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A praga dos PDFs - Revista Familia Cristã

A praga dos PDFs

PDFs
Pexels/Janko Ferlic

O ato de pirataria não apenas destrói os direitos autorais como também é uma apropriação indébita do trabalho de toda a cadeia do livro

Por Leo Cunha

A peste que assolou o planeta em 2020 e 2021 agravou outra praga, que já circulava entre nós: a dos PDFs. O fechamento temporário das livrarias físicas, bibliotecas e escolas, além da própria dificuldade de sair de casa, serviu como desculpa perfeita para o compartilhamento desenfreado – e, deixemos claro, ilegal – de cópias em PDF de obras para crianças, jovens e adultos.

Não há como negar, caro leitor ou leitora, que é tentador pegar o arquivo PDF de um livro que está dando sopa na internet. Afinal de contas, basta clicar em um botão e trazer para dentro de sua casa um romance, uma biografia, uma antologia de crônica ou poesia, uma obra de literatura infantil. Parece que não faremos mal nenhum, nem a ninguém. Pensando assim, pessoas que jamais roubariam uma laranja na feira – mesmo que a fruta estivesse dando sopa no balcão, sem ninguém a vigiar – não se acanham em fazer o mesmo com relação ao PDF de um livro.

PDFs e seus malefícios

Porém, por mais que seja cômodo – e aparentemente inofensivo – acessar e distribuir PDFs não autorizados, o leitor consciente deveria evitar esse acesso e, de preferência, denunciar o site ou link que dá acesso ao material.

Pirataria
Pexels / Jopwell

Em curtíssimo prazo – e no Brasil parece que só pensamos assim –, o PDF pode parecer uma boa alternativa. Afinal, ele traz as obras de imediato às nossas telas. Porém, a médio e longo prazo ele vai ferir de morte a literatura. Sem ser remuneradas por seu trabalho, as editoras vão diminuir ou paralisar suas publicações, as livrarias vão vender cada vez menos exemplares e eventualmente irão fechar as portas. Em consequência, muita gente vai simplesmente perder seu salário, seu ganha-pão: escritores, ilustradores, editores, tradutores, revisores, designers, agentes literários, divulgadores, entre outros tantos.

O ato de pirataria destrói não apenas os direitos autorais (os 8 a 10% do preço de capa que são destinados aos autores) como também os outros 90% que compõem o preço do livro, ou seja, a parcela que se destina à editora, à distribuidora, à livraria e a todos os que trabalham nesses locais. É uma apropriação indébita do trabalho de toda a cadeia do livro.

“Democratizar” o acesso à leitura

“Calma lá!”, dirão alguns. Não é importante “democratizar” o acesso à leitura, contribuir para criar um país mais leitor? Mas será que distribuir PDFs não autorizados – sobretudo de obras literárias – tem a capacidade de fazer isso? Quem está genuinamente interessado em democratizar o acesso à leitura tem alternativas muito mais efetivas. Deve lutar, por exemplo, pela ampliação e renovação dos acervos das bibliotecas públicas e escolares, pela manutenção e expansão dos programas públicos de aquisição de obras literárias, não apenas os federais – PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola), PNAIC (Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa), o PNLD Literário Plano Nacional do Livro Didático) –, como também aqueles que acontecem na esfera dos estados e municípios. Tais programas, planejados e executados de forma meticulosa, garantem a quantidade, a qualidade e a diversidade das obras literárias nas estantes das bibliotecas.

Devemos lutar, ainda, para que esses livros não fiquem parados nas estantes. É preciso que cheguem, efetivamente, aos leitores, e com a mediação de professores e bibliotecários bem preparados para isso. Especialistas em leitura literária, os professores Hércules Corrêa e Aparecida Paiva, no artigo “Literatura & Alfabetização: impasses e possibilidades”, publicado em 2015, afirmam que “ainda temos de trabalhar muito para que os alunos brasileiros tenham acesso, de fato, às obras de literatura a eles destinadas, criando condições mínimas, mas fundamentais, para que o processo de formação de leitores literários, de democratização da literatura aconteça”.

Esse caminho é certamente longo e árduo, mas muito mais frutífero do que roubar a fruta – ops, o PDF – na banca.

Leo Cunha é graduado em Jornalismo e Publicidade e especialista em Literatura Infantil pela PUC Minas. Mestre em Ciência da Informação e doutor em Artes pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Casado com Valéria, pai da Sofia e do André. Apaixonado pelas artes e pelo humor. Além de autor do livro Cachinhos de Prata, publicado por Paulinas Editora.

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