Já sou assinante!

Ainda não é assinante?

Identifique-se para ganhar mais 2 artigos por semana!

ou

ou Assine Já

A pessoa e seus relacionamentos - Revista Familia Cristã

A pessoa e seus relacionamentos

Relacionamentos familiares
Pexels.com/Mikhail Nilov

Vamos, ao longo do ano, aprimorar nossos relacionamentos familiares sob a ótica da fé cristã?

Por Carmen Maria Pulga

Início de ano. Temos um convite para nossos leitores: vamos juntos realizar uma série de encontros sobre o que consideramos o alicerce do Reino de Deus, os relacionamentos. Não existe Reino de Deus sem comunhão, e ele se constrói na dinâmica das relações.

Os encontros serão simples, breves, mas pontuais e práticos. Propomos trabalhar as relações humanas sob a ótica da fé cristã, com o intuito de aprimorar nossos relacionamentos familiares. Que tal? Gostou? Deixe um comentário sobre esta proposta.

1º Encontro

As relações humanas sob a ótica da fé cristã

Em um tempo de comunicação frenética, no qual o uso da internet está mudando nosso modo de pensar e as mídias sociais deixando as pessoas, senão alienadas, com a ilusão de que clicar é o mesmo que olhar nos olhos, abraçar, dar ouvidos, acolher com todo nosso ser, necessitamos, como nunca, de pessoas que se façam espaços, lugares humanos onde habita o melhor da humanidade: a centelha divina.

Fato da vida

Renato e Tatiane se conheceram pela internet. Trocaram ideais e sentimentos. Tudo se encaminhava para um namoro sólido, até marcarem o primeiro encontro em família. Quando Renato entrou nas relações dos familiares de sua pretendente, sentiu, ou melhor, surpreendeu-se com a afinidade que encontrou não com Tatiane, mas com sua irmã Flávia. Também com Flávia houve o relacionamento virtual, mas foi o encontro olho a olho, da aproximação física, de pele, que levou o novo casal a construir uma família. As relações com Tatiane e os familiares dela continuaram em perfeita harmonia, mas foi o encontro presencial que mudou o rumo da história.

Relacionamento
Pexels.com / Josh Willink
Você acha que há diferença nas relações presenciais e virtuais? Que características você atribui a cada uma?
Onde a fé entra nas relações, se a experiência do sobrenatural acontece no invisível?

Para refletir

Há quem afirme que a tecnologia está ameaçando dominar nossas vidas, tornando-nos seres humanos menos sociáveis, o que – sob certo sentido – não deixa de ser real. Mas, se admitirmos que toda técnica é apenas uma ferramenta, não temos mais desculpas. Os contatos interpessoais são de plena responsabilidade de cada ser humano. Nossos relacionamentos serão frios ou calorosos, egoístas ou generosos, competitivos ou altruístas a partir de nossas opções interiores, onde nascem nossos desejos. É o desejo que nos põe em movimento e cria vínculos familiares, afetivos ou comerciais.

Ele, o desejo, busca a modalidade de expressão que o leva ao melhor êxito em seu objetivo. Ao se tratar da experiência da fé, a dinâmica é a mesma. O próprio Jesus nos deu a chave de compreensão. “Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também teu coração” (cf. Mt 6,21).

Onde está o teu tesouro, o teu desejo? Não escutar nossos desejos mais profundos acarreta consequências também sobre os outros. Estar em harmonia consigo mesmo, escutar a voz interior, mesmo se esta voz tem exigências que nos dão medo, é bom para nós e para o próximo.

Escutar nosso desejo mais profundo é dar liberdade a Deus para atuar em nós, segundo seu projeto sobre nós. Não podemos ajustar Deus aos nossos esquemas, às nossas descobertas de progresso, como se pudéssemos domesticá-lo. Ele se propõe, não se impõe, e respeita nossa livre adesão.

Somente na liberdade pode nascer o encontro verdadeiro que aprimora as relações, sejam presenciais ou virtuais. Constatamos essa verdade em todas nossas opções. Sem liberdade o vínculo não resiste, o laço se rompe, a conexão não fecha. Este é um princípio primordial para o bom relacionamento: o respeito à liberdade do outro.

A Bíblia nos oferece inúmeros exemplos desta verdade. Vejamos, aqui, o episódio de aproximação de Deus e Moisés na “sarça ardente”: “Certo dia, Moisés estava cuidando do rebanho de seu sogro, Jetro, sacerdote de Midiã. Ele levou o rebanho para o deserto e chegou ao Sinai, o monte de Deus. Ali, o anjo do Senhor lhe apareceu no fogo que ardia no meio de um arbusto. Moisés olhou admirado, pois, embora o arbusto estivesse envolto em chamas, o fogo não o consumia. “Que coisa espantosa!”, pensou ele. “Por que o fogo não consome o arbusto? Preciso ver isso de perto.”

Quando o Senhor viu Moisés se aproximar para observar melhor, Deus o chamou do meio do arbusto: “Moisés! Moisés!”.

“Aqui estou!”, respondeu ele.

“Não se aproxime mais”, o Senhor advertiu. “Tire as sandálias, pois você está pisando em terra santa” (cf. Ex 3).

A aproximação de duas entidades cria um espaço sagrado, entramos no santuário interior do ser. É preciso deter-se, ir com cuidado. O que acontece no âmbito do ‘Eu’ é terra santa, exige que deixemos as sandálias, ou seja, nossas seguranças, nossos esquemas, para que o ‘outro’ se aproxime e possamos criar uma relação que nos acalore, nos direcione para o alto, sem nos consumir, sem nos domesticar.

Deixar-se questionar, desestabilizar-se, em vista de um conhecimento melhor, mais verdadeiro, do outro e de nós mesmos. Isto em todas as dimensões, e também no relacionamento com Deus, sobretudo no relacionamento com Deus. De fato, crer é arriscar, aproximar-se da sarça em fogo e expor-se às exigências de seu calor. Deixar-se purificar e abrir-se para que outros possam se aproximar e, na comunhão, produzir frutos de compaixão, de justiça, de solidariedade.

Para rezar

Nascemos do amor e o amor é o combustível da liberdade. Com amor e respeito à liberdade, vamos construir uma sociedade que seja sempre mais de acordo com o projeto de Deus.

Para viver

Ouça este refrão meditativo e reze com a família a oração que Jesus nos ensinou: o Pai-nosso. Rezem de mãos dadas para interiorizar a comunhão das relações que Deus nos propõe.

Carmem Maria Pulga é filósofa, teóloga, mestra em Novas Tecnologias da Comunicação e autora dos livros A pétala e O divino livro proibido, ambos publicados pela Paulinas Editora. Gosta de arte, desde a culinária até a sucata, e ama ler os autores mais ecléticos.

Artigos Recentes

Deixe seu comentário

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

error: Ação desabilitada