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Sacramento do Matrimônio: canal de graça - Revista Familia Cristã

Sacramento do Matrimônio: canal de graça

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Mais do que cumprir o “papel de casar na igreja”, o Sacramento do Matrimônio é sinal das bênçãos de Deus

Por Sara Gomes

Matrimônio
Casados há quase dois anos, Taiane e Tainan receberam o sacramento com a consciência cristã do compromisso assumido. Foto: Arquivo Pessoal

Escolher a data, o horário, a igreja, as flores, os padrinhos e as madrinhas, as daminhas e os pajens… são tantos detalhes que fazem parte da vida de um casal quando eles, homem e mulher, resolvem dar um passo a mais e receber o Sacramento do Matrimônio. Mais do que “casar na igreja”, quem deseja subir ao altar precisa ter a certeza de que esta decisão é um sinal do amor de Deus. “De modo primordial, é através deste sacramento que se funda a família, ou seja, a família enquanto Igreja doméstica. Este sacramento tem como objetivo fazer com que os esposos, que se unem no amor conjugal e que se entregam um ao outro, o façam a partir e suplicando a bênção de Deus”, afirma o padre Alberto Montealegre Vieira Neves, vigário judicial do Tribunal Eclesiástico Interdiocesano e de Apelação de Salvador.

Foi com esta consciência que Taiane Gomes de Carvalho Piaggio e Tainan Baltazar de Carvalho Piaggio decidiram seguir juntos na caminhada esponsal, mas com os olhares voltados para o céu. Após doze anos de namoro, os jovens receberam o Sacramento do Matrimônio no dia 30 de janeiro de 2021. “Nós nos conhecemos através da Igreja. Eu estava entrando no grupo de coroinhas em 2009 e Tainan já era coroinha. Nos tornamos amigos e começamos a namorar, mas o processo até o casamento foi complicado, com altos e baixos, inclusive chegamos a nos afastar da Igreja, mas Deus, em sua infinita misericórdia, nos resgatou de forma profunda quando nos levou a caminhar juntos na Comunidade Católica Missão Redenção”, conta Taiane.

A partir da decisão de tornarem-se esposo e esposa, Taiane e Tainan iniciaram um novo caminho, o de preparação para uma vida juntos. De acordo com o Cânon 1.055, do Código de Direito Canônico, o matrimônio é elevado a sacramento, entre dois batizados, por meio de Jesus Cristo, ou seja: aquele amor conjugal se transforma em canal para que Deus possa agir, seja na Igreja, seja no mundo, pois todo sacramento é extensão do amor de Cristo. “O Sacramento do Matrimônio é esse sinal, essa presença do amor de Deus para com o seu povo. Essa comunidade testemunha e se torna manifestação deste amor na relação esponsal entre Deus e o seu povo, entre Deus e a sua Igreja. Tanto é que a esposa simboliza a Igreja e o esposo simboliza o próprio Cristo”, explica o padre Alberto.

Diante desta certeza do amor de Deus que passa pelo amor do casal e chega até os filhos, Taiane e Tainan geraram a pequena Maria Liz, que nasceu no dia 15 de novembro deste ano. “Quando o amor conjugal é celebrado por meio do Sacramento do Matrimônio se torna esse sinal do amor de Cristo para com o seu povo, para com a sua Igreja. É nesse sacramento que se geram os filhos de Deus, que é outra importância: como fundamento da Igreja doméstica. É aí que os filhos vão testemunhar o amor de Deus por meio do testemunho do amor entre os seus pais e o amor que os pais oferecem aos seus filhos. É na família que se faz a experiência primeira da fé, do amor de Deus. É na família que está o celeiro de vocações”, assegura o padre Alberto.

