Já sou assinante!

Ainda não é assinante?

Identifique-se para ganhar mais 2 artigos por semana!

ou

ou Assine Já

A “pedagogia” do presépio - Revista Familia Cristã

A “pedagogia” do presépio

Presépio
Anncapictures

Na representatividade do presépio, identificamos algumas dimensões educativas que proporcionam verdadeiros aprendizados

Por Amaro França

Ao chegarmos a dezembro, comumente, nos imbuímos de todo um clima de culminância do ano que vivemos. É momento de analisar a vida, celebrar, confraternizar e trocar presentes. É o tempo de Natal e, logo, o tempo do Réveillon, que dá início a um novo ciclo. É bem verdade que um bom número de pessoas, muitas vezes, tem adotado em suas vidas um ritmo alucinante, em que as vivências são “atropeladas” pela “antecipação das celebrações”, ou do tempo destinado a esse fim. Principalmente, momentos ditados pelo mercado, no intuito de se vender e consumir mais. Dessa forma, infelizmente, vamos atropelando os nossos ritmos e ritos.

Neste momento, desejo-lhe fazer um convite… Busque parar alguns instantes e, em sua memória, encontre a imagem de um presépio natalino. Não importa o tamanho ou a composição do presépio, mas sim a cena do Natal de Jesus – mistério de amor.

Ao longo da caminhada de fé do povo de Israel, identificamos nas Sagradas Escrituras que, pedagogicamente, o Senhor foi falando ao seu povo, revelando a sua vontade através dos reis, dos profetas e de tantos sinais – buscando renovar sempre uma aliança de amor.

Deus envia seu próprio Filho, Jesus, para mostrar em definitivo seu amor e o caminho que conduzirá o povo até o próprio Deus. Contemplando este mistério, nos deparamos com a narrativa do Evangelho sobre o nascimento de Jesus, na cidade de Belém da Judeia.

Primeiro presépio

A cena (retratada no presépio) foi montada pela primeira vez por São Francisco de Assis e se expandiu pela tradição cristã como expressão de fé na vivência do tempo de liturgia natalina. Na representatividade do presépio, podemos identificar algumas dimensões pedagogicamente educativas, que nos proporcionaram verdadeiros aprendizados.

Menino Jesus

– Deus ama tanto seu povo que se faz presente na singeleza do nascimento de uma criança, o Emanuel – que significa “Deus conosco” –, Jesus, o Salvador. O ato de educar deve ser permeado de amor pleno; do conhecimento adquirido, descemos à simplicidade da construção daqueles que o buscam, elevando, assim, seu crescimento humano. Educar é, por conseguinte, um ato de amor, de abnegação e de mistério que edifica.

Maria e José

– Os pais da criança (Maria e José) proveem suas necessidades, mesmo que não compreendam tudo que cerca o bebê na manjedoura ou em seus braços. Por conseguinte, educar pressupõe a essência do cuidado e do provimento. É um gesto de doação – manifestado na concretude do afeto e de tudo o que se faz necessário para proteger e dar o melhor àquele que depende inteiramente de outros responsáveis por sua vida. “A educação precisa ter marcas de testemunho profético, sendo ousada e aberta à utopia” (Campanha da Fraternidade 2022).

Animais e os pastores

– Na cena marcada pela simplicidade do estábulo de Belém, estão os animais e os pastores que se encontravam nas proximidades do local do nascimento. Todos os integrantes da cena nos “conclamam” a um olhar de dimensão educativa: perceber a integração e a necessidade que temos de construir diuturnamente a harmonia com todos os seres que habitam este planeta, um verdadeiro cuidado com a nossa casa comum. Dessa forma: “É preciso construir caminhos educacionais em uma perspectiva de ecologia humana, que tenham como ponto de partida a diversidade, e de uma fala-ação que construa sistemas capazes de promover o bem viver em uma perspectiva de humanismo solidário” (Campanha da Fraternidade 2022).

Reis Magos

– Guiados pela estrela, os sábios do Oriente vão à busca do Rei que nasceu para lhes ofertar seus significativos presentes: ouro, incenso e mirra. Em uma rápida leitura teológico-educativa, podemos afirmar que o ouro era um presente destinado ao rei e o incenso, ao sacerdote – representando a espiritualidade. Já a mirra, destinada ao profeta – comumente usada para embalsamar corpos – simbolicamente representava a dimensão de imortalidade da criança recém-nascida.

Reis magos
Pixabay / Congerdesign

Podemos afirmar, sob um prisma educativo, que a ação de ir ao encontro de alguém, guiado pelos ideais que nos movem, dando o melhor do que somos e do que temos para que o outro desenvolva, é, antes de tudo, acreditar que o papel da educação é fomentar a potencialidade de cada pessoa, para que esta alcance o máximo de si. Em um dizer de Goethe: “Esperar de alguém mais do que ele é capaz de dar é ajudá-lo a crescer; esperar apenas o que ele pode efetivamente fazer é diminuí-lo”.

Os anjos

E, culminando com a composição do presépio, as vozes celestiais dos anjos que cantavam: “Glória a Deus nas alturas, e paz aos homens de boa vontade” (Lc 2,14). Retrata, assim, o papel fundamental de todo processo educativo: o desenvolvimento pessoal e ao mesmo tempo o desenvolvimento de toda a humanidade; pois, de certa maneira, não se pode existir outro fim – é como se a nossa essência nos levasse a um “destino universal”, ou seja, o bem em plenitude. Dessa forma, convido-o(a) a fazer essa experiência pedagógica: “montar” o presépio em seu coração de educador, deixando-se ser inundado(a) pelo nascimento daquele que é a “Luz de todos as nações”.

Feliz e abençoado Natal!

Amaro França é escritor, palestrante e gestor educacional, autor do livro Gestão humanizada: liderança e resultados organizacionais e Educação em pauta, da Editora Paulinas. Apaixonado pela educação, gosta de escrever, tendo como propósito impactar positivamente as pessoas com suas ideias, liderança e trabalho.

Artigos Recentes

Deixe seu comentário

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

error: Ação desabilitada