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Preocupação com a biodiversidade marinha inspira projeto no Rio Grande do Norte

Preocupação com a biodiversidade marinha inspira projeto no Rio Grande do Norte

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Com 23 anos de atuação, o Projeto Cetáceos da Costa Branca desenvolve importante trabalho de monitoramento, resgate e proteção de animais marinhos

Por Vitória Élida

Promover a pesquisa e a conservação de espécies e ecossistemas marinhos, costeiros e estuários, integrando conhecimento científico e tradicional, é a missão do Projeto Cetáceos da Costa Branca, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (PCCB-UERN). O projeto é fruto da preocupação de professores e estudantes da UERN com a biodiversidade marinha, sua conversação e monitoramento. Contando com o apoio de moradores da cidade de Areia Branca (RN), o PCCB foi criado em 1998, ano em que foram realizadas expedições para a região, a fim de se adquirir conhecimento sobre a biodiversidade marinha e a riqueza ambiental da região de Costa Branca. 

Com a presença da equipe de pesquisadores na região, os moradores e pescadores das comunidades locais passaram a relatar a ocorrência de encalhes de animais marinhos vivos e mortos nas praias. Foi assim que o projeto começou a atuar em ações de resgate e atendimento de baleias e golfinhos encalhados na região.

Ao longo dos anos, as demandas foram aumentando devido a diversas observações feitas na região, como, por exemplo, o aumento no número de peixes-boi marinhos encalhados vivos na área. Sendo assim, o PCCB-UERN se especializou no atendimento de encalhes desses animais, bem como de outros grupos taxonômicos, como tartarugas e aves marinhas encontradas debilitadas nas praias da região. Além disso, membros do projeto participaram da elaboração de protocolos de condutas de resgate e manejo de animais marinhos, como os peixes-boi. 

O PCCB-UERN, através de Projetos de Monitoramentos de Praia (PMP’s), cobre diariamente cerca de 437 km de costa entre as cidades de Rio do Fogo (RN) e Aquiraz (CE). 

Ações do PCCB

Desde 1998, o monitoramento ambiental realizado nas praias da Bacia Potiguar (RN/CE) possibilita o registro de encalhes de tartarugas, aves e mamíferos marinhos, além do registro de atividades reprodutivas de tartarugas marinhas. De acordo com os responsáveis pelo projeto, a partir do registro dos encalhes é possível realizar o resgate dos animais vivos e, assim, encaminhá-los para a reabilitação. É importante frisar que o processo de resgate é realizado de acordo com protocolos determinados nacionalmente.

Após o resgate, esses animais são encaminhados a um dos centros de reabilitação ou estabilização, onde recebem cuidados veterinários. Se forem considerados aptos à reintrodução na natureza, a soltura é então realizada. 

O PCCB-UERN realiza também atividades de capacitação técnica básica a diferentes setores, participa de ações de extensão universitária, realiza oficinas e palestras de sensibilização ambiental, além de campanhas educativas e elaboração de materiais informativos e educativos.

Projetos e ações desenvolvidas 

O PCCB-UERN participa de maneira ativa na elaboração e execução de políticas públicas para a conservação da biodiversidade de ambientes costeiros no âmbito regional, nacional e internacional. Os membros do projeto participam da elaboração de protocolos de resgate e manejo de animais marinhos, de Planos de Ações Nacionais para a Conservação de Espécies Ameaçadas, da avaliação de espécies ameaçadas no Brasil e de outras estratégias conduzidas por órgãos ambientais nacionais.

O Projeto é ainda fundador da Rede de Encalhes de Mamíferos Aquáticos do Nordeste (REMANE), da Rede de Encalhes e Informação de Mamíferos Aquáticos do Brasil (REMAB) e da Rede de Conservação de Tartarugas Marinhas do Nordeste (RETAMANE). O PCCB-UERN realiza ainda importantes projetos de condicionantes ambientais vinculados ao licenciamento ambiental federal, exigido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), voltados às atividades desenvolvidas pela Petrobrás na Bacia Potiguar. Tais ações incluem monitoramento da bacia, das embarcações, plano de proteção à fauna em incidente com vazamento de óleo, monitoramento de impactos de plataformas e embarcações sobre a avifauna, entre outras.  

Diante da realidade enfrentada pelo meio ambiente nos últimos anos, ações como as desenvolvidas pelo PCCB-UERN são de grande importância à conservação da biodiversidade marinha. A conservação e o uso sustentável dos oceanos, mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável são alguns dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável definidos em 2015. Estimativas demonstram que até 2025 os oceanos estarão até três vezes mais poluídos com plásticos e microplásticos. Com efeito, a poluição dos oceanos e mares é um problema gravíssimo que assola todo o mundo. Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), 8 milhões de toneladas de plástico são lançadas anualmente nos oceanos, formando cerca de 80% de todos os rejeitos lançados nos mares. O Fórum Econômico Mundial acredita que, em 2050, os mares e oceanos terão mais plásticos do que peixes.

Biodiversidade marinha
Foto: Acervo Projeto Cetáceos da Costa Branca – UERN

O coordenador-geral do Projeto Cetáceos da Costa Branca (UERN), Flávio José Lima, afirma que 6% das ocorrências de encalhe ou morte de tartarugas marinhas tiveram como causa a ingestão de resíduos sólidos. De acordo com um relatório da ONG (Organização Não Governamental) Oceana, que estuda a quantidade de poluição nos oceanos em todo o mundo, 85% dos animais que ingeriram lixo nos mares são espécies com risco de extinção.

Diante dessa realidade, faz-se urgente mais apoio a projetos como o PCCB, visto que o cuidado e a preocupação com a conservação da biodiversidade são o foco do projeto. Perante uma sociedade cada dia mais consumista, em que o rastro de destruição ambiental não para de crescer, o aprofundamento e o conhecimento acerca desse projeto são necessários à população, para que a sensibilização sobre a manutenção da biodiversidade seja valorizada, visto que se torna garantia para a existência da vida humana na Terra. Para conhecer mais sobre o projeto, acesse: https://www.pccbuern.org/.

Vitória Élida é bióloga, pedagoga e jornalista. Atua na área de educação, mas dedica parte de seu tempo a escrever sobre temas referentes a meio ambiente, educação, juventude e Igreja. Encontra nos seus textos uma forma de estar em maior conexão com o mundo e consigo mesma.

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