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Os desafios das escolas na pós-pandemia - Revista Familia Cristã

Os desafios das escolas na pós-pandemia

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Além da recuperação de aprendizagem, o início do novo ano letivo deve ser marcado pela implantação do ensino híbrido na educação básica

Por Renato Casagrande

Desde que as aulas foram paralisadas nas escolas, professores, alunos, pais e todos os atores e agentes educacionais têm vivido grandes desafios. Chegamos a 2021 mais maduros, mais preparados, mas não menos esperançosos para voltarmos a uma normalidade na vida e também na escola. No entanto, os cenários que se apontam ainda são de um ano bastante atípico, com implantação de novas e importantes mudanças.

A maior preocupação dos educadores e pais é com relação à aprendizagem dos alunos em 2020. É inegável que houve comprometimento dessa aprendizagem. Alguns alunos se adaptaram melhor ao ensino remoto, seja por causa dos seus perfis, seja pelo aparato tecnológico, pela qualidade das aulas, pelas condições e apoio das famílias ou por diversos outros fatores. No entanto, pesquisas e estudos recentes apontam que a grande maioria dos alunos teve dificuldades no acompanhamento das aulas. Há ainda uma parcela significativa de estudantes que aprendeu muito pouco e ainda há outra parcela, também significativa, que se evadiu da escola.

Ensino híbrido na educação básica

Tudo isso vai exigir das escolas e dos professores um robusto projeto de recuperação de aprendizagem. Não será algo simples em função de os alunos de uma mesma idade e série apresentarem grandes discrepâncias no nível de aprendizagem. E ainda precisaremos, além da recuperação, dar conta dos conteúdos previstos para 2021. Sem dúvida um trabalho gigantesco a ser desenvolvido pelos professores.

Além da recuperação de aprendizagem, o início do novo ano letivo deve ser marcado pela implantação do ensino híbrido na educação básica – o que já era uma tendência na educação superior em todo o Brasil, como talvez uma forma de considerarmos um retorno às atividades na escola. Teremos turmas com muito menos alunos e uma escala de alunos por dias e horários de funcionamento dessas turmas. Assim, alunos terão aula dia/semana sim, dia/semana não, ou ainda outras formas a serem pensadas e organizadas dependendo das condições de cada escola, principalmente se observando o tamanho de cada turma e a estrutura física de cada instituição.

Mas o ensino híbrido não é apenas temporário. Ele deve mudar a realidade das escolas em todo o mundo após a pandemia. É um modelo de ensino que possibilita mais a personalização do ensino, pois facilita a combinação, de forma sustentada, do ensino online com o ensino presencial. O modelo presencial deverá ocorrer em sala de aula, como já realizávamos, e o online, que utiliza as tecnologias digitais para promover o ensino, deve ser utilizado em casa.

No modelo híbrido, a ideia é que educadores e estudantes possam ensinar e aprender em tempos e locais variados. É uma modalidade de ensino que dá bastante ênfase para o uso de novas metodologias e de novas tecnologias.

Questões socioemocionais na educação

Freepik.com

Um último aspecto que precisa ser considerado prioritário no retorno dos alunos às escolas se refere às questões socioemocionais. Se antes já precisávamos nos dedicar a elas, agora isso se torna imprescindível. Questões como cativar, motivar, garantir a resiliência dos alunos são básicas para o desenvolvimento pleno de uma criança ou adolescente. Se já falávamos no desenvolvimento de competências socioemocionais, agora, com o advento de toda essa crise vivida, o professor precisa ter capacidade para lidar com essas competências em um ambiente de quase pós-guerra.

Estudos desenvolvidos pela Universidade de Harvard apontam efeitos da pandemia na educação, orientando que os professores precisam estar preparados para lidar com crianças que voltarão às escolas com medo e com a saúde emocional afetada. Crianças e adolescentes acuados, desesperados, com estresse familiar, violência doméstica, com a ideia de perder familiares, de ver seus pais ficarem sem trabalho e não ter dinheiro para sobreviver.

Todos esses problemas e desafios só poderão ser enfrentados se as escolas tiverem amplo apoio das famílias. Além do apoio, é preciso engajamento, mobilização e comprometimento dos pais para vivermos plenamente esse novo momento da educação brasileira e mundial.

Precisamos admitir que há muitas incertezas, medos e desafios pairando no ar, mas sabemos que de tudo isso vamos tirar grandes lições e evoluir em muitos pontos no que tange ao conhecimento e ao uso de novas tecnologias. Este é um momento de aprendizado, de reflexão, mas também de ação e de construção de novas rotas para a educação. Seguimos trabalhando com afinco e pensando sempre em dias melhores, em pousos mais seguros e na revolução tão necessária na nossa educação.

Renato Casagrande é educador, fundador e presidente do Instituto Casagrande e da Alleanza Educacional. É conferencista, palestrante e consultor em Educação e Gestão. Referência nacional na formação de professores, gestores e na geração de resultados para instituições educacionais (públicas e privadas).

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