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As quatro revoluções industriais: um panorama histórico

As quatro revoluções industriais: um panorama histórico

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Quais foram as descobertas responsáveis por impulsionar as revoluções industriais e mudar a vida das pessoas?

Por Juliana Borga

Nos tempos de escola, todo mundo estudou sobre as revoluções industriais. Ao pesquisar sobre esse tema, encontramos com facilidade informações sobre a primeira e a segunda revolução, mas o mesmo não ocorre em relação à terceira e à quarta. Por serem mais recentes, ainda estamos vivendo as transformações geradas por elas.

Cada revolução é marcada por grandes descobertas, que, além de impactarem o modo de produção dos bens de consumo, transformam a vida das pessoas e a maneira como nos relacionamos com o meio ambiente. Mas antes de falar sobre os desdobramentos das revoluções industriais, vamos nos concentrar nos motivos que moveram cada uma delas.

Aperte o cinto e embarque nesta viagem que tem o objetivo de apresentar um panorama histórico das quatro revoluções industriais!

Primeira Revolução: máquina a vapor

A Primeira Revolução Industrial, ocorrida em meados de 1765, teve como marco a mecanização dos processos, que nada mais é do que a invenção de máquinas para acelerar e substituir o trabalho humano.

máquina a vapor
Pexels/Pixabay

Os modelos agrícola e artesanal de produção deram lugar à introdução do modelo industrial existente até hoje. Fundamentados na extração de carvão como nova fonte de energia, foram iniciados os modos de produção em larga escala, com a utilização de máquinas a vapor e a invenção de novos sistemas de transporte, como as locomotivas. “A máquina a vapor modificou o metabolismo da produção e da vida econômica e por isso atingiu os fundamentos da vida social. Ela abriu novas perspectivas para a indústria têxtil, mas se espalhou por todos os setores: agricultura, comércio, logística e transporte”, explica o sociólogo, coordenador do Conservatório da Inovação do Instituto de Estudos Avançados e coordenador na área de Humanidades do Centro de Inteligência Artificial da USP (Universidade de São Paulo) Glauco Arbix.

Segunda Revolução: eletricidade

Após a Primeira Revolução Industrial, a tecnologia começou a se desenvolver em um ritmo acelerado. Com o surgimento da eletricidade e do petróleo como novas formas de energia (em meados de 1870), tem início a Segunda Revolução Industrial. “Agora, é a eletricidade que vai ser o suporte de todo tipo de invenção, ela é a tecnologia de propósito geral; sem ela, os outros inventos não existem”, acrescenta Glauco Arbix.

Eletrecidade
Pexels/Pok Rie

A utilização dessas novas energias e o desenvolvimento das indústrias químicas e do aço resultam na evolução e criação de novos inventos, como automóveis, telefones e rádios. Esses avanços foram possíveis graças ao desenvolvimento da indústria, baseado em grandes fábricas que recebiam apoio financeiro e político, além dos modelos de organização e produção industrial elaborados por Taylor e Ford, que estabelecem uma padronização em massa.

Terceira Revolução: computação

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os avanços tecnológicos levaram à descoberta da energia nuclear e, por volta de 1969, começa a Terceira Revolução Industrial, marcada pelo surgimento dos equipamentos eletrônicos, telecomunicações e computadores. “O surgimento dos semicondutores, que são o que popularmente conhecemos como chip, forma a base da indústria dos computadores. Várias tecnologias se fundem, mas é a computação que move a terceira revolução. O computador inicia uma nova era e passa a substituir de maneira intensa uma série de instrumentos e ferramentas, máquinas e equipamentos. Ele exige um novo tipo de trabalhador e marca mudanças que estamos vivendo ainda hoje”, afirma o sociólogo.

Os novos tipos de tecnologia possibilitam, também, a exploração espacial e pesquisas na área da biotecnologia, além da invenção dos robôs e de máquinas que operam de forma automática.

Quarta Revolução: inteligência artificial

A revolução que vivemos agora é conhecida como Indústria 4.0 e tem como principal característica a interconexão de todas as etapas da produção. Ela é baseada na digitalização das informações e na utilização dos dados para tornar a indústria mais eficiente, reduzindo falhas e aumentando a sustentabilidade, a eficiência e a lucratividade.

Inteligência Artificial
Pexels Jeremy Waterhouse

Há quem defenda que a terceira e a quarta revoluções estão juntas, pois os fundamentos dos computadores e da digitalização já fizeram parte da terceira revolução, mas distinguimos as duas porque, na quarta revolução, ocorre a integração dos sistemas. “A tecnologia que é a eletricidade dos tempos modernos chama-se: inteligência artificial. É ela que movimenta o que chamamos de quarta revolução. Ela permite a automação e a integração dos sistemas, que agora contam com grandes e organizados bancos de dados”, acrescenta Glauco Arbix.

A Quarta Revolução Industrial foi impulsionada a partir de 2010 e há perspectivas de que ela possa contribuir para a economia de energia e facilitar a utilização de fontes alternativas, colaborando para um futuro sustentável.

O sociólogo Glauco Arbix afirma que toda pesquisa sobre novas tecnologias deve colocar as pessoas em primeiro lugar.

O ser humano como figura central

Toda forma de organização e funcionamento da indústria tradicional está se transformando – desde a cadeia produtiva até a relação dos funcionários. A tendência desses novos ciclos é alterar a maneira como as pessoas trabalham, consomem, se relacionam e se comunicam. Os desdobramentos das revoluções industriais são enormes, mas esse é assunto para uma próxima matéria (não perca a continuação deste conteúdo!).

Para o professor Glauco Arbix, é fundamental ter as pessoas como figuras centrais da produção de tecnologia. “Esse é um foco permanente, sistemático e inegociável. As pesquisas que fazemos têm o ser humano no centro de nossas preocupações, isso significa que os nossos algoritmos e a maneira como a gente trabalha estão voltados para melhorar a vida das pessoas, e não dificultar. Queremos diminuir desigualdades, e não reproduzi-las, a intenção é combater a pobreza e melhorar o padrão de vida na sociedade. Em momentos de crise, a desigualdade fica mais evidente, e a tecnologia tem que servir para amenizar isso”, finaliza o sociólogo.

Juliana Borga é jornalista, três vezes vencedora do Prêmio Dom Hélder Câmara de Imprensa. É mãe coruja da Helena e adora escrever sobre temas que colaboram para um mundo mais humano e solidário. Instagram: @juborgajornalista

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