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Juventude e alimentação: slow food ou fast-food - Revista Familia Cristã

Juventude e alimentação: slow food
ou fast-food

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É possível um jovem manter uma dieta saudável e um consumo consciente?

Por Vitória Élida

A fase da juventude já é caracterizada pelas mudanças de comportamento e por uma busca quase incansável de sensação de independência. Muitos desses jovens são encarados como rebeldes e destemidos. Porém, quando se trata de um bom prato repleto de verduras e legumes, a coragem típica dos jovens vai embora rapidinho. E essa informação foi confirmada por uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com 75 mil jovens de escolas públicas, que revelou que apenas um em cada três adolescentes coloca salada no prato, e somente um em cada cinco ingere pelo menos uma fruta ao dia. A pesquisa revelou ainda outro dado preocupante: só três em cada dez brasileiros entre 10 e 18 anos realizam atividade física com frequência, ou seja, a nossa juventude, em sua maioria, ainda leva uma vida sedentária.

Essa realidade se reflete nos consultórios médicos, onde o número de crianças e adolescentes obesos só cresce. A Pesquisa Nacional em Saúde (PNS), realizada em parceria com o Ministério da Saúde, revela que 19,4% dos nossos adolescentes estão com excesso de peso, e 6,7% destes já apresentam graus de obesidade. E essa situação se estende às demais idades. A própria PNS revela que, na faixa etária dos 18 aos 24 anos, encontramos 33,7% de pessoas com excesso de peso.

slow food
Pixabay.com

Esses dados vão ao encontro do grande consumo de alimentos ultraprocessados e de fast-foods, os quais, segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, deveriam ser evitados. Pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, nos últimos anos, a frequência de ingestão de alimentos como pizzas e sanduíches cresceu mais de 17%. E esse aumento de consumo de comidas calóricas é ainda maior entre os jovens. Mas será que é possível andar na contramão dessa “tendência”? E, entre os jovens, é possível efetivar o sonho do consumo consciente? 

O que é slow food?

Opondo-se a essa ideia de fast-food, surgiu em 1986, em Roma, o slow food. Naquela época, a meta inicial era defender as tradições regionais, o prazer da gastronomia e a adoção de um ritmo de vida sem pressa. Hoje, o slow food tem uma visão mais abrangente e acredita em um mundo onde todos possam ter acesso e consumir alimentos que sejam bons para quem come, para quem produz e para o planeta como um todo.

Muitas pessoas, porém, não conhecem o conceito nem a prática slow food, mas já a adotaram de forma inconsciente. É o caso do jovem Guilherme Santos, que diz que evita comidas industrializadas e aproveita o momento da alimentação. “Para mim, comer é um momento de prazer; então, demoro bastante, degustando e sentindo os sabores. A hora da comida não é para ter pressa; além disso, evito o desperdício. É preciso que a gente aprenda a só colocar no prato aquilo que realmente quer comer.”

Essa relação mais consciente com o alimento, ponto importante no movimento, também é vivenciada pela jovem jornalista Águida Cunha, que afirma que vem optando pela prática da reutilização daquilo que, para muitos, é considerado resto. “Tenho buscado aprender a como reutilizar certas partes dos alimentos que são descartadas, fazer uso de um consumo mais sustentável. Por isso, também reduzi o consumo de fast-food; o impacto ambiental de cada combo de sanduíche que pedimos é assustador”, diz. 

Sem dúvida, a rotina de vida, em especial, a rotina dos jovens, caracterizada pelas urgências, age como uma grande influência na hora da escolha mais prática de alimentação. Principalmente no cenário atual que vivenciamos. O isolamento social exigido, a falta de hábito de cozinhar e a alta demanda de tarefas para fazer em casa culminou em um aumento significativo dos pedidos de comidas por delivery

Consumo alimentar consciente

Porém, é possível sim, mesmo diante de tudo isso, criar em casa um cenário favorável ao incentivo do consumo alimentar consciente. Para isso, é preciso que os pais também adquiram bons hábitos e conversem sobre alimentação com os filhos, fazendo o que chamamos de “reeducação alimentar”. Esse processo passa pelo conhecimento acerca daquilo que se come, pelo respeito ao alimento, pela disciplina dos horários das refeições e, sempre que possível, a realização delas em família.

A educadora física Rakell Kneipp, idealizadora de um projeto que engloba o incentivo à realização de atividade física e prática da alimentação saudável, relata que é de grande importância que toda a família se envolva nesse processo. “Tenho visto muitos pais que iniciam a prática de treinos para servir de exemplo em casa, pois se veem diante de filhos obesos e diabéticos. Já os jovens, quando iniciam os treinos na academia, ainda não trazem a consciência da vida saudável, buscam mesmo por questões de estética, o que acaba sendo um gatilho para os transtornos alimentares”, afirma.

Dicas para uma uma alimentação saudável

Sendo assim, para que a alimentação saudável e a relação mais consciente dos jovens com o alimento sejam efetivas, é preciso a busca por constância, até que se atinja a mudança dos hábitos. Nesse caminho, algumas dicas podem ser importantes, como: variar a alimentação, com pratos mais coloridos e naturais, evitando, assim, o consumo de produtos industrializados; estabelecer sempre diálogos sobre escolhas na hora da alimentação; ter atenção com as chamadas dietas restritivas, tão praticadas pelos jovens na busca pelo corpo perfeito; e o incentivo a uma rotina saudável, com práticas esportivas e ingestão de muita água. 

Manter uma boa alimentação mesmo na juventude não é tarefa impossível, apenas requer disciplina. E, se isso for atrelado ao bem-estar do próximo e do planeta, certamente estaremos incentivando a formação de adultos mais conscientes e preocupados com o equilíbrio consigo mesmo e com o mundo que os cerca. 

Vitória Élida é bióloga, pedagoga e jornalista. Atua na área de educação, mas dedica parte de seu tempo a escrever sobre temas referentes a meio ambiente, educação, juventude e Igreja. Encontra nos seus textos uma forma de estar em maior conexão com o mundo e consigo mesma.

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