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Mulheres no poder - Revista Familia Cristã

Mulheres no poder

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O voto e sua representação política na história do Brasil

Por Luciana Rocha

A professora Maria Felizarda de Paiva Monteiro da Silva foi a primeira mulher a ser eleita vereadora no Brasil. Em 1935 fez parte da Câmara Municipal de Muqui, no Espírito Santo. A cerca de 65 quilômetros da cidade, localiza-se Guaçuí, onde nasceu uma das três primeiras mulheres que conquistaram o voto no Brasil. A empresária Emiliana Emery Viana tinha 55 anos e ganhou, na justiça, o direito ao voto. Em 1929, ela conquistou o título de eleitor. 

Mulheres na política
Licéia conta que herdou do pai a paixão pela política. Foto: Arquivo Pessoal.

Guaçuí é a terra natal da aposentada Licéia de Souza Vieira, de 85 anos. Ela relatou os dois casos relacionados ao voto no País. Com orgulho, Licéia conta que o pai sempre foi envolvido na política, e isso a influencia até hoje. “Meu pai era cabo eleitoral, gostava muito de política. A gente ficava ‘doida’ para votar, porque ainda era um tipo de cabresto. Na nossa casa tinha café, alimentação para as pessoas que iam votar aqui na cidade. Além disso, se tornou um ponto de encontro dos eleitores, onde o povo se juntava para conversar”, conta.

Licéia votou primeiro aos 18 anos e nunca mais parou. “Não deixo de votar de jeito nenhum. A minha casa tem uma varanda e eu faço propaganda para os candidatos que eu acredito. Tenho sete filhos, todos votam, e a gente faz aquela festa no dia das eleições. Para a minha família é uma data especial”, ressalta. A aposentada faz um alerta para as mulheres: “Não deixem de votar! É uma conquista que traz muitos benefícios. O voto nos dá liberdade e, assim, teremos um Brasil com mais ordem e progresso”, pontua.

Conquista do voto feminino

Mulheres na política
A socióloga Liliam Daniela afirma que o voto feminino foi uma conquista das mulheres no ano de 1934. Foto: Arquivo Pessoal.

O voto é um instrumento fundamental de participação. De acordo com a socióloga Liliam Daniela dos Anjos, que atua na Escola de Formação Política do Núcleo de Estudos Sociopolíticos (NESP), da PUC Minas, o Brasil avançou muito na sua democracia recente, mas pode avançar mais. “O ideal é universalizar, cada vez mais, a participação. Quando mais mulheres são candidatas, mais mulheres se sentem representadas. É um processo contínuo. Os direitos conquistados ampliam a participação”, destaca.

A socióloga Liliam Daniela explica que o voto feminino no Brasil foi uma conquista das mulheres em 1934, mas esse direito ao sufrágio universal não veio acompanhado de incentivos e condições de representatividade das mulheres no Brasil. “Ainda temos muito que avançar em termos de representação. Hoje no Brasil as mulheres são a maioria do eleitorado, mas ocupamos apenas 15% das vagas no Congresso Nacional. Precisamos de políticas que incentivem a participação política das mulheres, pois são nesses espaços institucionais que muito da nossa vida é votado e decidido”, explica.

Mulheres, votem em mulheres. Participem da política. Quanto mais mulheres na política, mais política das mulheres. Não há outro caminho, a não ser o da representatividade e o da participação. Precisamos lutar, inclusive, por políticas públicas que garantam às mulheres tempo e disponibilidade para estar na política, dividindo as tarefas de cuidado que sobrecarregam a vida das mulheres” (Socióloga Liliam Daniela dos Anjos).

Representatividade feminina

Liliam ressalta que o voto e a participação na política estão ligados ao avanço das mulheres em outras esferas da sociedade. Para ela, “quanto mais avançamos na representação nesses espaços, como movimentos, organizações, empresas, universidades, maior também será a representação nos parlamentos e nos executivos”, comenta.

O Brasil ocupa as piores posições na América Latina no quesito representação feminina na política. A doula Polly do Amaral é ativista e já foi candidata duas vezes à Câmara Municipal de Belo Horizonte e uma vez ao parlamento de Minas Gerais. É uma das mulheres que constroem o coletivo #partidA MG e lembra que nas últimas eleições houve um aumento no número de eleitas.  “Boa parte dessas mulheres representa interesses que vão contra as próprias mulheres, que votam a favor de leis que desmontam nossos direitos trabalhistas, os programas econômicos, de emprego e renda, e retiram recursos da educação, saúde, assistência social. É urgente melhorar a representação feminina e alcançar a paridade de que precisamos”, afirma.

Polly explica que o sistema que rege o funcionamento da sociedade está estruturado de forma a nos fazer acreditar que os espaços de poder e decisão não são para as mulheres. “Somos educadas para sermos passivas e boazinhas, e, quando temos a audácia de ocupar espaços de liderança quaisquer, somos a todo tempo lembradas (violência política) que política não é para nós. É preciso continuar nos fortalecendo, formando redes, atuando juntas e reivindicando políticas para ampliar a participação das mulheres, justamente para alterar esse sistema e torná-lo mais representativo e democrático. É preciso ocupar espaços, votar e ser votada”, diz. 

Mães no poder

Polly lembra que, as mães, em geral, são submetidas a muitas violações, desde a gestação até a educação das crianças. “Tudo isso é impactado pelas decisões políticas tomadas, na maior parte das vezes, sem a nossa participação. Quando lutamos por uma vida melhor para nós e para nossa comunidade, contribuímos para a mudança de paradigmas e por pautar as decisões políticas que nos afetam. Vamos juntas ‘emadrecer’ a política!”, finaliza.

Luciana Rocha é jornalista, especialista em Jornalismo e Práticas Contemporâneas e mestra em Comunicação Social e Tecnologia. É mãe da Beatriz, acredita no bem e sonha com um mundo mais humano e justo. Deus sempre em primeiro lugar!

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