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Mulheres rendeiras, artesãs por tradição e amor - Revista Familia Cristã

Mulheres rendeiras, artesãs por
tradição e amor

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Por Simone Oliveira

Linha, agulha e lacê de algodão, um tipo de fitilho que une todos esses elementos num papel grosso apoiado em uma almofada e que vai traçando linhas em forma de arabescos, flores e folhas. Assim é a arte da renda renascença, que, com paciência, delicadeza e habilidade das mãos das artesãs, encanta pelos traços marcantes e entrelaces perfeitos. 

De origem italiana, esse artesanato milenar surgiu entre os séculos XV e XVI, nas vestimentas masculinas da realeza, desembarcando no Brasil através de religiosas europeias na região nordestina, em especial no agreste de Pernambuco, nas cidades de Poção e Pesqueira.  

Outro local de expansão e que se mantém vivo até hoje fica no Cariri paraibano, compreendido pelos municípios de Monteiro, Zabelê, Camalaú, São João do Tigre e São Sebastião do Umbuzeiro, conhecido como o circuito da renda renascença, com cerca de três mil rendeiras, além de um Centro de Referência da Renda Renascença, o Crença. Lá, o delicado artesanato é Patrimônio Imaterial do Estado, com destaque na passarela da São Paulo Fashion Week.

Foi no artesanato da renda renascença que a família Soares encontrou o tino comercial para se aproximar da arte, através da valorização dos artigos nos quais a renda é aplicada. Fátima Soares, natural de Pesqueira (PE), conhece bem esses entrelaçados de linhas e fitas desde a adolescência. “Aos 13 anos, comecei a dar os primeiros pontos e percebi o quão trabalhoso era fazer a renda renascença”, desabafa.

Nos anos 2000, uma fábrica têxtil foi instalada na cidade para a produção das peças criadas pelas rendeiras da região. “A minha irmã foi quem primeiro trabalhou na parte administrativa da empresa, e, logo em seguida, eu fui também”, comenta a aprendiz de artesã.

Renda renascença
“A beleza e a arte da renda me encanta. É fascinante ver como de uma linha saem peças inteiras”, diz Fátima Soares. Foto: Divulgação @msrendas

O tempo passou e a delicadeza da renda renascença a seguiu até o Recife, onde mantém um box na Casa da Cultura, centro do comércio de artesanato localizado na capital pernambucana. “A renda renascença, bem como outros tipos de artesanato, como os bordados, faz parte da minha loja, sendo essa minha principal fonte de renda”, acrescenta a comerciante.

Fátima até se arrisca em fazer alguns pontos, mas, com apreço, fala das artesãs. “Admiro a coragem das rendeiras, pois demora-se muito para fazer uma pequena peça e o valor pago pelo trabalho não condiz com o tamanho do amor e dedicação dessas mulheres”.

Mulheres rendeiras, com histórias de vida semelhantes, que trazem na linhagem feminina o conhecimento herdado desde a mais tenra idade. “Eu comecei aos 10 anos de idade, vendo a minha mãe e minhas tias fazendo a renda, e desde muito cedo foi-me dada a minha almofada”, diz Laurinete Luma de Paiva, também natural de Pesqueira, que tem no artesanato uma das fontes para pagar o pão de cada dia. “A renascença é um trabalho demorado e, a depender da peça, levam-se meses para a conclusão. O valor que recebemos é irrisório e não cobre nossas despesas”, completa a artesã.

Para essas rendeiras por vocação e tradição, o que resume todo o empenho em fazer a arte, e  bem-feita, por sinal,  é o retorno emocional que o ofício traz, “Adoro fazer renda… Gosto muito e me realizo com minha profissão”, diz Edjane Fernandes Barbosa, pesqueirense, que traz no olhar a satisfação de quem faz o que ama. 

Simone Oliveira é jornalista, radialista e assessora de Comunicação e Imprensa das maiores festas religiosas católicas de Pernambuco. Dentre as alegrias que a vida lhe traz, uma está em contemplar o mar junto de quem ama. O simples faz toda a diferença.

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