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O virtual potencializando sonhos - Revista Familia Cristã - Juventudes

O virtual potencializando sonhos

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Fatos e pessoas reais têm seus objetivos e sonhos impulsionados no ambiente virtual

Por Maria da Luz Fernandes

“Meu Deus, que coisa linda! Meu sonho… Nunca tive a chance de ver um balé no teatro e agora isso está acontecendo. É como se estivesse lá presente!” Assistir a um balé era o sonho de uma senhora de 91 anos, moradora de uma casa de repouso para idosos em São Paulo (SP). Com o uso de óculos da realidade virtual, ela realizou o sonho e sua reação foi, como bem expressou, de estar presente.

Essa e tantas outras histórias, que muitas vezes passam despercebidas, trazem para nós o retrato da sociedade híbrida que estamos vivendo: a do mundo “real” e a do mundo virtual.

Para a sociedade atual, onde as duas realidades não apenas coexistem, como também se mesclam, vale pensarmos sobre as potencialidades do virtual nos sonhos de cada um, não só, mas principalmente, nas novas gerações.

“Sonhos e ambientes virtuais são a mesma coisa do ponto de vista prático”, afirmou Emerson Alecrim, criador do site de tecnologia InfoWester. Ele está comparando os sonhos e os jogos no mundo virtual (jogos eletrônicos) e reforça a ideia de que no mundo virtual podemos projetar nossos sonhos. É possível também concretizá-los, como aconteceu com a idosa mencionada no início deste texto. Ao mesmo tempo que você pode “morrer” em um jogo eletrônico e voltar à realidade sem consequências, as histórias de sonhos reais que se prolongam e se concretizam no mundo virtual vêm nos mostrando o quanto esses mundos ou ambientes estão se tornando mutuamente potencializadores.

O virtual x real na pandemia

A pandemia que assola o mundo acelerou, em alguns casos, o papel do mundo virtual como impulsionador e prolongador dos sonhos reais. 

Artistas foram revelados e fizeram sucesso apenas por postarem suas músicas em redes sociais; estudantes conseguiram estudar no exterior com ajudas financeiras vindas pelo mundo virtual; conquistas de bens, como casas, utensílios domésticos, instrumentos de trabalho, foram conseguidos em campanhas, e vidas foram transformadas por encontros no mundo virtual.

Roxanne Minnish – Pexels

Cito dois jovens brasileiros, estudantes de música, que foram convidados a estudar na Bélgica após aulas ministradas por professores famosos, uma presencial e outra virtual. Renato de Oliveira Nunes foi convidado pelo professor e trompetista Dominique Bodart, presencialmente em Porto Alegre (RS), antes da pandemia, em uma masterclass (aulas ministradas por instrumentistas famosos a estudantes de música). Renato ganhou a bolsa de estudos e fez uma “vaquinha” pela internet para conseguir custear a viagem.

Palloma Izidio, já em tempos de pandemia, viu seus sonhos se desfazerem quando perdeu a bolsa onde estudava em São Paulo (SP). Sem condições para se manter, ela voltou para casa. Assim como Renato, foi convidada para uma masterclass, só que no mundo virtual, com o violinista famoso Marc Sabbah. No caso de Palloma, tudo aconteceu no mundo virtual: a aula e o convite, a oferta de moradia em Bruxelas, na Bélgica e ajudas recebidas na conta que ela mantém aberta na internet para sua manutenção.

Compartilhar a vida no virtual

Os fatos “reais” que envolvem pessoas “reais” não tomariam essa proporção se não fossem compartilhados no mundo virtual. Como diz o filósofo francês Pierre Lévy, “O virtual não se opõe ao real, mas ao atual”, ou seja, o virtual pode potencializar o real, projetar sonhos, ampliá-los e torná-los reais, porque o virtual também é real. Parece que a realidade aumentada, expressão cunhada por Thomas Caudell, professor emérito da Universidade de Novo México, para a área de entretenimento, é o que estamos vivendo no mundo misto atual, entre o real e o virtual.

É claro que o mundo virtual apresenta desafios e dificuldades; porém, o propósito aqui é mostrá-lo como potencializador de sonhos. E aqui não posso deixar de citar os apelos do papa Francisco para que façamos da internet um espaço que cria proximidade, cultura do encontro, fraternidade e amplia a solidariedade.

O tempo todo o Papa nos adverte a estarmos no ambiente virtual com humanidade. Cito dois textos das Mensagens para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2014 e 2016, respectivamente: “O próprio mundo dos mass media não pode alhear-se da solicitude pela humanidade, chamado como é a exprimir ternura. A rede digital pode ser um lugar rico de humanidade: não uma rede de fios, mas de pessoas humanas”. “Em rede, também se constrói uma verdadeira cidadania. O acesso às redes digitais implica uma responsabilidade pelo outro, que não vemos, mas é real, tem a sua dignidade que deve ser respeitada. A rede pode ser bem utilizada para fazer crescer uma sociedade sadia e aberta à partilha.”

Uma rede para fazer o bem

Algumas experiências nos mostram como é possível não esvair-se de humanidade no mundo virtual, mas utilizá-lo para fazer o bem. Noilton Pereira fotografa famílias necessitadas e, com o valor arrecadado pela venda das fotos na internet, ajuda essas mesmas famílias com cestas básicas, eletrodomésticos e utensílios para casa, material escolar e até mesmo para construção de casas.

O mundo virtual apoiou a iniciativa e desde 2013 inúmeras famílias ganharam um pouco mais de dignidade de vida. Outro caso que expressa bem o sentido de olhar o outro com humanidade foi um encontro casual de um mendigo com uma turista em Curitiba (PR). Sentindo-se observado, ele pediu uma foto sua postada na internet, porque queria ser famoso. A foto viralizou, a família o reencontrou e ele, recuperado das drogas, voltou ao mundo da moda, onde tinha sido modelo, construiu família e agora investe em gastronomia.

O mundo virtual é resultado do mundo real e dos reais que somos nós.

Maria da Luz Fernandes é jornalista com pós-graduação em Marketing e assessora de imprensa da Arquidiocese de Vitória.

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