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Teatro terapia: a arte que cura a alma - Revista Familia Cristã

Teatro terapia: a arte que cura a alma

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Confira depoimentos sobre os benefícios desta prática que colabora com o autoconhecimento e as relações humanas

Por Fabiane Pita

Daniela, 26 anos; Rafaela, 24 anos; Yuri, 25 anos; Luciana 51 anos; Viviane, 44 anos. O que essas pessoas têm em comum? O teatro como forma de terapia. Cada um procurou a arte por um motivo; entretanto, todos concordam com seus benefícios: a saúde da mente e do espírito. No Rio de Janeiro, o projeto Transborda TeatroTerapia, idealizado pela psicóloga, atriz, arteterapeuta e gestora cultural Adriana Karla Rodrigues, surgiu da sua vontade de unir arte e teatro com as técnicas e recursos da psicologia e da arteterapia, de uma maneira integrativa. “A ideia era que tanto os profissionais da arte, mais sensíveis aos temas da saúde mental, quanto profissionais de psicologia, mais sensíveis aos recursos ‘curativos’ das artes, pudessem se apropriar da metodologia proposta e criar também seu modo de aplicar os conhecimentos como recurso para o autoconhecimento e o desenvolvimento humano”, explica.

A psicóloga conta que o trabalho foi iniciado dentro de uma clínica para pessoas internadas por problemas psiquiátricos, de álcool e drogas, e foi ampliado para que todos os interessados pudessem ter acesso a ela, inclusive aqueles que já estivessem fora do período de internação. O TeatroTerapia funciona em forma de encontros, workshops artísticos e terapêuticos, mediados pelos recursos do teatro, proporcionando autoconhecimento e desenvolvimento dos integrantes, através das artes. “Em cada encontro trabalhamos corpo, voz, postura cênica, escrita criativa, percepções e acolhimento emocionais. O projeto dá oportunidade àqueles que precisam dos serviços da ‘saúde mental’ ou que buscam autoconhecimento e desenvolvimento pessoal, mas que, de uma forma tradicional, ainda não conseguiram encontrar seu caminho de autocuidado”, conta Adriana.

O teatro terapia possibilita ampliar as formas de contato e entendimento da pessoa com seus sentimentos, emoções e dores de forma mais lúdica e muitas vezes mais profunda. “Experimente. Não precisa ser ator ou atriz, nem artista. Todo ser humano é criativo e tem potência criativa para ser protagonista da sua própria vida”, diz. Além de Adriana, o projeto é composto por Nina Rodrigues Rosenhtal, diretora artística e facilitadora do projeto.

Olhar dos alunos

Pixabay.com

Daniela Velloso, atriz, recém-formada em psicologia, conta que entrou no TeatroTerapia por um motivo simples: o grupo unia suas duas profissões e coisas que ama fazer. “O TeatroTerapia me fez muito bem. Os exercícios corporais e vocais nos ajudam a soltar as emoções. As técnicas teatrais e os jogos de cena são ótimos para refletirmos, para saber como lidar com certas situações e como agir em nossas vidas. No final, tudo isso contribui para o autoconhecimento. Depois do grupo me tornei uma pessoa menos ansiosa, menos reservada e mais criativa”, diz.

A estudante de História Rafaela Ferreira nunca havia ouvido falar dessa forma de cuidar da saúde, e foi isso que a moveu. “Só de saber que tenho um dia na semana para me libertar e sair da rotina, do peso da vida real, e transbordar nas propostas artísticas do grupo, me sinto grata e acolhida. Notei que me tornei uma pessoa mais sensível e atenta aos sinais da vida. Como eu nunca tinha feito teatro durante tanto tempo e com tantas dinâmicas e referências como no Transborda, notei que teatro é um recurso imprescindível a quem preza pela saúde mental e espiritual, e não sei mais se consigo viver sem esses recursos”, conta rindo.

“Para todos que queiram experimentar diferentes formas de ser no mundo.” É com esta frase que o estudante de psicologia Yuri Gomes recomenda o TeatroTerapia. Entrou no grupo há oito meses com o objetivo de se aprofundar mais no assunto, após fazer um curso que abordou as técnicas e as vivências do teatro terapia. “Desde que comecei, venho desenvolvendo as diferentes formas de ser criativo, seja com artes plásticas, ou com a imaginação. Outro grande benefício está sendo a familiaridade com o movimento e a forma do meu próprio corpo. A relação com o grupo e o apoio que recebo dele me possibilitam uma entrega para a experimentação coletiva. Creio que essa é a grande intervenção terapêutica do TeatroTerapia”, fala.

Superação

A guarda civil Luciana Astolfo, vítima de estresse pós-traumático e de depressão, começou a fazer teatro por recomendação do psicólogo, que indicou que ela buscasse uma atividade de que gostasse. “Naquele momento não tinha motivação nenhuma, mas matriculei-me por recomendação médica. O primeiro ano foi muito difícil. No início era o momento em que eu conseguia me desconectar dos problemas, como se fosse uma válvula de escape. No segundo ano, procurei um curso profissionalizante e atualmente é algo consciente e prazeroso com que busco me aprimorar e crescer.” Ela conta que a principal mudança notada após o teatro foi o autoconhecimento. “Quem eu sou e o que quero. Continuo nessa busca, agora com essa certeza de que a minha arte é o caminho para isso”, declara.

A analista de sistemas Viviane Dantas se matriculou no Teatro Escola Macunaíma em 2019, com o objetivo de tirar o registro profissional como atriz para trabalhar com atuação e dublagem, mas conta que o teatro acabou sendo uma terapia em 2020. “Foi o que me salvou de não surtar na pandemia sozinha em casa”, finaliza a baiana, que mora em São Paulo há pouco mais de dois anos.

Fabiane Pita, mulher negra, católica, jornalista, especialista em Gestão da Informação para Multimeios. Curiosa por natureza, foi assim que, com uma amiga, criou seu perfil no Instagram: @curiando_o_role. Ama ler, escrever, contar boas histórias e viajar. Coloca amor em tudo que faz. Seu sorriso é sua marca registrada.

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