Já sou assinante!

Ainda não é assinante?

Identifique-se para ganhar mais 2 artigos por semana!

ou

ou Assine Já

Morte ou novo nascimento? - Revista Familia Cristã

Morte ou novo nascimento?

Morte
Pexels/Jessica Lynn Lewis

A esperança de que a vida continua alimenta o diálogo com nosso Criador e a prece se torna verdadeira relação com Deus

Por Carmem Maria Pulga

Uma metáfora que lança luz sobre a morte é a da borboleta e do casulo, ou, também, um olhar sobre o próprio nascimento. Pense no parto, quando se constitui o germe da vida e o novo ser rompe as barreiras do ambiente no qual amadurece para ingressar em outro mundo. Ele não precisa mais da placenta nem dos vínculos sanguíneos que o mantinham vivo. Ele precisa, sim, de braços que o acolham e cuidem dele para se adequar ao novo ambiente. Ouça como e quando Jesus usa essa metáfora:

É disso que precisamos para fazer a passagem para outra dimensão de nossa vida. Que forças espirituais nos ajudem lá onde as palavras humanas não chegam, mas a fé fala algo indizível. Fala no silêncio. A experiência da morte tem um incrível potencial transformador. Procure acompanhar cuidadosamente as pessoas nesse momento e você ganhará um aprendizado insubstituível. 

Para refletir

O tempo de morrer é um desses momentos preciosos em que entramos no profundo de nosso “eu” verdadeiro e, daí, pode brotar a real libertação de nossos medos mais existenciais.

A esperança de que a vida continua alimenta o diálogo com nosso Criador. E, então, a prece se torna verdadeira relação com Deus, cujos braços nos esperam para nos introduzir ao lugar prometido, que não sabemos descrever, mas descobrimos dentro de nós que ele existe. Podemos pressentir esse elo tênue que nos liga a alguém maior que nós, capaz de nos tornar divinos. Quando isso acontece, os medos se diluem e nasce a serenidade, a paz, até o sorriso em meio à dor. Como vale a pena cuidar bem desse momento!

Morte

Conectar-nos com essa força sagrada que há em nós e ajudar o outro a entrar nessa conexão divina é uma das missões mais nobres e compensadoras. Não para evitar a morte, que é certa, mas para evitar o medo de romper as fronteiras e voar mais alto, para o encontro com aquele que nos projetou desde o começo, o sopro vital. Não podemos impedir que a pessoa amada sofra, que sinta angústia, desânimo ou mesmo revolta. Tudo isso é muito possível que aconteça, especialmente quando o diagnóstico da finitude chegar de surpresa. Mas os cuidados, a ajuda na perspectiva da fé, é para dar sentido à vida que ainda está aí, como sempre esteve, apesar do sofrimento. É a vida que tem de ser cuidada também no momento da morte. A vida como potencialidade de dar sentido a cada instante, a cada gesto, a cada palavra, a cada dor, a cada sentimento. E quem pode fazer isso melhor do que a família?

Para rezar

Voltemos a contemplar a pessoa de Jesus, o homem de Nazaré. Não há exemplo mais forte e significativo para nós cristãos do que o testemunho de Jesus. Ele preparou os que amava para o momento da morte e despertou um novo olhar sobre a vida: “E começou a ensinar-lhe que era necessário que o Filho do Homem sofresse muito […]. Pedro, tomando-o consigo, começou a repreendê-lo. Jesus, porém, tendo-se voltado e visto seus discípulos, repreendeu Pedro, dizendo: ‘Vai para trás de mim, satanás, porque não pensas as coisas de Deus, mas as coisas dos homens’” (cf. Mc 8,31).

Para viver

Em nossa sociedade, a morte ainda é um tabu. Ninguém quer falar a respeito disso. Proponho que, sobretudo pela fé cristã, comecemos a introduzir em nossa família a reflexão de que a morte é uma passagem, uma ponte para a vida. Não porque é fácil, não. Muito pelo contrário. A morte dói, a separação nos deixa no luto, mas, quanto mais procuramos afastar essa realidade, mais estaremos despreparados para vivê-la com fé e sabedoria.

“Amados, amemos uns aos outros, pois o amor procede de Deus. Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor” (cf. 1 João 4,7-8).  O amor não morre com a morte física, o amor permanece. Ele é a essência de Deus, é a imortalidade dentro de nós.

Carmem Maria Pulga é filósofa, teóloga, mestra em Novas Tecnologias da Comunicação e autora dos livros A pétala e Divino livro proibido, ambos publicados pela Paulinas Editora. Gosta de arte, desde a culinária até a sucata, e ama ler os autores mais ecléticos.

Artigos Recentes

Deixe seu comentário

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

error: Ação desabilitada