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O que não traz paz, não é de Deus - Revista Familia Cristã

O que não traz paz, não é de Deus

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Como perceber e se afastar de relacionamento tóxico e dependente

Por Flalrreta Alves

Durante o isolamento recomendado para evitar a transmissão do novo coronavírus, o número de denúncias sobre violência doméstica aumentou consideravelmente no país. Nesse cenário, o serviço de streaming da Netflix produziu e dispôs para exibição uma série policial que aborda, dentre outros assuntos, a dependência emocional, agressão masculina às mulheres e o relacionamento abusivo.

Na série, intitulada “Bom-dia, Verônica”, duas mulheres são protagonistas. A policial, que se depara com abuso de autoridade no seu ambiente de trabalho, e Janete, que vive uma total dependência emocional, financeira e abusiva no casamento. A série é uma ficção, mas, na vida real, existem muitas mulheres na mesma situação.

A Janete da vida real pode ser uma moça de trinta anos, formada em moda, por exemplo. L.B. é uma dessas mulheres que se permitiu vivenciar um amor e sofreu a frustração de o relacionamento não dar certo. No ano de 2017, ela teve a oportunidade de morar no Rio de Janeiro, de ver concretizado o seu sonho de se realizar profissionalmente, de morar em uma cidade que ela considerava ter mais qualidade de vida e de viver ao lado do seu namorado, que morava na capital do Estado que leva o mesmo nome.

Naquele ano, a jovem teresinense (capital do Piauí) preparou a filha e os pais para a mudança, e prosseguiu na realização de seus sonhos, que, em alguns dias, virou pesadelo. “Após três meses morando com ele e minha filha, começaram as discussões, o excesso de ciúme da parte dele, que não me permitia trabalhar, passear, nem mesmo frequentar academia, pois insinuava que eu estaria procurando por outras pessoas que não fosse ele. Vivíamos em uma bolha, só nós três dentro de casa”, relata a modista.

L.B. comenta que, além de constantemente verificar suas conversas pessoais no smartphone e insinuar situações, o então companheiro criava cenas envolvendo choro, crise de ansiedade e depressão, situação que a fazia repensar, perdoar os erros e ficar ainda mais próxima dele.

“Porém, isso virou uma bola de neve e foi só se agravando. Ele também era dependente do vício do cigarro, e não tínhamos momentos de paz em a família. Também não gostava de barulho em casa, mas gritava bastante, falava tão alto que, quando brigávamos, todos os vizinhos sabiam, e eu ficava morrendo de vergonha. Ele nunca me violentou fisicamente, mas o fez de outras formas, até mesmo na nossa intimidade, pois eu só conseguia me entregar a ele após fazer uso de bebida alcoólica. O abuso psicológico era tão intenso, que eu me torturava com tudo, então, parei de me cuidar, de arrumar o cabelo, de fazer as unhas, enfim, perdi toda vaidade feminina e, no intervalo de um ano, engordei trinta quilos”, relembra.

Kristina Tripkovic – Unsplash

Com uma filha pequena em uma cidade desconhecida e longe da família, a vontade de voltar para sua terra natal (Teresina) era grande, mas a jovem lidava com fatores externos, que implicavam dependência financeira e vergonha de pedir ajuda. “Como uma feminista se permitiu ficar nessa situação? Eu tinha vergonha de tudo, até de pedir ajuda”, questionava-se.

Com o passar do tempo, as agressões morais e psicológicas foram aumentando, chegando ao ponto de envolver os pais de ambos em um grupo de Facebook (sempre ele se colocando no papel de vítima, prestando queixas contra ela).

A teresinense finalmente resolveu desabafar com uma amiga, que prontamente contatou um grupo de amigas. Daí fizeram um levantamento financeiro e adquiram as passagens para L.B. e a filha retornarem à capital do Piauí. “Quando ele viu as malas prontas, começou a chorar, saiu batendo porta, cantando pneu de carro, e fazendo drama. Mas eu já tinha entendido o jogo de manipulação, sabia que ele não ia mudar, e voltei para a casa dos meus pais, mesmo ciente dos julgamentos que enfrentaria”, finaliza a protagonista da história real aqui relatada.

Dependência e manipulação

Segundo a psicóloga Renata Bandeira Jardim, manipulação e excesso de ciúme são elementos quase padrão em um abusador. “Geralmente, o abusador tende a ser manipulador, ciumento, possessivo, e usa da fragilidade da outra pessoa para manobrá-la e mantê-la naquela teia. Normalmente o padrão é esse: usar de todos os artifícios para conseguir o que quer”, explica.

Na situação apresentada, o então companheiro se mostrava ciumento, possessivo e manipulador, criando situações por meio de crise de choros e arrependimento. Segundo a vítima, no dia seguinte às agressões, ele tentava compensar o dano provocado adquirindo coisas materiais, oferecendo presentes para ela e para a enteada, que acompanhava todas as discussões do casal. Com isso se cria um círculo que a psicologia considera vicioso.

“Importante entender que o dependente emocional também pode ser abusivo. A dependência emocional é algo muito presente em relacionamentos difíceis e que acaba criando um círculo vicioso de ciúme e possessividade. O dependente quer vigiar o outro, e esse outro se sente sufocado e pode até se afastar”, acrescenta.

Foi o que aconteceu com L.B. Após um ano de abusos e percebendo a dependência emocional do então companheiro, ela se afastou. Não foi uma decisão fácil, pois, além da questão financeira, envolvia fatores subjetivos como a cultura social do julgamento alheio e a frustração por ter fracassado. Mas seguir a vida em paz é necessário e fundamental para um cristão. Só é de Deus quando traz paz.

Flalrreta Alves é jornalista e relações públicas. Mestra em Comunicação: Mídia e Subjetividades.

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