Nesta dinâmica entre testemunho de fé e de amor que gera o caminho de educação e de formação dos filhos, a Igreja doméstica vai sendo edificada e, a partir daí, é claro, o matrimônio cumpre o seu papel. Conforme o Catecismo da Igreja Católica (CIC, n. 1665), “o lar cristão é o lugar em que os filhos recebem o primeiro anúncio da fé. Por isso, o lar é chamado, com toda razão, de ‘Igreja doméstica’, comunidade de graça e de oração, escola das virtudes humanas e da caridade cristã”. “Receber um sacramento é um motivo de muita felicidade para todo cristão católico, e, quando esse sacramento é a nossa vocação, passa a nos preencher por completo, pois sabemos que só seremos felizes se bem vivermos a vocação que Deus sonhou para nós. Logo, precisamos levá-la a sério e honrar a nossa palavra sobre tudo o que prometemos diante do altar”, afirma Taiane.

Comunhão de vida

Apesar da consciência cristã quanto ao matrimônio enquanto sacramento, muitos casais ainda seguem juntos, mas sem celebrar este momento. “A Igreja respeita estes cristãos que convivem e que constituíram uma família, e quer incluí-los sempre no caminho de fé, na vivência eclesial. Porém, a Igreja sempre motiva para que aquela união que existe entre um homem e uma mulher se transforme em sacramento, para que não seja reduzido somente a uma relação de amor humano, mas que este amor humano possa ser canal do amor de Deus. Então, a Igreja sempre aconselha os casais a celebrarem o Sacramento do Matrimônio quando podem, para que assim se assuma a responsabilidade de que o amor entre um homem e uma mulher não se limita à vida íntima dos dois, mas que esse amor, ao se tornar sacramento, se torna um bem público, ou seja: um bem que serve para edificar a Igreja e para ajudá-la na missão evangelizadora, e que se torne também um instrumento de Deus para evangelizar a sociedade na qual vivemos”, afirma o padre Alberto.

Neste caminho, a Pastoral Familiar tem uma missão importantíssima. “Através das equipes paroquiais, nós vamos ao encontro, acolhemos e dialogamos com casais em situações matrimoniais especiais, através de uma catequese verdadeira e madura, preparando-os para receberem o Sacramento do Matrimônio”, diz a coordenadora da Pastoral Familiar na Arquidiocese de Salvador, Rita de Cássia Galvão. Segundo ela, esta preparação, no caso dos casais que já convivem, pode culminar com o casamento comunitário. “Chamamos de casamento comunitário a celebração de vários matrimônios ao mesmo tempo. Assim, os casais que já convivem, participantes da comunidade ou que desejem dela participar, são preparados. Ele é um serviço e uma doação que a Igreja oferece, através da Pastoral Familiar, em busca da vivência mais plena da fé da Igreja”, explica.

Casamento na Igreja
Pexels.com/Cleyder Duque

O Sacramento do Matrimônio tem duas realidades que precisam ser levadas em consideração: primeiro, o matrimônio in fieri, enquanto celebração, enquanto momento do consentimento, no qual os esposos decidem se entregar um ao outro e construir uma comunhão de vida. Porém, esse matrimônio no momento do consentimento precisa ser colocado em prática, que é o matrimônio in facto esse. Então, essa vivência deve ser continuada dia a dia no cotidiano da vida conjugal. Isso não é fácil, por isso os esposos que querem se manter fiéis à vocação matrimonial precisam ser acompanhados, estar inseridos em uma comunidade, precisam ter contato com outros casais que testemunham e que vivenciam os mesmos problemas, que os conseguiram superar e que podem ajudar um casal mais novo. É importante essa convivência com o sacerdote, com o pároco da sua comunidade; que a dimensão da fé esteja viva na vida do casal e que ajude os dois a conduzirem o matrimônio não a partir das paixões humanas, mas, sim, da Palavra de Deus”, orienta o padre Alberto.

Sara Gomes é jornalista e possui especialização em Jornalismo e Convergência Midiática. Gosta de estar com a família, com os amigos e na igreja. A leitura e a escrita fazem parte do seu dia a dia e a ajudam a refletir sobre as mais diversas maneiras de enxergar o mundo.

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