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Moda e sustentabilidade: por onde começar? - Revista Familia Cristã

Moda e sustentabilidade: por onde começar?

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Saiba como desenvolver uma postura consciente em um cenário tipicamente de consumo

Por Vitória Élida

Ao longo dos anos, o conceito de sustentabilidade e de consumo consciente ganhou destaque na sociedade, tornando-se agenda para importantes discussões. O aumento da degradação ambiental e os impactos causados ao homem serviram de alerta para o imperativo da mudança de atitude, e, com isso, viu-se a real necessidade de assumirmos uma postura mais sensibilizada com as questões ambientais. Tal modelo de vida mais consciente foi de encontro com a moda, que traz na história da indústria têxtil dados alarmantes de grande poluidora ambiental.

A indústria da moda responde, hoje, por cerca de 8% a 10% das emissões globais de gases do efeito estufa, o que corresponde a algo superior aos gases emitidos pela aviação e pelo transporte marítimo juntos. É ainda o segundo setor da economia que mais consome água e produz cerca de 20% das águas residuais do mundo, liberando 500 mil toneladas de microfibras sintéticas nos oceanos todos os anos.

Dados revelam também que as pessoas estão consumindo 60% mais roupas que há 15 anos, e que essas peças não chegam a sua capacidade máxima de uso, sendo facilmente substituídas por outras novas. De modo geral, a indústria da moda traz problemas ambientais que vão desde o uso de agrotóxicos nas plantações e colheitas de algodão, até o uso excessivo de produtos químicos nos tecidos e acessórios.

Insustentável

Portanto, como pensar em uso sustentável para algo tão necessário? O uso de roupas acompanha a humanidade há séculos e tem, além da função protetiva, caráter histórico, cultural e religioso. Para reverter a tendência insustentável da indústria da moda, e respondendo a essa visão de necessidade humana, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou, em 2019, a “Aliança das Nações Unidas para a Moda Sustentável”, com o intuito de tornar esse setor ambientalmente adequado e com melhores práticas sociais, identificando desafios e estudando soluções e políticas.

Nesse contexto, o consumidor tem um papel importante. É preciso que o conhecimento acerca daquilo que se compra chegue a cada um e que não se caia na história das tendências passageiras. Perguntas como: “De que material é feito? Onde foi produzido? Em que condições de trabalho? Que impactos ele causa?” são importantes nesse caminho. Por exemplo, o poliéster (PET) é a fibra mais utilizada no mundo, porém leva mais de duzentos anos para se decompor.

Em sua produção, compostos orgânicos voláteis são emitidos, sem contar os chamados microplásticos. Em uma simples lavagem, uma peça de roupa de poliéster pode soltar até 1.900 fibras de microplástico na natureza. Tais informações, na maioria das vezes, não chegam até o consumidor.

É, então, em busca de um consumo mais consciente, e para ir de encontro a essa realidade, que a moda sustentável tem ganhado destaque. Esse conceito defende o mínimo impacto ao meio ambiente, desde o momento de produção até à aquisição de roupas e acessórios, reduzindo, assim, a poluição da produção das peças, por fazer opção por matérias-primas naturais, através de produtos orgânicos ou reciclados.

Moda e meio ambiente

Lukas/ Pexels.com

A moda sustentável já é vista há alguns anos em grandes desfiles e em algumas marcas, que trazem em suas peças tecidos 3D, tecidos inteligentes, materiais reutilizados, orgânicos e tecnologia wearable. Foi também baseado nesses conceitos que surgiu o slow fashion, um modelo de produção que valoriza quem faz, os processos, e que respeita o tempo real de produção e a cultura local; contrapondo-se, assim, ao modelo tão conhecido por nós, o fast fashion, que, para vender maior quantidade em um curto período, incentiva uma rápida produção em grande escala, geralmente desvalorizando pessoas, processos e o meio ambiente.

Mas como podemos aderir a esse conceito? Por onde começar? A diretora executiva do Fashion Revolution Brasil, Fernanda Simon, afirma que o primeiro passo é dar valor às roupas, além de saber cuidar delas. Existem outras maneiras de aderir à moda sustentável, como: apostando em tecidos eco-friendly, adquirindo produtos com tingimentos naturais, conhecendo sobre marcas sustentáveis e investindo em brechós e bazares.

A jornalista Águida Cunha se diz adepta da moda sustentável e há alguns anos vem fazendo uso do pensamento e do consumo consciente da moda. “Comprar roupas de marcas que gosto, com cortes que gosto, e com preços acessíveis, além da questão de reaproveitar as roupas e não contribuir para a produção de poluentes ao meio ambiente, foram as minhas principais motivações para aderir aos brechós”, afirmou.

Consumo sustentável

Já a cantora potiguar Edja Alves também viu no conceito de sustentabilidade uma oportunidade de renda, e assim montou um bazar, que diz ter “nascido da junção entre sustento e sustentabilidade”. Segundo a empreendedora, além de aumentar sua renda, a criação do bazar evita o descarte de roupas, promovendo, assim, a rotatividade do consumo sustentável.

O futuro da moda sustentável não está apenas nas novas tecnologias, mas perpassa a promoção da conscientização do consumidor de como e onde as roupas são feitas, e de como elas são eliminadas ou reutilizadas. Nenhuma marca também poderá se omitir de suas responsabilidades sociais e ambientais. Tornar-se sustentável e permanecer na sustentabilidade não é uma moda passageira, é uma realidade que veio para ficar e que vai exigir engajamento das empresas e dos consumidores.

Vitória Élida é bióloga, pedagoga e jornalista. Atua na área de educação, mas dedica parte de seu tempo a escrever sobre temas referentes a meio ambiente, educação, juventude e Igreja. Encontra nos seus textos uma forma de estar em maior conexão com o mundo e consigo mesma.

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