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Projeto de vida dos jovens pós-pandemia - Revista Familia Cristã

Projeto de vida dos jovens pós-pandemia

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Os jovens diante do futuro incerto pós-pandemia

Por Fabíola Medeiros

A “incerteza do futuro” é o grande medo que assola a vida de milhares de pessoas, principalmente a dos jovens. A juventude muitas vezes é vista como a fase dos sonhos, das escolhas, das grandes decisões que podem refletir na construção do futuro.

Por outro lado, é também nesta fase que muitos jovens se sentem perdidos, sem perspectivas para o amanhã, pois lhes falta resposta diante das perguntas: O que vou fazer no futuro? O que serei? Qual deve ser minha colaboração na sociedade? Quais são os meus sonhos? Estou feliz da forma como me encontro ou, ao menos, estou fazendo algo para isso? Estes são alguns dos questionamentos que, em algum momento da vida, passam pela cabeça de um adolescente ou jovem, diante de um futuro desconhecido.

A incerteza do amanhã

No atual contexto em que vivemos, com a pandemia da Covid-19, estes questionamentos gerados pelo medo vêm assolando a vida de jovens de todas as partes, e não é para menos, pois, em poucos dias, com a chegada do coronavírus em nosso país, grande parte do nosso ritmo de vida mudou, sem que estivéssemos preparados, e, por conseguinte, isso mexeu também com o emocional de muitos adolescentes e jovens que faziam planos para um futuro próximo e que agora veem tudo parecer tão incerto no campo dos estudos, da vida profissional, dos sonhos.

A saturação do virtual

Além de toda essa incerteza, outro fator importante para ser levado em consideração é que, para muitos jovens, os meses de isolamento social foram marcados por um intenso uso da internet e das redes sociais, com todas as possibilidades ambivalentes que estas contêm.

Durante este tempo, a tecnologia se fez presente na vida das pessoas, “suprindo” a falta daquilo que não era possível ter ou fazer de forma presencial. Observou-se isso principalmente no âmbito da educação, de várias áreas do trabalho remunerado, das relações humanas, no campo do entretenimento e em tantos outros aspectos da vida.

Por outro lado, escutou-se jovens dizerem que estavam “saturados” da internet, que já não aguentavam aulas remotas, palestras, cursos, encontros, conversas, tudo a distância. O que isso significa? Acredita-se que esta fala da “saturação virtual” tem algo a nos dizer: a necessidade do presencial (sujeito) nunca será substituída por outro instrumento de mediação (objeto).

Inzmam Khan – Pexels

Depressão juvenil em tempos de pandemia

Dentro deste contexto, é possível observar que frequentemente os noticiários mostram o elevado número de pessoas que desenvolveram algum tipo de doença de cunho emocional neste tempo de isolamento social. O período de confinamento, dentro de nossas casas, a solidão, a distância dos relacionamentos presenciais e a saudade daqueles que perdemos e não tivemos a possibilidade de nos despedirmos, provocaram em muitas pessoas a perda do sentido da vida e também o medo de perder a própria vida.

Esses elementos emocionais afetam muitas pessoas neste tempo de pandemia, mas, diante disso, vale nos perguntarmos: Como cuidar das feridas do ser: aquelas feridas que não são vistas, mas sentidas, que nem sempre se sabe o nome, mas que geram um grande vazio?

Buscar novos caminhos

De acordo com a filósofa italiana Luigina Mortari, um dos modos de cuidar dessas feridas é buscar ajuda através da terapia, e não apenas da psicoterapia, mas de tudo aquilo que pode ser vivenciado no dia a dia como uma terapia do cuidado, pois “a terapia é o cuidado destinado a aliviar o sofrimento”, e essa terapia do cuidado precisa ser desenvolvida não só pela pessoa que está precisando de ajuda (pois nem sempre tem força de iniciativa), mas por todos que convivem com essa pessoa, ajudando-a, assim, a reencontrar um novo sentido a sua existência em meio à pandemia.

Assim como a “alma sente a necessidade de procurar um centro vivente para caminhar no tempo com alegria, cuidar do sentido da nossa existência é fazer dela uma unidade viva” (MORTARI, p. 23, 2018).

Por isso, cabe àqueles que convivem com jovens ou pessoas que se sentem angustiados com relação às incertezas do futuro, ajudarem a que ocupem bem o tempo com atividades que possam ser realizadas neste tempo de pandemia, como, por exemplo, fazer uma boa leitura durante o dia, exercícios físicos, trabalhos manuais, cursos a distância, ouvir uma boa música, buscar aprender coisas novas, e, principalmente, dialogar com pessoas que ajudem a deixar para trás os pensamentos pessimistas.

Para isso, é importante buscar acompanhamento com um profissional ou alguém que transmita confiança e maturidade, para auxiliar a encontrar luz nos momentos de escuridão e para levar essas pessoas a valorizarem mais a vida em todas as suas instâncias.

Desta forma, a angustiante expectativa em relação ao futuro incerto pós-pandemia dará lugar a um belo trabalho de gestão emocional, levando qualidade de vida para os jovens e ajudando-os a fazer boas escolhas no momento presente, para que, quando tudo isso passar, possam colher os frutos do aprendizado que este tempo de “deserto” trouxe.

Fabíola Medeiros é irmã paulina, filósofa e orientadora vocacional. Gosta de escutar Deus e as pessoas, naquilo que lhe revelam ante as surpresas da vida. Ama viajar e aprender coisas novas.

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