Maria Paulina.

Aos 69 anos, dona Maria Paulina mora com a filha, o genro e os netos, mas todos precisam sair para trabalhar, e, por algumas horas, ela acaba ficando sozinha. “Para minha mãe, o problema maior é que ela gosta muito de fazer visitas, viajar e sair para ver os parentes. Então, esse período que ela precisou ficar dentro de casa tem sido muito difícil”, afirma.

Contudo, apesar de o isolamento social ter acentuado a necessidade de se prestar mais atenção aos idosos, que passaram a ficar mais tempo dentro das casas, ou a não receber visitas, como no caso daqueles que vivem em abrigos, é importante ressaltar que estar em isolamento não significa estar sozinho. “O mais importante é entender que isolamento é diferente de solidão. O isolamento é físico e muito necessário neste momento, mas é pontual e não quer dizer que o idoso não possa mais contar com sua rede de apoio. Pelo contrário, muitas famílias se isolaram desse convívio por amor e cuidado. O foco é manter as relações, da forma que for possível”, orienta Cynthia.

Na mente e no corpo

Freepik.com

Além de ser prejudicial para a mente, a solidão pode gerar outras doenças para o corpo, já que ambos trabalham juntos. Entre os principais problemas de saúde estão a pressão alta, a alteração do açúcar no sangue, o estresse, a ansiedade, a predisposição ao desenvolvimento de câncer, a depressão, a insônia e até mesmo o aumento nas chances de dependência química.

“Estudos já comprovam que essa percepção de solidão, advinda do isolamento a que os idosos estão sujeitos durante a pandemia, pode resultar em reações corporais como ‘luta ou fuga’, o que gera respostas inflamatórias e redução da imunidade do idoso. Além disso, a ansiedade e o estresse podem gerar aumento da pressão arterial e do colesterol, perda de apetite e do sono. A interrupção de atividades físicas também pode resultar em perda muscular e cognitiva, problemas de memória e dores no corpo”, afirma Cynthia.

Para ajudar as pessoas a vencer o sentimento de solidão, em primeiro lugar é preciso entender a necessidade de se fazer presente. “Eu sempre digo para os meus filhos que nós precisamos compreender que todo idoso volta a ser como criança e necessita de cuidado, carinho, amor e atenção. Afinal, um dia pode acontecer a mesma coisa com a gente; então, nós só podemos plantar coisas boas para, futuramente, colhermos frutos bons. Se a gente abandona os nossos idosos, um dia também podemos ficar sozinhos, e a solidão não é coisa boa”, afirma Márcia.

Atenção e cuidado

Conforme explica Cynthia, inúmeras são as maneiras de ajudar as pessoas da terceira idade a perceber o quanto elas continuam sendo importantes. “Ligações, chamada de vídeo, visitas à distância, são exemplos de como ajudá-los. É importante também que se tente manter a rotina do idoso da forma que seja possível, incluindo as atividades físicas, porque elas também são importantes para a saúde mental. A resposta é o acolhimento: ouvir do idoso o que ele sente em relação a isso e fazê-lo entender que sua rede de apoio continua ali, cuidando da forma que é possível”, finaliza.

E você, o que tem feito para amenizar a solidão dos idosos? Que tal entrar em contato com um asilo da sua cidade, enviar uma mensagem ou carta para alegrar algum coração?

Sara Gomes é jornalista e possui especialização em Jornalismo e Convergência Midiática. Gosta de estar com a família, com os amigos e na igreja. A leitura e a escrita fazem parte do seu dia a dia e a ajudam a refletir sobre as mais diversas maneiras de enxergar o mundo.

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