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Saúde mental em tempos de pandemia - Revista Familia Cristã

Saúde mental em tempos de pandemia

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De repente, fomos desafiados a estar sós e a lidar com nosso mundo interno

Por Simone Vioto

O ano de 2020 reservou-nos situações sem precedentes. A pandemia, em virtude da ocorrência do novo coronavírus, fez com que vivenciássemos a expressão “todo o mundo” de maneira literal. Todo o mundo parou! Todo o mundo, obrigatoriamente, teve que rever sua maneira de fazer as coisas, principalmente na forma de estar perto uns dos outros.

Na verdade, a pandemia nos impôs a necessidade do isolamento social, condição contrária à nossa essência, pois, como seres humanos, somos seres de relação. Assim, por natureza, buscamos o convívio com o outro e com os grupos que nos rodeiam.

Estar diante de si: das possibilidades do autoconhecimento ao adoecimento

A forma como encaramos o isolamento social, durante a pandemia, passa diretamente por nossas percepções e desafios, e, assim, somos levados a conviver de forma mais profunda com nossos sentimentos. A falta de convívio social nos tirou a possibilidade de usar válvulas de escape para nos equilibrarmos com o meio. Essa “parada obrigatória”, imposta pela pandemia, proporcionou a oportunidade de lançarmos um olhar para nossa vida interior e para aspectos do nosso psiquismo, possibilitando um achegar-se de si, um autoconhecimento.

O que significa autoconhecimento?

O autoconhecimento pode ser compreendido como a habilidade que cada indivíduo tem de pensar sobre seus próprios sentimentos, de acessar seu mundo interno e sua vida mental, percebendo suas facilidades e dificuldades. Sendo, portanto, uma habilidade, o autoconhecimento é algo que pode ser desenvolvido e exercitado.

Freepik.com

Ao nos depararmos com a percepção interna que o autoconhecimento nos traz, somos levados a enfrentar nossos triunfos e misérias, desvendando de forma intrínseca nossa maneira de nos relacionarmos conosco e com o próximo. Esses movimentos internos acompanham a complexidade de nossos sentimentos, que estão sujeitos às intempéries do ambiente e de nossa atitude relacional.

Assim, o autoconhecimento se caracteriza por ser uma jornada na busca de si mesmo, podendo ser uma forma de autocuidado mediado pelo saber que construímos acerca de quem somos. Saber quem somos facilita nossa vida em família, com amigos, no trabalho, pois nos permite ter ciência do nosso Eu e de como esse Eu se faz em relação ao outro.

Nomear o que e quem somos, admitir que sentimos e pensamos determinadas coisas é como uma semente para o princípio do nosso processo de amadurecimento, para assim podermos enfrentar, superar, cultivar e nos apropriar de nós mesmos.

Mas é importante destacar que vivenciar a pandemia gerou grandes cenários de angústia e ansiedade. Algumas pesquisas reportaram um aumento na busca por atendimento psiquiátrico após o início da pandemia.

Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), houve um aumento de cerca de 25% no volume de atendimentos, com queixas relacionadas a quadros ansiogênicos e depressivos, bem como à qualidade e manutenção do sono.

Em consonância com tal cenário, a Associação Brasileira de Farmácia também divulgou uma pesquisa que detectou aumento na venda de medicamentos psiquiátricos, tais como antidepressivos e estabilizadores de humor.

O medo do desconhecido, de adoecer, de ficar distante dos seus, das mudanças de rotina e do trabalho, entre tantas outras transformações, tornou-se gatilho para sintomas e doenças, bem como amplificou quadros psicopatológicos já existentes.

Então, o que podemos pensar quanto ao “conhece-te a ti mesmo”?

Olhar para nós mesmos é tarefa árdua, porém de extrema importância. É necessário pensar que conhecer nossa psique, nossos gostos e interesses, possibilidades e limitações favorece nossa qualidade de vida e nossas relações interpessoais. Assim, quem se aventura por esses caminhos pode encontrar grandes tesouros.

Contudo, se há grande angústia e conflitos internos, deve-se buscar ajuda profissional, alguém que ajude a passar por esse momento difícil.

Simone Vioto é psicóloga há 21 anos, professora universitária e cantora. Atua nas áreas da psicologia clínica e educacional. Gosta de viajar, cantar, estudar, dividir momentos com seu esposo, familiares e amigos. O trabalho é uma das coisas que a torna mais feliz.

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