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O protagonismo dos jovens na ciência - Revista Familia Cristã

O protagonismo dos jovens na ciência

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Conheça a história de dois jovens cientistas da atualidade que utilizam resíduos agrícolas em suas pesquisas

Por Roseane Welter

No Brasil, a pesquisa científica ainda carece de apoio e incentivo. Em Mossoró (RN) e em Juazeiro do Norte (CE), dois jovens cientistas são destaque em âmbito nacional e internacional, por meio de suas pesquisas de reaproveitamento de resíduos agrícolas.

Cateter bioativo

cateter bioativo
Ekarinny Myrela Brito De Medeiros em uma feira de ciências. Foto: Arquivo Pessoal

Ekarinny Myrela Brito De Medeiros, de 21 anos, é uma jovem cientista, natural de Mossoró (RN). Ela desenvolveu um cateter bioativo feito a partir do reaproveitamento da castanha de caju, como alternativa na prevenção de infecção sistêmica.

Aproximadamente 100 mil pessoas morrem anualmente em decorrência de infecções ocasionadas por cateter e, em 2016, a tia da jovem entrou para essa triste estatística. A partir daí, ela decidiu investir na ciência para ajudar as pessoas que dependessem do procedimento. “A partir da perda comecei a pesquisar sobre infecções e descobri que não existia um cateter com propriedades antimicrobianas. Daí surgiu a ideia de desenvolver um cateter a partir do reaproveitamento do líquido da castanha de caju, capaz de prevenir infecção de corrente sanguínea”, diz a jovem, ressaltando que o líquido da castanha de caju é um resíduo agroindustrial que costuma ser descartado.

Reconhecimento científico

Cateter
Cateter bioativo feito a partir do reaproveitamento da castanha de caju. Foto: Arquivo Pessoal

Após um ano de pesquisas, o cateter se tornou realidade e o experimento da Ekarinny já coleciona 45 premiações, entre elas, em 2019, na Feira Internacional de Ciência e Engenharia Intel ISEF, ocorrida nos Estados Unidos: um primeiro lugar na categoria Patent and Trademark Office Society e um quarto lugar em Translational Medical Science.

A jovem desenvolveu sua pesquisa no quintal de casa, onde montou seu laboratório, uma vez que na escola que estudava, na periferia de Mossoró, não havia laboratório.

“Meu sonho é patentear minha invenção, já que o cateter bioativo pode ser produzido em larga escala e comercializado com baixo custo e com o aproveitamento de um resíduo industrial brasileiro”, explica.

Novos projetos

Atualmente, ela é graduanda de Biomedicina. “Descobri que poderia ser uma cientista, mesmo estudando em uma escola pública, sem laboratório, e que poderia mudar o mundo com uma boa ideia”, destaca.

A jovem é voluntária no programa Ciência para Todos e possui experiência na produção de polímeros biodegradáveis. “Além do cateter desenvolvi outros dois projetos científicos: a Embacaju, embalagem biodegradável produzida a partir do reaproveitamento da folha do caju; e a Cashew Bottle, garrafa biodegradável produzida a partir do reaproveitamento de resíduos do cajueiro”, detalha.

Biopesticida sustentável

João Matheus Balduíno Soares, de 20 anos, é natural de Juazeiro do Norte (CE), concluiu o ensino médio no ano passado, está cursando Relações Internacionais, e é um apaixonado pelas ciências humanas e sociais.

Desde 2019, o jovem vem estudando fórmulas para produzir uma substância que seja eficaz no combate às formigas cortadeiras (Atta Laevigata) em plantações, sem agredir o meio ambiente.

Criou a partir do pequi – fruto típico do cerrado, abundante na região do Cariri e uma das fontes de renda de muitas famílias – o projeto Biopequi, que contempla o pesticida produzido a partir do reaproveitamento dos restos de pequi (Caryocar Coriaceum).

Preservar o meio ambiente

“O projeto surgiu como uma possibilidade de reaproveitar a casca do pequi que é descartada. O meio ambiente pede socorro; o aquecimento global e a destruição do meio ambiente são problemas que necessitam de soluções urgentes”, afirma o jovem cientista.

Ele reforça ainda que “o uso de agrotóxicos/pesticidas químicos nas plantações acarreta inúmeros prejuízos ao meio ambiente, ao solo, e até mesmo à própria planta que recebe essa solução”.

Outra realidade enfrentada, sobretudo pelos pequenos agricultores, é das “formigas cortadeiras, que destroem toda a plantação, em pouco tempo. Logo, juntando essas duas problemáticas, decidimos fazer o biopesticida”, conta o pesquisador. Segundo ele, o pesticida tem por objetivo “combater a ação das formigas cortadeiras nas plantações de uma forma natural e que não prejudique o meio ambiente”.

Ampliar o projeto além-fronteiras

“Queremos produzir a substância em massa e distribuí-la gratuitamente aos pequenos agricultores, que têm na lavoura sua fonte de renda. O nosso projeto é barato e de fácil produção”, explica João Matheus.

Ele recebeu várias premiações nacionais e internacionais pela pesquisa, que continua em fase de desenvolvimento e aprimoramento. A princípio, o projeto visa os agricultores do Cariri, mas seu sonho é ampliar fronteiras e beneficiar agricultores de todo o país. “Fazer projeto científico não é fácil; é algo que requer muito estudo, muita dedicação, compromisso e força de vontade”, conclui.

 Santos na ciência

 Ao longo da história da Igreja Católica, homens e mulheres, entre eles jovens, se destacaram no campo científico, como é o caso do servo de Deus Guido Schäffer e do beato Francisco de Paula Castelló Y Aleu. Ambos jovens que deixaram um legado que demonstra o quanto a fé e a ciência caminham juntas, se colocadas a serviço do bem comum.

 Guido Schäffer (1974 – 2009), brasileiro do Rio de Janeiro (RJ), foi um jovem médico que amava surfar e que colocava a medicina a serviço dos pobres, no atendimento sem discriminação.
 
Francisco de Paula Castelló y Aleu (1914 – 1936), espanhol, foi engenheiro químico e, nas horas vagas, dava aulas gratuitas de matemática, física e química para os trabalhadores que queriam se aperfeiçoar profissionalmente. É considerado o padroeiro dos catequistas e dos profissionais químicos.

 São Alberto Magno, bispo e doutor da Igreja, é considerado o padroeiro dos cientistas. Chamado de “verdadeiro gênio enciclopédico”, transitou em várias vertentes do conhecimento e conviveu em perfeita harmonia entre as razões da ciência e da fé. 

Roseane Welter é jornalista, produtora de Rádio e TV. Graduada em Filosofia e licenciada em História. Apaixonada pela vida, gosta de música, de viajar, de escrever boas histórias inspiradas no cotidiano e de iniciativas que impactam o próximo.

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