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Como vive o portador de HIV hoje em dia? - Revista Familia Cristã

Como vive o portador de HIV hoje em dia?

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Tratamento com antirretrovirais garante qualidade de vida, mas soropositivos ainda enfrentam discriminação na sociedade

Por Juliana Borga

Dra. Fabiana Santana afirma que o diagnóstico precoce do HIV garante qualidade de vida. Foto: Arquivo Pessoal

Há quatro décadas, o mundo registrava os primeiros casos de Aids. Receber o diagnóstico positivo para a doença era o mesmo que obter um atestado de óbito. Vimos muitas pessoas morrerem, mas também testemunhamos o avanço das terapias de prevenção e de tratamento, que hoje refletem na qualidade de vida dos soropositivos.

Dezembro é o mês mundial do combate à Aids. Para nos manter atualizados sobre a evolução da doença, vamos começar explicando a diferença entre HIV e Aids.

O HIV é um vírus transmitido por alguns fluidos corporais (sangue, sêmen, fluidos vaginais e leite materno) que afeta o sistema imunológico e, quando não tratado, deixa o organismo vulnerável a outras infecções. Já a Aids é a síndrome que pode ser desenvolvida caso a infecção por HIV não seja tratada. Com o sistema imunológico debilitado, o corpo fica mais suscetível a doenças oportunistas.

Por isso, viver com HIV não é o mesmo que estar com Aids. Uma pessoa com diagnóstico positivo para HIV pode passar a vida toda sem desenvolver Aids. Isso porque hoje existem medicamentos capazes de garantir qualidade de vida a todos que fazem adesão ao tratamento. Além disso, o tratamento diminui a quantidade de vírus no organismo até que ele se torne indetectável e, passados seis meses nessa condição, o vírus também não será transmitido. “Este é um conceito que chamamos de ‘indetectável=intransmissível’. O diagnóstico precoce, o acompanhamento médico e a adesão ao tratamento garantem qualidade de vida para as pessoas que vivem com HIV hoje em dia”, explica a médica infectologista Dra. Fabiana Santana.

O estigma do soropositivo

Lá se vão 40 anos de uma pandemia que ainda não acabou e que, apesar dos avanços, carrega um forte estigma e discriminação na sociedade. “Eu já tinha visto pessoas sendo rotuladas e não queria isso para mim, não queria ser tratado de maneira diferente”, conta o analista de RH Gabriel, 44 anos. Ele recebeu o diagnóstico positivo há dez anos e foi como uma sentença de morte: “Descobri por acaso, ao tratar uma tosse que revelou uma pneumonia. Foi traumático, de repente me vi sem a possibilidade de planejar. Mas com o tempo busquei informação e aprendi a conviver com o HIV. Conheci pessoas que convivem com o vírus há 20, 30 anos e hoje levo uma vida mais saudável do que antes do diagnóstico”, conta.

Soropositivo
Pexels/Anna Shvets

Um estudo da Unaids (programa das Nações Unidas sobre HIV/Aids) com quase 2 mil pessoas soropositivas mostra que 64% já sofreram algum tipo de discriminação: 46% por meio de comentários de familiares, vizinhos e amigos, 25% em assédios verbais e 20% chegaram a ter perda de fonte de renda ou foram rejeitados em uma oferta de emprego. O estigma é tanto que 81% dos entrevistados dizem que ainda é muito difícil revelar sua sorologia para outras pessoas.

Saúde em dia

Cuidar da saúde física e mental e se unir a outras pessoas que enfrentaram a mesma realidade é o caminho para lidar com o vírus. “Depois do diagnóstico, passei a cuidar mais da minha saúde, me alimento melhor, durmo melhor e faço exames regularmente. É essencial estender a mão para os portadores de HIV; cuidar das emoções, conhecer quem convive há mais tempo com o vírus e contar com apoio psicológico faz toda a diferença nas etapas iniciais do tratamento”, relata Frederico, 47 anos, educador que mantém a rotina de buscar sua medicação no Sistema Único de Saúde (SUS).

Desde 1996, o Brasil distribui gratuitamente os antirretrovirais. Aliás, o país, hoje, tem uma das maiores coberturas de tratamento antirretroviral entre os países de renda média e baixa. O tratamento é o responsável pela melhora na qualidade de vida dos portadores de HIV. “Os antirretrovirais são os responsáveis pela melhora na qualidade de vida dos portadores de HIV. Nas últimas décadas, também conseguimos melhora na potência, posologia e menos efeitos colaterais dessas medicações, fazendo com que o paciente tenha uma perspectiva de vida igual ao não portador”, explica a infectologista.

Apesar disso, a adesão ao tratamento disponível gratuitamente pelo SUS ainda é um desafio. Das pessoas estimadas vivendo com HIV no país, 84% já fizeram o teste de HIV; destas, 75% estão em tratamento; e, dentro deste grupo de pessoas em tratamento, cerca de 92% apresentam carga viral indetectável.

Mais jovens

O número de casos de Aids entre jovens de 15 a 24 anos tem crescido nos últimos dez anos. Dados do Boletim Epidemiológico de HIV 2018, divulgado pelo Ministério da Saúde, mostram que a taxa de detecção de casos entre jovens do sexo masculino nessa faixa etária mais que dobrou em uma década: 3 para 7 casos por 100 mil habitantes (15 a 19 anos) e de 15,6 para 36,2 casos por 100 mil habitantes (20 a 24 anos). Entre as mulheres, as taxas têm mostrado uma tendência de queda em quase todas as faixas etárias. “Ainda temos o maior índice de casos nessa faixa etária, porém não podemos deixar de citar o aumento de casos entre os idosos. Os jovens se mostram sem medo da doença exatamente por existir um tratamento eficaz”, afirma a Dra. Fabiana Santana.

Manter informações atualizadas da doença e incentivar o uso de preservativos são medidas importantes para a prevenção de novos casos (confira os links ao final da matéria). Hoje em dia, é possível viver com HIV e ser saudável, ter relacionamentos e exercer seus direitos. O diagnóstico positivo para HIV pode ser um novo começo de vida, com uma nova mentalidade, novas conquistas e aprendizados. “Se posso ajudar outras pessoas que estão passando por isso, afirmo: você vai se sentir culpado, diminuído, mas nada disso é verdade. Ser soropositivo não te limita. Tenha calma e procure alguém em quem confie para conversar. Não é o fim da linha, você tem um futuro cheio de conquistas pela frente”, finaliza Gabriel.

 Informações confiáveis

 Hoje todo mundo vai para a internet em busca de informação, porém é preciso avaliar a origem e a qualidade das notícias que estamos consumindo. Confira nos sites sugeridos outras informações sobre HIV/Aids; neles, você encontrará dados relevantes, informações sobre campanhas e ONGs, além de relatos de pessoas soropositivas:
 
https://unaids.org.br/
agenciaaids.com.br
https://deupositivoeagora.org/ 

Juliana Borga é jornalista, três vezes vencedora do Prêmio Dom Hélder Câmara de Imprensa. É mãe coruja da Helena e adora escrever sobre temas que colaboram para um mundo mais humano e solidário. Instagram: @juborgajornalista

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