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Mulher e mãe (e profissional, dona de casa, motorista, cozinheira...) - Revista Familia Cristã

Mulher e mãe (e profissional, dona de casa, motorista, cozinheira…)

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A maternidade é uma tarefa milenar que desafia a mulher contemporânea a conciliar seus anseios pessoais com as necessidades de sua família

Por Juliana Borga

Um dos aspectos mais sagrados da natureza sempre foi a capacidade de gerar filhos. Quem não se emociona ao ver uma mãe amamentando seu bebê? Como não se alegrar ao presenciar aquele olhar de cumplicidade entre uma mãe e seu filho? Ao pensar na palavra “mãe”, naturalmente relacionamos seu conceito à ideia de delicadeza, proteção, harmonia e continuidade.

A força criadora e mantenedora das mães foi bem representada pelas chamadas “madonas”, ao longo dos anos na história da arte. O fascínio pela representação da mulher como mãe atravessou séculos e imortalizou cenas de colos acolhedores e, acima de tudo, amorosos. Aliás, é o amor que faz de uma mulher uma mãe.

A maternidade é uma tarefa milenar que se transforma gradualmente; ela é dinâmica, uma experiência fundamental na constituição do ser humano. “Apenas no final da Idade Média os adultos começaram a se sentir responsáveis pela educação das crianças, passando a paparicá-las e mimá-las. Antes disso, a criança era vista como um adulto em miniatura e o sentimento entre cônjuges e filhos não era considerado relevante para o equilíbrio da família”, explica a professora e doutora em Psicologia Irma Benate.

Espaço próprio

Nas sociedades industriais do século XVII, houve uma mudança importante que fez com que a criança ganhasse um espaço próprio: a escola. Ela representava o único meio de educação e sua função era proporcionar aprendizagem. Com o tempo, a criança saiu do anonimato e ganhou lugar e cuidados próprios. Para ser possível cuidar delas, as famílias diminuíram o número de filhos.

“Alguns fatores expressam o interesse das mães em cuidar de seus filhos; um deles foi a redução do tamanho das casas, que permitiu uma maior proximidade física e afetiva da família”, afirma a psicóloga Irma Benate. Foto: Arquivo pessoal

Com o passar dos séculos, as relações familiares continuaram se transformando, abrindo possibilidades para as estruturas contemporâneas. No Brasil, a maternidade se configurou com o reconhecimento da família nuclear: a mãe como responsável pelos filhos e a vida doméstica, e o pai voltado para prover o sustento da casa. Porém, há muitos anos já não é mais este o modelo que retrata as expectativas diante das funções materna e paterna na sociedade.

O que mudou, então?

O intercâmbio cultural, fruto da globalização, a saída da mulher para a escolarização, o acesso às novas tecnologias, o surgimento de novos modelos de família, a busca pela realização profissional e a conquista por mais espaço no mercado de trabalho são alguns fatores que serviram de gatilho para as transformações do papel exercido pelas mães.

A mulher deixou de viver à sombra do marido, passou anos reivindicando o acesso ao estudo e o direito ao voto. Nos anos 1940, com os maridos lutando na Segunda Guerra Mundial, muitas mulheres se viram obrigadas a trabalhar para garantir o sustento dos filhos; com isso, experimentaram pela primeira vez o controle da própria vida.

Papel da mãe

Viajando na linha do tempo sobre o papel da mãe ao longo dos anos, chegamos à década de 1950 e assistimos a um retrocesso comportamental, com as mulheres retornando aos lares. Essa foi uma época conservadora e de valorização da família. A maior ambição da mulher era ser dona de casa e mãe de família; quem saiu ganhando com isso foram os filhos, que se aproximaram afetivamente das mães.

A disseminação do uso da pílula anticoncepcional transformou o comportamento feminino de modo definitivo nos anos 1960, e, na década seguinte, a relação entre homens e mulheres tornou-se mais igualitária, com pais mais atuantes e presentes na criação dos filhos. Com a aprovação da lei do divórcio no Brasil, em 1977, os modelos de família começaram a se transformar.

Realização

As mudanças na sociedade influenciaram diretamente o papel da mulher, mas, independentemente da época, há algo comum a todas elas: o anseio de se realizar. “Tirando isso, todos os outros aspectos se transformaram imensamente, inclusive nas classes economicamente menos estáveis. O acesso à informação vem possibilitando uma reflexão sobre o ser mulher e mãe, inexistente em épocas anteriores”, declara Irma Benate.

Entre os desafios atuais, está lidar com o excesso de informações e evitar o sentimento de culpa enquanto se administra a casa, a profissão, o relacionamento amoroso e a educação dos filhos. Segundo a psicóloga, para ter êxito ao lidar com todas essas tarefas, é preciso entender a função paterna na divisão das tarefas rotineiras. “O principal desafio da mulher em relação à função materna abarca conciliar seus anseios pessoais, sexuais e de lazer com as necessidades dos filhos e da família. É algo que passa por uma transformação também da concepção da função paterna, que necessita de uma maior flexibilização das tarefas. É preciso dar valor e dividir as funções maternas e paternas em nome do bem-estar da família como um todo”, finaliza Irma Benate.

Lições

Amina Filkins / Pexels.com

Sim, dá trabalho! Sempre foi assim. Exercer a maternidade requer dedicação, responsabilidade e muita paciência. Não são poucos os obstáculos a serem superados no dia a dia da administração de um lar. Por isso, é fundamental o diálogo entre o casal, a definição de suas funções como pais, a divisão de tarefas e a colaboração de uma rede de apoio que ajude a manter “as engrenagens funcionando”.

A maternidade ensina, e esses aprendizados enriquecem e realizam as mulheres, fazem o coração delas transbordar de amor e alegria. Quando há a integração da experiência da maternidade com o próprio repertório de vida da mulher, quando existe harmonia entre sua identidade como mãe e sua identidade pessoal, os desafios contemporâneos tornam-se mais leves, afinal, ela conquistou o equilíbrio em sua vida, a tão sonhada plenitude.

Juliana Borga é jornalista, três vezes vencedora do Prêmio Dom Hélder Câmara de Imprensa. É mãe coruja da Helena e adora escrever sobre temas que colaboram para um mundo mais humano e solidário. Instagram: @juborgajornalista

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