Já sou assinante!

Ainda não é assinante?

Identifique-se para ganhar mais 2 artigos por semana!

ou

ou Assine Já

Permacultura: a favor da permanência no planeta - Revista Familia Cristã

Permacultura: a favor da permanência no planeta

Artigos Recentes

Permacultura indica caminhos e soluções para a sustentabilidade, por meio da integração com a natureza e da mudança de hábitos

Por Carla Ferreira

Um mundo onde todos vivem em equilíbrio com o ambiente em que residem, respeitando a natureza e o ser humano, sem excessos ou desperdícios. Onde se produz o necessário para a sobrevivência, aproveitando os conhecimentos, dos mais tradicionais e populares aos mais modernos, reaproveitando materiais e preservando o solo para a produtividade.

Como nasceu a permacultura 

Permacultura
Divulgação @canteiroscoletivos

O pensamento externado no parágrafo acima, que parece ilusório ou até que se refere a um mundo “imaginário”, foi idealizado por dois pesquisadores australianos na década de 1970: Bill Mollison e David Holmgren. Eles criaram a Permacultura, uma metodologia voltada para a sustentabilidade, por meio de um processo integrado e sistêmico entre os elementos da natureza e o homem. 

O conceito traz parâmetros bem delineados e é classificado como “ciência holística”, já existindo no país cursos de pós-graduação e extensão em universidades de Santa Catarina, Pernambuco e Bahia. Mollison e Holmgren definiram três éticas para o método: cuidar da Terra, cuidar das pessoas e partilha justa.

Conforme explicou a gestora ambiental e pequena agricultora Luciana Sarno, a Permacultura surgiu no seio dos movimentos libertários e humanistas, sustentada pela ideologia do planejamento baseado em pétalas. As pétalas, citadas por Luciana, são soluções que aparecem em mapas, desenhos em espiral, que as definem e indicam uma ideia de ciclo da evolução, como se estivessem prenunciando uma “saída” para o futuro da humanidade. 

Dessa mesma forma os princípios são descritos e, junto com as éticas, constroem os campos de domínio da Permacultura, abrangendo do nível pessoal e local, ao coletivo e global. São frutos de mais de vinte anos de estudos e pesquisas por seus criadores. 

Assim, é possível identificar neles práticas que vieram à tona em decorrência da crise ambiental que se vive e do desequilíbrio ecológico emergente, a exemplo do descarte responsável, reaproveitamento do solo, reúso de materiais, reciclagem, agroecologia, economia solidária, o “cuidado com a casa comum”, que foi tema da Campanha da Fraternidade de 2016 e inspirou a Carta Encíclica do Papa Francisco Laudato si’, em 2015.

“A espiritualidade integrada com a natureza é um ingrediente importante da Permacultura”, acrescenta Luciana Sarno, lembrando os ensinamentos da “casa comum”.

Mudança de vida e de hábitos

Conforme explicou Luciana Sarno, a Permacultura não é fácil de ser inserida no cotidiano das pessoas, mas é possível ver exemplos de homens e mulheres que andam na contramão e optam por uma vida mais simples, além de projetos voltados para a disseminação de suas práticas. 

“Tem de se propor a uma mudança no estilo de vida e diminuir nossa presença (do homem) no meio”, explica Luciana, dizendo que hábitos são mais predominantes na classe média, apesar de já haver “movimentos e projetos voltados para disseminá-la nas periferias, como o Ecofavela, no Rio de Janeiro”.

Depois que começou a pandemia, a gestora ambiental se mudou de Salvador, capital da Bahia, para Ibicoara, região da Chapada Diamantina, onde pôde ampliar hábitos que já vinha adotando quando residia na cidade. Luciana tem um minhocário, uma horta de onde retira seu alimento, utiliza placa solar e compoteira, que dispensa o uso da água no recolhimento de dejetos. “Não compro mais roupas. Troco… uma troca não monetizada. Aqui tenho uma boa Internet e posso me comunicar, ficar informada”, explica, mostrando que o dinheiro não tem tanto peso para sua sobrevivência. 

Exemplos de outras pessoas são possíveis de ser vistos, como o da sueca Marsha Hanzi, que encontrou no povoado de Marizá, em Tucano, sertão baiano, um local para disseminar a Permacultura e, conforme ela mesma cita em publicações na imprensa, “uma forma de manter a permanência da raça humana no planeta”.

Marsha adquiriu uma propriedade agrícola árida e aplicou conceitos da agricultura regenerativa. Os resultados fazem hoje de seu sítio, os “Jardins Marizá”, uma referência mundial na Permacultura, recebendo visitantes, estudantes, curiosos e interessados no tema e no sucesso da aplicação do conceito.

Permacultura urbana 

Em zona urbana também é possível encontrar projetos que disseminam a Permacultura. A jornalista Débora Didonê, quando chegou a Salvador, há onze anos, se incomodou com a quantidade de terrenos, que deveriam ser áreas verdes, acumulando irregularmente lixo e entulho proveniente de edifícios.

“Nasceu em mim a vontade de tentar reverter esse quadro e comecei a cuidar de um terreno abandonado próximo à minha casa, onde funciona a sede de uma faculdade”, conta Débora, que relata que sua iniciativa ganhou adeptos, formando um grupo de voluntários e dando origem ao projeto Canteiros Coletivos, o qual ela fundou em 2012, um ano depois.

As ações foram se multiplicando e o grupo começou a plantar no espaço público, com o que ela denomina de “gestão cidadã do espaço público”. As ações do projeto foram se ampliando e já atingiram nove bairros de Salvador; nos últimos anos, chegaram a 18 escolas de Salvador, com uma nova frente, o “Escola Verde com afeto”, um projeto de lei popular que já vem sendo aplicado em algumas instituições públicas. 

“O objetivo é transformar os espaços das fachadas das escolas, que antes eram depósito de lixo, em jardins, afastando os lixões e organizando a coleta”, explica Débora, dizendo que o Canteiros Coletivos, que inclui oficinas com os estudantes, foi um dos projetos brasileiros escolhidos pela ONU como prática de sustentabilidade. Será apresentado na próxima conferência, em julho, em Nova York, para lideranças de todo o mundo, por atender aos objetivos do desenvolvimento sustentável sobre educação de qualidade, saúde e bem-estar e combate às mudanças climáticas.

Conheça os princípios da Permacultura 

● Use a diversidade;

Permacultura
David Holmgren, em “Permacultura Princípios & Caminhos Além da Sustentabilidade

● Use e valorize os serviços e recursos renováveis;

● Integre ao invés de segregar;

● Capte e armazene energia;

● Obtenha rendimento;

● Observe e interaja;

● Pratique a autorregulação e aceite feedback;

● Não produza desperdícios;

Design partindo de padrões para chegar aos detalhes;

● Use soluções pequenas e lentas;

● Use as bordas e valorize os elementos marginais;

● Use criativamente e responda às mudanças.

Carla Ferreira é jornalista e empresária, proprietária da Cannal de Ideias. Atua com Comunicação Católica, mas sua atividade principal é ser mãe de dois meninos, de 10 e 8 anos. É catequista, além de membro do Movimento Escalada e do grupo Oração pela Arte. Gosta de cinema, de dançar e de escrever!

Deixe seu comentário

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

error: Ação desabilitada