Já sou assinante!

Ainda não é assinante?

Identifique-se para ganhar mais 2 artigos por semana!

ou

ou Assine Já

O diferencial do ser professor - Amaro França - Revista Familia Cristã

O diferencial do ser professor: aprendizagens e vínculos

Max Fischer – Pexels

O cuidado com a pessoa do educador que faz toda a diferença no processo educacional

Por Amaro França

Em meio a tantos compromissos pessoais e profissionais, sempre há um tempo para as boas conversas – uma forma de comunicação que nos leva a nos aproximarmos das pessoas e a nos entregarmos de coração. São diálogos, interlocuções que engrandecem e motivam a seguir em frente. Nessa perspectiva, os processos educacionais são caminhos de construções dialógicas, visões diferentes e complementares que versam sobre as relações interpessoais, as convivências pedagógicas, o papel da família na educação, os processos de aprendizagens, bem como sobre a formação docente e a dinâmica do cotidiano escolar – esses e outros temas “transversalizam” o fazer educacional.

Analisando historicamente o processo educacional, por muito tempo teve-se o foco voltado para o fazer e para os seus resultados objetivos, esquecendo-se de pensar, de refletir e cuidar daquele que faz o processo educacional por excelência, ou seja, a pessoa do professor ou – e aqui ousamos ampliar a terminologia – educador. Constata-se que, de certa forma, o professor/educador acaba reproduzindo os seus modelos de aprendizagens, aqueles vivenciados enquanto educando, que nem sempre são as melhores referências.

No sentido dinâmico da construção do processo educacional (de ensino e aprendizagem), há a relevância da metodologia, do conteúdo, da forma da atuação, talvez até de atuação cênica do docente nesse espaço. Mas é importante destacar um pressuposto fundamental: o relacional.

Professor: artífice de vínculos afetivos e efetivos

Uma coisa desponta de forma clara: o professor/educador, no processo educacional, tem o maior valor, pois, de fato, é ele, a sua pessoa, que faz toda a diferença. Por mais que se tenham instrumentalizações diversas, ou até mesmo novas tecnologias da comunicação e da informação (TICs), o professor é o grande diferencial para a construção do processo ensino-aprendizagem. A autora Jesus Maria Sousa (Universidade da Madeira – PO), em sua obra O professor como pessoa, aborda uma teoria da dimensão pessoal do professor, uma conceptualização positiva de si próprio e dos outros, provocando reflexões sobre a formação desse sujeito – a pessoa do professor.

Ugo – Unsplash

Faz-se necessário o fomento de um olhar introspectivo, um olhar de um “autocoaching” desse profissional enquanto pessoa, e de um olhar cuidadoso dos outros para com ele.

Acreditamos que o trabalho de autoconhecimento do professor, da sua autovalorização, de se sentir pertencente, tem um sentido mais amplo de existência, pois tudo vai conectar-se num elo muito forte para a dimensão da docência – que tem o seu valor profissional de forma esplendorosa, mas tem um valor que talvez as pessoas não queiram muito escutar hoje: na docência, há uma dimensão de missão. Sem descartar, obviamente, o valor profissional.

A essência do ser professor        

A dimensão do ser professor é uma dimensão de doação, perpassando por uma construção de sentido, num papel preponderante de referência, de construção de valores, principalmente no contexto atual, em que a juventude, de forma geral, é “bombardeada” por uma série de elementos, e tudo é colocado em xeque. Assim, o professor é fundamental e sempre será, na relação educacional, uma referência de constituição axiológica – uma base valorativa humana.

Nesse prisma de educação, não basta apenas a construção do conhecimento cognitivo, pois este passa essencialmente por uma base relacional de formação do sujeito, de uma formação de caráter.

Nós, por excelência, somos seres relacionais. A nossa constituição de ser se “estrutura” muitas vezes a partir da identificação do outro, ou do olhar do outro – eu me constituo um ser pessoa porque o outro também o é. E nessa relação (correlação) nos constituímos a partir de um envolvimento, de um relacionamento. Dessa forma, a relação do processo educacional, de aprendizagem, vai muito além de um envolvimento cognitivo – é, antes de tudo, um envolvimento humano.

Parafraseando o autor Marshall B. Rosenberg, na relação educacional, saibam que o que nós queremos em nossas vidas é compaixão, um fluxo entre nós mesmos e os outros com base numa entrega mútua, do fundo do nosso coração.

Amaro França é escritor, palestrante e gestor educacional, autor do livro Gestão humanizada: liderança e resultados organizacionais, da Ed. Ramalhete. Apaixonado pela educação, gosta de escrever, tendo como propósito impactar positivamente as pessoas com suas ideias, liderança e trabalho.

Artigos Recentes

Dois anos sem reparação das famílias em Brumadinho

Comunidades inteiramente atingidas pelo rompimento da barragem continuam sendo violadas em seus direitos...

Jovens mantêm esperança no trabalho

“Empreender não foi uma falta de opção, foi uma escolha. Saímos dos nossos empregos e abrimos mão de uma carreira para empreender...

15 COMENTÁRIOS

  1. Amaro: fico encantada com os saberes saboreados nesse texto. Um texto que traduz o valor do cuidado, do respeito para com o professor, educador. Parabéns, pelas palavras afetivas que nos tocam e nos fazem pensar. Precisamos refletir mais sobre o nosso tempo e o nosso espaço na área educacional e você nos ajuda quando nos oferta esse texto tão cheio de sentidos e significados. Um abraço, Goretti

  2. Excelente texto! É muito bom ler sobre a importância do vínculo professor-aluno e sobre a afetividade. É essencial refletir sobre a dimensão do ser professor. Parabéns!

  3. Caro Amaro!
    Apesar do nome, seu escrever é doce, impacta positivamente. Muito feliz sua defesa da importância do professor/educador com base nas relações “afetivas e efetivas” estabelecidas reciprocamente. Isso, só um ser humano, uma pessoa consegue fazer. Máquinas não o fazem.
    Para que seu escrever se torne ainda melhor, sugiro ler os escritos do Papa Francisco a respeito da educação e dos educadores. São provocadores e humanizantes.
    Um grande abraço!
    Waldemar Bettio

  4. O artigo do professor Amaro rende-se ao essencial, o cuidado com as pessoas. Cultivar uma relação profissional não é sinônimo de ser indiferente ou frio com quem trabalha conosco. Parabéns.

  5. Excelente texto. É sempre bom lembrar da importância do professor. Ser humano apaixonado pelo profissão e que faz a diferença na vida do aluno.

Deixe seu comentário

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

error: Ação desabilitada