Já sou assinante!

Ainda não é assinante?

Identifique-se para ganhar mais 2 artigos por semana!

ou

ou Assine Já

Você constrói pontes ou ilhas em seus relacionamentos? - Revista Familia Cristã

Você constrói pontes ou ilhas em seus relacionamentos?

relacionamentos saudáveis
Daisy Anderson/Pexels.com

À medida que nos relacionamos, adquirimos mais competências e habilidades para lidar com as pessoas e construir relacionamentos saudáveis

Por Camila Cury

Relacionar-nos com filhos, parceiros e familiares é uma tarefa desafiadora. Construir pontes é o que nos ajuda nesse desafio constante, e, para isso, precisamos de um alicerce firme e sólido, que permita a abertura de janelas saudáveis na psique das pessoas que amamos.

Do contrário, quando não trabalhamos a comunicação de maneira assertiva e adequada, construímos ilhas psicológicas e sociais; influenciamos e somos influenciados pelo outro e pelo meio, e nossas atitudes construtivas ou destrutivas podem gerar reações significativas nos relacionamentos. 

Neste artigo, trago algumas reflexões sobre a importância de construirmos relacionamentos saudáveis. Vamos lá?

A atualidade e os desafios na comunicação

Frequentemente, somos projetados a explorar o mundo externo e pouco experienciamos o mundo interno, os nossos sentimentos, pensamentos e emoções. 

A globalização favoreceu o crescimento da humanidade em múltiplas áreas do conhecimento, da ciência e da tecnologia. Por meio de um único dispositivo eletrônico com acesso à internet, podemos conversar com pessoas de diferentes países, escrever as nossas ideias, pensamentos nas redes sociais, fazer pesquisas sobre os mais diversos temas. 

Muito diferente de quando era preciso ir às bibliotecas públicas, recorrer a grandiosas coleções de enciclopédias e escrever à mão as pesquisas.

Sim, a sociedade mudou e continua em constante transformação. Mas a evolução tecnológica não necessariamente aprimorou ou potencializou as relações humanas. Estamos mais perto e conectados virtualmente, porém nunca estivemos tão distantes emocionalmente.

Como você percebe as nossas relações hoje? Você possui conexões profundas ou superficiais com as pessoas ao seu redor? Quanto tempo você dedica para escutar seu filho?

A natureza humana se constitui em sociedade

Nascemos indivíduos pertencentes à espécie humana, mas necessitamos do contato, da sensação de pertencimento, do afeto, de amar, de ser amado e do diálogo, pois é na convivência com o outro e com o meio que nos tornamos seres humanos.

É a partir da interação com os nossos pais, familiares, amigos e com o meio em que estamos inseridos, como ambiente familiar e escolar, que desenvolvemos habilidades sociais, como autocontrole, civilidade, e competências socioemocionais, como empatia, autoconhecimento, tomada de decisão responsável e determinação.

À medida que nos relacionamos, adquirimos mais competências e habilidades para lidar com as pessoas. Viver é compartilhar e relacionar-se é adentrar em um mundo que não lhe pertence; é conquistar e permitir que o outro conquiste o seu território psíquico. Quanto você permite que outras pessoas o conheçam? Quanto você se conhece?

Construindo relacionamentos saudáveis

relacionamentos saudáveis
Ketut Subiyanto/Pexels.com

A complexa mente humana possui diversos mecanismos, dentre eles o fenômeno RAM (Registro Automático da Memória), que registra involuntariamente todas as nossas vivências e, de maneira privilegiada, aquelas com maior carga emocional. 

Logo, nossos filhos arquivam diariamente como nos comportamos, seja de forma saudável, com elogios e agradecimentos, ou não saudável, com broncas, punições, e a cada instante essas janelas constroem vínculos inconscientes que nos afastam ou nos aproximam das pessoas.

Bateu um frio na barriga, não é? Quando somos impulsivos, reativos e, por vezes, até agressivos com as palavras, não estamos construindo pontes, mas abrindo abismos, formando ilhas. Saiba que todas essas janelas não podem ser deletadas, mas podem ser reeditadas (respirou aliviado agora, certo?).

É necessário salientar que o ódio, a raiva e a angústia acarretam registros mais intensos e ocasionam rupturas profundas na personalidade de nossos filhos. 

No entanto, acalme-se, respire e entenda que errar faz parte da condição humana e não o torna um pai, uma mãe melhor ou pior, pois a chave para construir janelas light não é se ancorar em armadilhas mentais do “coitadismo”, do conformismo, mas sim reconhecer os erros, aprender a pedir desculpas e corrigir rotas, trabalhar a arte de escutar, compartilhar histórias e abrir o livro da sua vida para eles.

Filhos não precisam de super-heróis ou super-heroínas, mas sim de seres humanos. Sorria, brinque na chuva, erre, peça desculpas, surpreenda-os, faça um piquenique na sala de casa, fale de si e escute o que seu filho tem para dizer; compartilhe os momentos mais felizes e os mais tristes, cruze mundos emocionais com aqueles que você ama. Seja feliz!

Camila Cury é presidente e fundadora da Escola da Inteligência. Autora do livro A beleza está nos olhos de quem vê (Editora Sextante, 2010), vive a maternidade com seus filhos Alice e Augusto, e, em seu Instagram, inspira famílias que buscam conteúdo sobre educação dos filhos.

Artigos Recentes

Deixe seu comentário

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

error: Ação desabilitada