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Pais e filhos: uma relação que precisa ir além do DNA - Revista Familia Cristã

Pais e filhos: uma relação que precisa ir além do DNA

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Como criar conexões para uma comunicação clara e eficaz durante a criação dos filhos?

Por Gabriela Marques da Cunha

Constituir uma família é bênção divina, mas mantê-la em harmonia exige esforço, tempo, paciência e oração. Além de genitores, o posicionamento dos pais é a pedra fundamental, visto que, de acordo com cada fase, a reação dos filhos será diferente. Durante a infância recebem o título de super-heróis e todas as suas atitudes são espelhadas; já na adolescência, muitas vezes, os pensamentos do pai e da mãe são vistos como ultrapassados e confrontados com novos hábitos dos filhos. Nesse momento, ter construído um relacionamento próximo, empático e não autoritário faz toda diferença.

Andressa Marques é mãe de dois filhos pequenos e já tem cuidados para manter uma comunicação assertiva dentro de casa, seja em palavras ou atitudes. “Até os sete anos, o caráter da pessoa é formado e precisa de muita dedicação e atenção dos pais. As crianças aprendem fácil e aprendem muito mais com o que fazemos do que quando falamos”, afirma.

Já Júlia Louro tem filhos na fase da adolescência e garante: “O grau de dificuldade aumenta consideravelmente, afinal, é quando os filhos começam a sair apenas na companhia dos amigos, e isso coloca em choque os princípios recebidos”. Esse conflito de gerações acaba criando um abismo entre os pensamentos e causando feridas no relacionamento, que, caso não sejam tratadas, acabam influenciando todo o círculo familiar.

Por isso, conversamos com Sandra Mara de Almeida Rodrigues, especialista em terapia familiar, e Nadia Favretto, psicóloga infantil e analista do comportamento, para elencar cinco passos que você pode aplicar em sua casa para promover uma comunicação harmônica e uma família mais feliz.

1 – Tenha tempo de qualidade

No terceiro capítulo de Eclesiastes, versículo 1, é dito que: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”. Parece trivial falar sobre dedicação de tempo, quando a função da maternidade e da paternidade ocupa 24 horas do dia, sete dias por semana. Mas nem sempre é possível dedicar atenção plena; por isso, desde os primeiros anos de vida, é importante estabelecer rotinas que incluam um tempo para lazer, para desfrutar e aproximar a família.

Entretanto, como já mencionamos, as crianças são como esponjas e refletem as atitudes vistas em casa; logo, é impossível criar filhos felizes quando os pais não estão bem, seja como indivíduos, seja como casal (se for o caso). Com a correria do dia a dia, pode ser que entrem na armadilha de se anular e de se esquecer de cuidar de si mesmos. “Como estão esses pais? Eles também têm um tempo para olhar para eles ou são só pais? Um relacionamento empático e amoroso começa com os pais”, questiona Sandra.

2 – Estabeleça confiança e não autoritarismo

Apesar de representar autoridade dentro de casa, a figura do pai e da mãe não é sinônimo de perfeição. Porém, quando os mesmos se colocam em uma posição de superioridade, isso acaba diminuindo os filhos enquanto pessoa e criando um distanciamento desnecessário dentro da família.

Quando o relacionamento é baseado no diálogo, torna-se mais fácil exercer a empatia, que é uma via de mão dupla. “O que eu sempre faço é colocar a situação como se ele estivesse no meu lugar e eu agisse como ele. Então pergunto: ‘Como você se sentiria?’. Outras vezes eu digo: ‘Se isso é tão bom e correto, eu e seu pai vamos fazer também’. Essa abordagem faz eles refletirem”, demonstra Júlia.

3 – Avalie repetições de padrões

O ser humano, por si só, tem tendência de repetir padrões que nem sempre são benéficos à família. De acordo com as mudanças sociais, as percepções e princípios também ganham novas leituras e, por isso, é preciso avaliar se as falas e posturas estão ultrapassadas ou simplesmente repetem a mesma educação recebida.

Isso não quer dizer que os ensinamentos passados antigamente não estão válidos, mas sim que merecem uma releitura com base nos dias atuais. “Deve-se levar em consideração que o mundo em que os pais foram educados é muito diferente do mundo atual. Utilizar os mesmos métodos que naquela época eram usados certamente não promoverá uma interação de qualidade”, aponta Nadia.

4 – Demonstre interesse nos gostos pessoais

De acordo com cada fase, os interesses vão mudando. Por isso, a abordagem também precisa ser diferente. Às vezes o pai ou a mãe se questiona por que os filhos não se abrem ou não querem conversar, e talvez a resposta esteja na própria pergunta. “Os pais devem se preocupar em desenvolver uma relação de confiança com os filhos, a partir de interações sem julgamentos. Quando sabem que terão uma postura inflexível diante de determinado assunto, não vão falar, porque sabem que não será aceito”, defende Nadia.

Filhos
Pixabay.com

Analise o quanto você realmente conhece sua família. Descubra qual é a banda favorita de seus filhos, o seriado de que mais gostam, conheça os amigos deles, valorize a expressão dos sentimentos e demonstre interesse pelos assuntos que os cercam. A partir de uma relação mais amigável é possível conquistar confiança e proximidade para tratar de questões familiares.

5 – Respeite o tempo de cada fase

É preciso entender e aceitar as fases que a criança ou adolescente está passando. Durante a formação do indivíduo, pode ser que ele queira experimentar outros estilos, sabores, relacionamentos, posicionamentos diferentes da família ou do que a sociedade determinou como esperado. E é nessas horas que a maturidade e a flexibilidade dos pais vai fazer a diferença para lidar com os períodos de transições e de incertezas da vida. “Nós precisamos ver a mudança que acontece na nossa família, mudanças em nossos filhos que crescem e em nós como pais também, porque a gente também muda. Se não quisermos ver as mudanças e transformações, a família vai sempre repetir os mesmos erros e comportamentos difíceis, como se estivesse travada naquela fase”, conclui Sandra.

Gabriela Marques da Cunha é jornalista por formação, falante por natureza, curiosa de carteirinha, colecionadora de momentos e apaixonada pelas boas histórias. Autora da matéria A doce e desafiadora missão de educar.

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