Já sou assinante!

Ainda não é assinante?

Identifique-se para ganhar mais 2 artigos por semana!

ou

ou Assine Já

Redes sociais sem prejuízo - Revista Familia Cristã

Redes sociais sem prejuízo

Artigos Recentes

Que atitudes os pais devem ter em relação ao comportamento dos filhos nas redes sociais?

Por Juliana Borga

Recentemente, uma mãe apagou as contas nas redes sociais da filha adolescente e justificou que os mais de dois milhões de seguidores estavam influenciando a jovem de forma negativa: “O carinho que vocês têm por ela é a coisa mais fofa, mas eu não acho saudável nem para um adulto e muito menos para uma adolescente basear referências de autoconhecimento em feedback virtual”, declarou.

O exemplo suscitou a questão da necessidade de pertencimento no mundo on-line versus os danos emocionais. Longe de demonizar a internet, mas como orientar os filhos a fazer uso dela sem prejuízos? Que atitudes os pais conscientes e cuidadosos devem ter em relação ao controle e acompanhamento do comportamento dos filhos nas redes sociais?

Minha identidade

A adolescência é uma época de grandes mudanças, é o período em que firmamos nossa construção de identidade. Por isso a necessidade de pertencer a grupos distintos e experimentar diversas formas de ser. “É o momento em que estamos totalmente voltados para o exterior, questionando as crenças e valores de nossas famílias e tentando construir nossas próprias referências; estamos nos diferenciando. É claro que todo esse processo é bastante complexo e nós não temos toda a maturidade necessária para entender o valor de muitas coisas que aprendemos dentro da nossa família”, explica a psicóloga e coordenadora do Núcleo de Família do Instituto Vita Alere, Mariana Filippini.

Redes sociais
Pexels.com/ArtemPodrez

Se esta sempre foi considerada uma “fase complicada” sem a internet, imagina agora que todos têm acesso a um mundo de informações na ponta dos dedos? A internet representa a porta de entrada para infinitas possibilidades de ser, conhecer e fazer, no entanto, muitas vezes ela também pode desencadear muito sofrimento, já que cada vez mais o conteúdo apresentado e entregue pelos algoritmos é superficial e vazio. Sem falar nas questões de exposição e do cyberbullying, que são ofensas, ameaças e ridicularizações que ocorrem entre crianças e adolescentes nas redes.

Existir na internet é, para muitos, sinônimo de ter milhares de seguidores, ter vídeos viralizados e ser reconhecido pela repetição precisa de danças, dublagens e demais trends do momento. “A crítica da mãe em questão está justamente na mecanização dessas relações e na superficialidade desse contato, que impede que os adolescentes – e também muitos adultos – se relacionem genuinamente e aprendam uns com os outros. É uma relação unilateral marcada apenas pelo consumo de um conteúdo vazio!”, acrescenta Mariana Filippini.

E quanto aos benefícios?

Trocas, diálogos e infinitas possibilidades de aprendizado. Fazer um uso consciente das redes implica em compreender os benefícios e prejuízos da rede social, além de uma reflexão sobre o impacto dos conteúdos consumidos na saúde mental e na autoestima, visto que estamos falando sobre um momento crucial de construção de identidade, daquilo que me define, que é minha marca e que determina como vou me relacionar comigo mesmo, com os outros e com a vida em geral.

Adolescentes não possuem capacidade emocional suficiente para fazer uma reflexão sobre o quanto as vidas perfeitas apresentadas na internet são inverossímeis. Cabe aos pais construir com eles esse processo, para que possam, juntos, entender o contexto e a realidade em que vivem. “É fundamental que os pais também auxiliem os filhos a compreender que privações existem e fazem parte da vida, que muitas vezes teremos vontades e desejos que fogem à nossa realidade socioeconômica, mas que isso não nos faz pessoas sem valor”, afirma a psicóloga.

Diálogo, presença e cuidado

Afinal, como os pais devem agir em relação ao controle e o acompanhamento do comportamento on-line dos filhos?

A psicóloga Mariana Filippini afirma que os pais precisam estar próximos dos seus filhos para acompanhar o que eles assistem. Foto: Arquivo Pessoal

Segundo Mariana Filippini, a primeira atitude é ter consciência da responsabilidade como figuras de cuidado. Outra questão é a presença neste processo de construção que ocorre na relação entre pais e filhos. “Esteja próximo de seu filho, conheça o universo dele, se informe sobre as questões que estão em voga no momento, tenha conta em redes sociais, assista aos canais e séries que ele assiste. Esteja atento ao que acontece para além das lições e trabalhos escolares”, orienta.

Confira mais três dicas valiosas:

• Todos sabem que o diálogo é uma ferramenta valiosa na educação dos filhos. Tenha interesse e converse sempre que for possível.

• Ouça sem julgamentos, não interrompa seu filho enquanto ele estiver falando, esteja sempre aberto para escutar.

• Estabeleça regras e limites claros que estejam de acordo com a faixa etária dele, seja transparente e exponha suas preocupações para que ele entenda sua visão de cuidado e carinho.

Juliana Borga é jornalista, três vezes vencedora do Prêmio Dom Hélder Câmara de Imprensa. É mãe coruja da Helena e adora escrever sobre temas que colaboram para um mundo mais humano e solidário. Instagram: @juborgajornalista

Deixe seu comentário

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

error: Ação desabilitada