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Mães da geração Covid - Revista Familia Cristã

Mães da geração Covid

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A pandemia trouxe ainda mais incertezas para quem vivencia a maternidade pela primeira vez

Por Simone Oliveira

Março de 2020. O mundo inteiro se vê diante do surto da doença do novo coronavírus, que trouxe mudanças significativas no nosso modo de viver e de se relacionar. Para as grávidas, este cenário atual é ainda mais desafiador, pois essas mulheres não estão sozinhas. Existe outra pessoa dentro do ventre delas.

Muitas mulheres grávidas sonham com os mimos que uma gestação sugere, como os ensaios fotográficos com o barrigão e o chá de fraldas do bebê. Tudo precisou ser adaptado, e os sonhos ganharam outras formas. Os passeios foram trocados por idas e vindas pelos cômodos da casa e as compras do cotidiano passaram a ser feitas por aplicativos.

Gravidez
O mais difícil foi ficar longe da minha mãe (Kelly Pinheiro com a mãe, dona e Heitor). Foto: Arquivo Pessoal

Sonho de ser mãe

Geração Covid
Kelly Pinheiro junto com o esposo, Hugo Joatierres e Heitor. Foto: Arquivo Pessoal

Para a empresária Kelly Pinheiro, o sonho de ser mãe pulsava de forma planejada muito antes do início da pandemia da Covid-19. Casada há seis anos, a notícia de que estava grávida chegou em novembro de 2019. “Foram cinco meses de preparação para a minha primeira gravidez”, afirma a mãe de Heitor, hoje com um ano de idade.

A mamãe de primeira viagem viveu seu maior sonho de uma forma jamais imaginada por ela. “Minha gravidez foi muito desejada por todos da família e amigos, e não tê-los fisicamente perto de mim foi bem complicado. O mais difícil da gestação foi não compartilhar este momento com a minha mãe”.

O primeiro susto diante do novo que a pandemia apresentou foi revelado ainda no pré-natal: “Precisava marcar um importante exame para ver se o coração do meu filho estava bem e fui avisada de que tudo estava suspenso, parado. Chorei bastante e tive medo”, relata a empresária.

O medo foi a tônica que permeou todo o final da gravidez e o parto do pequeno Heitor. “Não aguentava falar sobre a Covid, pois tinha medo de morrer e não conhecer o meu filho”. Após 14 dias do nascimento, o bebê precisou ser internado para tratar de uma hipoglicemia e pneumonia. Foram 11 dias de internação, sete deles na UTI. “Aprendi a ser mãe da forma mais difícil. Foram longos dias de solidão. Como supliquei a Deus que me deixasse ser mãe e ver meu filho crescer! A fé foi o que me sustentou”, diz Kelly. Hoje, o pequeno Heitor é uma criança esperta e com muita saúde.

Maternidade em plena pandemia

Para outras mulheres, a maternidade chegou em plena pandemia, e, em alguns casos, com julgamentos e opiniões sobre a possibilidade de adiamento da gravidez devido às limitações que a Covid impõe a todos. Resta-nos apenas o demonstrar nosso carinho por essas guerreiras, que colocam o amor pelos filhos em primeiro lugar!

Pandemia
Toda mãe é co-criadora junto a Deus (Julieta Costa, mãe de Antônio e Joaquim). Foto: Arquivo Pessoal

Julieta Costa, de 32 anos, mãe do Antônio, de um ano e 10 meses, e do recém-nascido José, vivenciou as duas gestações em tempos distintos. “Apesar da pandemia, a gravidez de José foi mais leve que a de Antônio, devido a alguns problemas de saúde que tivemos. Essas dificuldades não impediram que a minha primeira gravidez transcorresse bem. O apoio do meu marido e da minha família foi fundamental”.

Para a mamãe dos dois meninos, fica a certeza de que, independentemente das circunstâncias externas, viver a maternidade é algo grandioso. “A vida tem que continuar, pois Deus continua sendo Deus. O amor que sinto me dá vida. Tive medo, assim como Cristo também o sentiu, mas o amor que tenho pelos meus filhos só cresce e me dá força, me transforma e muda a minha vida diariamente.”

Família
O apoio familiar foi fundamental pra mim (Julieta Costa e família). Foto: Arquivo Pessoal

Sinal de esperança

E quis a vida que, nessa família, outra criança chegasse, pela irmã dela, a publicitária Maria Antônia Sacramento, de 34 anos, que recebeu a notícia da maternidade como uma bênção e com alegria intensa, tanto para ela quanto para o marido, que aguardavam ansiosos pela chegada do primeiro filho. “Foi uma grande surpresa e um milagre que recebemos, pois já nos preparávamos para esse momento havia quatro anos. Queríamos muito esse filho!”

Insegurança diante do novo

A pandemia veio acrescentar ainda mais incertezas às que geralmente surgem para quem vivencia a maternidade pela primeira vez. “Tenho muitas inseguranças e dúvidas, sobretudo por conta da Covid. Mesmo vacinada, sinto medo de contrair o vírus; trabalho de casa e não saio para lugar nenhum. O enxoval de Joaquim está sendo preparado com compras pela internet”, ressalta Maria Antônia.

A previsão é de que “Quinquim”, como é amorosamente chamado Joaquim, chegue ao mundo no final de setembro e faça parte das crianças nascidas na geração pandêmica, com as limitações e os anseios do desconhecido que a doença trouxe, mas que não conseguiu diminuir o amor e o desejo no coração dessas mães.

Simone Oliveira é jornalista, radialista e assessora de Comunicação e Imprensa das maiores festas religiosas católicas de Pernambuco. Dentre as alegrias que a vida lhe traz, uma está em contemplar o mar junto de quem ama. O simples faz toda a diferença.

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