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Obesidade na infância - Revista Familia Cristã

Obesidade na infância

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Excesso de peso é uma doença que tem tratamento. Com a combinação de mudança de estilo de vida, acompanhamento médico e apoio familiar é possível mantê-la sob controle

Por Juliana Borga

Falar sobre obesidade não é tarefa simples, pois ela não é o que aparece no espelho ou se mede na balança. A obesidade é uma doença crônica, definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como o acúmulo anormal ou excessivo de gordura no corpo. Assim como no adulto, a obesidade na infância e adolescência é uma doença multifatorial, que pode ser desencadeada por fatores genéticos, endócrinos, ambientais, psicológicos e neurológicos.

A ciência mostra que, nos últimos vinte anos, o número de crianças e adolescentes com obesidade e sobrepeso quase dobrou no mundo, são cerca de 340 milhões entre 5 e 19 anos. Se essa tendência continuar, até 2022 poderemos ter mais casos de obesidade infantil do que crianças com baixo peso corporal. No Brasil, estima-se que entre 10% e 15% das pessoas desta faixa etária têm obesidade, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

O que causa a obesidade infantil?

Obesidade infantil
Dra. Rocio Della Coletta, endocrinologista e gerente médica de obesidade da Novo Nordisk Brasil – Arquivo pessoal

Ao ter o diagnóstico confirmado, é comum os pais se questionarem sobre as causas da doença e se poderiam ter feito algo para que ela fosse evitada. Na verdade não existe uma, mas várias causas que podem levar à obesidade infantil, são elas: genética, alimentação baseada em ultraprocessados, estilo de vida sedentário, uso de medicamentos que favorecem o ganho de peso, alterações hormonais e fatores emocionais. “A obesidade tem uma carga de hereditariedade familiar ao redor de 60%, mas o ambiente desfavorável como alimentação não saudável e pouca atividade física propiciam a evolução para a obesidade. A prevenção começa em casa com hábitos alimentares saudáveis, rotina, exercícios físicos, limitação no tempo de tela e uma boa noite de sono sempre que possível. Tão importante como a prevenção é o tratamento da criança com o diagnóstico de obesidade”, orienta a endocrinologista e gerente médica de obesidade da Novo Nordisk Brasil, dra. Rocio Della Coletta.

Como é feito o tratamento?

Quando a tentativa da prevenção foi frustrada, a orientação é buscar ajuda de um médico especialista em obesidade. Ninguém escolhe ter obesidade, como não escolhe ter diabetes e outras doenças crônicas. O primeiro passo é encarar a realidade e não estigmatizar a criança ou adolescente, nem o seu tratamento.

Segundo a dra. Rocio, o tratamento será sempre norteado por mudança de estilo de vida, incluindo dieta, reeducação alimentar, exercício físico regular e qualidade de sono. É possível que seja necessário utilizar alguma medicação para ajudar na mudança e na manutenção do novo estilo de vida. “O efeito ioiô ou sanfona costuma acompanhar a progressão da doença, quando ela não é encarada com a devida seriedade de um tratamento de longo prazo para o seu controle como diabetes e hipertensão”, alerta a endocrinologista.

Ter consciência de que o caminho é longo e que manter a doença sob controle é um objetivo que se renova diariamente, é essencial para não desistir no meio do caminho. “Tivemos dificuldade no início do tratamento, as expectativas são grandes, mas os objetivos são difíceis de alcançar. É preciso ter muita determinação para não afrouxar. Graças a Deus hoje já começamos a colher os resultados desse comprometimento com a saúde da minha filha”, relata a auxiliar financeira Célia Regina, mãe de uma menina de 13 anos que teve sua identidade preservada.

Consequências físicas e emocionais

Nas crianças e adolescentes, o excesso de peso costuma causar resistência insulínica, colesterol alto, pré-diabetes e gordura no fígado, problemas que podem ser agravados gerando doenças cardiovasculares e problemas psicológicos.

O papel da família é primordial! Apoiar e servir de exemplo acompanhando o filho em sua nova rotina, além de não julgar ou culpar a criança ou adolescente pelo excesso de peso são atitudes fundamentais. A obesidade em crianças e adolescentes aumenta o risco de bullying, pode provocar depressão, vergonha, isolamento social, culpa, baixa autoestima e influenciar o desempenho nos estudos. Trata-se de um problema muito estigmatizado, com amplo impacto sistêmico e psiquiátrico.

Shvets /Pexels.com

Para se ter uma ideia, pessoas com obesidade têm 25% mais chance de desenvolver depressão e ansiedade. Por isso, família e amigos exercem uma função importante para o sucesso do tratamento. “A obesidade em mais de 80% dos casos não é passageira, é crônica, progressiva e pode acompanhar o indivíduo na vida adulta. Por isso o tratamento é primordial. A obesidade é visível, mas é muito ignorada. O caminho é longo, mas com ajuda profissional, acolhimento e apoio familiar é possível controlá-la”, finaliza a endocrinologista.

Serviço

 A campanha “Saúde não se pesa” é uma iniciativa da ABESO (Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica) e da empresa Novo Nordisk, que tem como meta conscientizar as pessoas sobre a obesidade como doença crônica.

 O site da campanha tem bastante informação e ajuda as famílias que estão buscando ajuda neste processo. É possível tirar dúvidas, acessar dados sobre obesidade, ouvir relatos e aprender receitas saudáveis. Confira: https://www.saudenaosepesa.com.br 

 Juliana Borga é jornalista, três vezes vencedora do Prêmio Dom Hélder Câmara de Imprensa. É mãe coruja da Helena e adora escrever sobre temas que colaboram para um mundo mais humano e solidário. Instagram: @juborgajornalista

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