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Eles vivenciam o Natal o ano inteiro - Revista Familia Cristã

Eles vivenciam o Natal o ano inteiro

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A família de Marco e Íris foi transformada pelo amor aos irmãos de rua

Por Cacilda Medeiros

O professor de Matemática Marco Lira e a esposa, a dona de casa Íris Marroque, coordenam a missão de leigos Toca de Assis, na Arquidiocese de Natal (RN), há onze anos. Até 2008, quando conheceram o movimento, Marco não seguia nenhuma religião e Íris era católica não praticante. Eis que ela foi apresentada à Toca de Assis e, a partir daí, a vida da família foi sendo transformada, dia a dia.

Natal dos irmãos de rua

Antes de serem transformados pela Toca de Assis, eles viviam o Natal como uma festa que reúne a família, tem ceia farta, vinho, troca de presentes… Com a missão, passaram a se dedicar, juntamente com outros voluntários, ao Natal dos irmãos de rua. Claro que esta não é a única ação da Toca. O grupo trabalha o ano inteiro com pessoas que vivem em situação de rua. Segundo os coordenadores, a celebração natalina é o momento mais esperado por aqueles que são acompanhados pelo movimento.

Todos os anos, o grupo reúne mais de cem pessoas em situação de rua, no terceiro domingo de dezembro, em uma granja, situada no município de Parnamirim, na Grande Natal. É um dia de oração, de asseio pessoal, de vestir roupa nova, de brincadeiras, de banho de piscina, de churrasco e de um almoço festivo com cardápio natalino, preparado por chefs de cozinha. “Oferecemos o melhor para os irmãos, ou seja, oferecemos aquilo que também gostaríamos de comer, de vestir e de calçar”, comenta Íris. “Deus está nos pobres. Por isso, precisamos dar o melhor para eles”, acrescenta Marco.

Para Íris, o que mais a encanta no Natal dos irmãos de rua é ver a alegria deles. “Eles passam o ano inteiro esperando por esse momento. Já sofrem tanto nas ruas e aquele dia da confraternização natalina é muito especial”, afirma.

Situação de rua
Natal dos irmãos em situação de rua, promovido pela Toca de Assis, na capital potiguar, em 2019. Foto: Rivaldo Jr

Dos fatos que ficam registrados na mente de quem se dedica a promover esses momentos de alegria, Marco Lira recorda algo que aconteceu no Natal de 2019. “Estava caminhando pela granja, quando um dos irmãos de rua me acompanhou e disse: ‘Seu Marcos, veja quantos filhos você ganhou’ (se referindo às mais de cem pessoas que ali estavam). De imediato, me veio à mente a passagem bíblica em que Jesus diz que, quem largar tudo por causa Dele e do Evangelho, receberá cem vezes mais”, relata.

Doação e disponibilidade

Proveniente de uma família numerosa, com 14 irmãos, Marco Lira é natural do Rio de Janeiro, mas reside em Natal desde 1984. Marco, Íris e a filha, Renata, costumam passar as festividades de final de ano com os familiares, no Rio. Seu testemunho de dedicação às pessoas que vivem em situação de rua, aos poucos, foi cativando também os familiares. Neste mês de dezembro de 2021, a família dele está enviando duzentas bermudas para serem doadas aos homens que vivem em situação de rua, na capital potiguar.

Quando chegam ao Rio de Janeiro, Marco, Íris e Renata logo procuram a missão da Toca de Assis, para colaborar com o Natal dos pobres e em outras ações. Alguns parentes já os acompanham na missão, inclusive participando da celebração do Natal na Cracolândia. “Nós vamos ao Rio, passamos férias lá, mas, onde estivermos, procuramos ser testemunhas da Toca de Assis. Aproveito para visitar os irmãos, sobrinhos e amigos, mas, se surgir a oportunidade de participar de uma pastoral de rua, também vou. É algo natural na minha vida”, diz Lira.

Desprendimento

“A missão com os pobres vai tornando você pobre, não no sentido de não ter dinheiro, mas de se desprender das coisas materiais”, testemunha o professor. Ceia de Natal, na noite do dia 24 de dezembro, em família? Sim, eles têm. Mas, de acordo com o casal, atualmente eles não pensam mais em uma ceia repleta de comidas sofisticadas. É algo simples, já que o mais importante é estar juntos. A mudança vai surgindo à medida que a pessoa vai se aproximando de Deus.

Natal de rua
Marco, Íris, o arcebispo Dom Jaime Vieira Rocha, voluntários e irmãos de rua, no Natal de 2018. Foto: Cacilda Medeiros

Geralmente, no final do ano, aparecem muitas iniciativas de empresas, grupos ou de pessoas individuais em prol dos menos favorecidos. Contudo, na opinião de Marco e Íris, o que diferencia as ações realizadas por aqueles que seguem o caminho de Deus é o amor. “No dia a dia, cada quentinha oferecida àquele irmão de rua vai temperada com amor, e isso vai nos transformando”, lembram.

Testemunho que transforma

Marcos e Íris enumeram vários exemplos de pessoas próximas que foram sendo transformadas a partir do testemunho deles. Eles recordam, por exemplo, que, antigamente, costumavam reunir os amigos, em casa, nas noites das sextas-feiras, para beber cerveja. Hoje, alguns desses amigos participam das ações da Toca de Assis ou de ações da Igreja, e que as reuniões em casa não são mais para beber cerveja, mas para rezar o terço.

Renovação das esperanças. É assim que o casal define o Natal do Senhor. “O Natal não pode se resumir à ceia, ao vinho, à troca de presentes. É esperança, é renascimento. É tempo de refletir e enxergar Jesus nos pobres”, acrescentam.

Cacilda Medeiros é graduada em Letras e em Jornalismo, com especialização em Jornalismo Empresarial e Assessoria de Imprensa. Atualmente, coordena o Setor de Comunicação da Arquidiocese de Natal (RN). É apaixonada pela natureza e por histórias de vida e de comunidades transformadas. Instagram: cacilda_medeiros

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