Um convite à reconciliação

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É possível transformar desentendimentos que levam à ruptura de relacionamentos em experiências de amor e perdão

Por Andrea Adélio

Erilande Diniz de Brito, psicóloga. Foto: Arquivo Pessoal

Superar as barreiras do orgulho, do rancor, da falta de perdão e outras questões que desarmonizam as relações humanas é uma experiência que pode ser fortalecida pelo tempo pascal. Neste período em que somos convidados a nos reconciliar conosco e com as pessoas com quem convivemos, transformar desavenças em afeto é deixar-se renascer para um novo tempo. Mas, para que uma pessoa se abra a esta renovação, é preciso que esteja consciente dos motivos que causam os conflitos e, principalmente, que tenha disposição e humildade para reconhecer suas eventuais falhas e buscar ajuda, quando necessário. 

“Os desentendimentos mais comuns ocorrem no âmbito familiar, pois são as pessoas com quem mais convivemos. Porém, as consequências podem afetar também as relações profissionais e de amizades”, afirma a psicóloga Erilande Diniz de Brito. De acordo com ela, a maioria dos seus pacientes busca atendimento por outros motivos, pois nem sempre se dão conta de que os problemas que vêm enfrentando no trabalho ou em outros ambientes são consequências dos desgastes emocionais vividos em família. 

Frutos da reconciliação

Roberta Kisy, assistente social. Foto: Arquivo Pessoal

Ainda segundo Erilande, a falta de perdão é uma causa bastante comum de ruptura. No entanto, ela chama a atenção para a falta de autoperdão. “Muitas pessoas têm dificuldade em se reconhecer como um ser humano que comete erros. Por outro lado, aqueles que se permitem passar por um processo de cura dos sentimentos feridos experimentam um crescimento pessoal muito grande”, conclui. 

A assistente social Roberta Kisy, que tem especialização em Psicologia Humana Existencial, conta que muitas pessoas a procuram para serem ouvidas e para poderem falar sobre suas situações de conflito e busca de sentido na vida. Mas a sua experiência tem mostrado que a maioria precisa reconciliar-se consigo mesma quando deseja reconciliar-se com as demais pessoas. Ela também aponta a falta de perdão como uma das causas mais presentes. “Os ressentimentos criam situações complexas, e somente o tempo traz clareza e compreensão para que a reconciliação aconteça”, afirma.

Também a ausência de diálogo é algo recorrente e que compromete muito os relacionamentos. Somam-se a isso as diferenças culturais, de personalidade e aspectos relacionados à formação e aos valores familiares que cada um carrega e que contribuem para agravar as crises do dia a dia. 

 Relatos de reconciliação

“O processo de reconciliação tem sido constante em minha vida. Já vivi a experiência com meu esposo, com minha mãe e amigos, comigo mesma e até mesmo com Deus. No meu casamento, ocorreu, há cerca de um ano, uma ruptura, e durou um breve período. Foi causada por conflitos diários e por diferenças de personalidade. 

Busquei auxílio terapêutico porque acredito que os profissionais podem nos ajudar a organizar nossas emoções e também no processo de autoconhecimento, além de nos trazerem questionamentos que nos fazem entender melhor a situação em meio à crise. 

O maior desafio foi vencer o orgulho, mas encontrar na misericórdia de Deus o abraço faz com que nos perdoemos com sinceridade por todas as nossas falhas. Quando nos perdoamos, fica mais fácil perdoar também quem nos fere. Acredito que ambos os lados precisam ceder para que a reconciliação aconteça de verdade, pois, se um dos envolvidos não cede, podemos estar diante de uma relação emocionalmente abusiva.

Um convite à reconciliação
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Como aprendizado, entendi que não devemos tomar decisões em momentos de tempestade, e, em todos os conflitos, precisamos guardar a fé em Jesus Cristo, que conduz a nossa vida. Por isso, recomendo que procure um profissional capacitado para isso ou mesmo um sacerdote, para fazer uma confissão e pedir aconselhamento. Não permaneça em relacionamentos abusivos e denuncie violências sempre que ocorrerem. Pense que o tempo e o amor de Deus podem solucionar muitas coisas; é só aprender a descansar antes de desistir.” A. M., enfermeira

“Eu e meu pai ficamos sem nos falar por três anos e meio, quando comecei um relacionamento com uma pessoa que ele não aceitava. Não cheguei a buscar auxílio profissional, mas foi um tempo em que aprendi que não vale a pena tomar decisões precipitadas nem guardar mágoas de pessoas que amamos. Logo que terminei o relacionamento que eu estava vivendo, voltamos a nos falar. 

Como dica a quem passa por essa situação, eu recomendo que se reconcilie sim com quem você ama, peça desculpas e perdoe. Isso é libertador! A vida é muito curta, e tudo que fazemos sem pensar, ou quando agimos no calor das emoções, nos leva a um arrependimento mais tarde. Hoje, eu e meu pai temos um relacionamento maravilhoso e de muito amor e respeito.” Y. P., funcionária pública

Algumas dicas para a reconciliação 

  • Não se cobrar ou se culpar.
  • Decidir que tipo de relações quer manter em sua vida.
  • Desenvolver o autoconhecimento para reconhecer os sentimentos que podem gerar conflitos.
  • Crescer na espiritualidade e intimidade com Deus.
  • Buscar auxílio profissional ou alguma atividade que desenvolva melhor suas emoções, como: música, artes, meditação, além de grupos de oração, de apoio comunitário ou de desenvolvimento humano.
  • Praticar a escuta do outro de forma atenciosa e sem julgamentos.
  • Buscar respeitar as diferenças e praticar a empatia.
  • Ampliar sua evolução espiritual, através de práticas como oração e leitura.

Andrea Adelio é jornalista, especialista em comunicação assertiva, imagem pessoal e desenvolvimento humano. Fundadora da Tô em Foco, escreve histórias que eternizam momentos da vida de pessoas, empresas e negócios. @andrea_adelio

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