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As dores e delícias da maternidade - Revista Familia Cristã

As dores e delícias da maternidade

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Histórias de mulheres que enfrentaram desafios para se tornar mães

Por Luciana Rocha

Depois de cinco gestações, chegou o tão sonhado filho. Uma filha biológica e outra por adoção. Três filhos, sendo dois com deficiência. Três mulheres. Três mães com suas histórias e a certeza de que o amor tudo supera.

Caetano nasceu em dezembro de 2021 e transformou a vida da jornalista Raquel Penaforte Garcia Costa, 33 anos. Ela conta que sempre quis ser mãe e seguiu os planos da vida: namorou, casou e engravidou. Raquel sofreu um aborto espontâneo que se repetiu por mais quatro vezes. Porém, ela não desistiu do seu grande sonho. “Nessa primeira perda, as pessoas me convenceram de que era ‘uma coisa normal, natural, comum de acontecer’, e eu deixei isso justificar aquela perda. Eu nunca encontrei uma razão que a justificasse, nada em mim nem no meu marido. Quando engravidei do Caetano, foi diferente, não sei explicar, eu tinha certeza de que aconteceria”, diz Raquel.

Raquel pediu a Deus um sinal: “Se era o sonho Dele que eu me tornasse mãe, queria receber uma flor, no prazo de uma semana, para confirmar meu desejo. Eu fiz o pedido no domingo e recebi uma rosa branca na sexta-feira. E para mim foi um sinal positivo de Deus. Ainda demorou bastante até que Caetano chegasse. Mas eu tinha fé de que seria mãe”, aponta. Para Raquel, a maternidade é vocação e ser mãe é doação, ter empatia no grau mais elevado da palavra. 

De acordo com a psicanalista Cinara Cordeiro, existe um mito de que toda mulher nasceu para ser mãe; no entanto, a falta de autoconhecimento tem levado muitas mulheres a terem filhos sem ao menos compreender suas dores, tornando um sofrimento a educação. “A maternidade precisa vir de um desejo e de uma consciência de que será para sempre, com alegrias, desafios e muita responsabilidade”, explica.

Mãe por adoção

A arquiteta Áurea Medrado é mãe por adoção de Evelin, de 18 anos, e mãe biológica de Mariana, de 23 anos. Mas o grupo de irmãos é maior. Isso porque a filha mais nova tem mais dois irmãos, Laura e Vítor, que foram adotados em São Paulo. “Cada criança foi adotada por uma família e nós mantemos contato com as famílias. A família da Laura adotou também a Ana Clara, hoje com oito anos. Então, consideramos cinco irmãos e a Mariana é mais velha”, destaca.

Maternidade
Áurea e as filhas, Evelin e Mariana. Foto: Arquivo Pessoal

Áurea conta que tem duas experiências de maternidade diferentes e interessantes. “Quando engravidamos, o mundo todo ‘treina’ a gente. As pessoas falam: ‘Olha, você vai ficar enjoada, vai dar muito sono, fica pesado, deita de lado’. Onde você vai todo mundo contribui para o nascimento dessa mulher, e as pessoas são carinhosas, generosas, dão presentes, cuidam e protegem. O período da gestação é de muito cuidado. Na adoção, a gente também fica grávida. O tempo de espera da chegada da criança é de preparação. Diferente da gravidez biológica, a gente não sabe o tempo certo, nem quando vem, qual a idade, não sabe nada de como será. Além disso, existem muitos preconceitos e mitos. As pessoas têm medo. E normalmente a gente escuta: ‘Por que vai fazer isso?’, ‘Você não sabe o que virá, tá procurando problema’, ‘Você tem certeza?’. As pessoas colocam mais medo e dúvida do que nos parabenizam”, relata.

Para ela, a maternidade é opção, pois você escolhe amar outro ser. “Ser mãe é uma escolha, existem perdas e ganhos, e você vai ganhar muita alegria, amor, carinho. Mas também vai abrir mão de muita coisa. Essa opção tem que ser consciente. Ser mãe é maravilhoso e dá trabalho. Não adianta querer romantizar, dizer que não é cansativo. É importante ser consciente e não transferir para o outro a responsabilidade de nossas escolhas”, afirma.

Cinara Cordeiro pontua que a maternidade nos dias de hoje tem sido cada vez mais desafiadora e muito solitária. “Desafiador devido às demandas diárias e influências que as crianças recebem constantemente. No entanto, é necessário ter atenção ao que os filhos assistem, escutam e são estimulados a realizar. E as famílias, vivendo todas essas coisas, se fecham cada vez mais e evitam compartilhar alguns desafios por receio dos julgamentos, tornando a maternidade solitária e muito angustiante.” De acordo com ela, o maior desafio da maternidade é conciliar a carreira profissional e a presença no lar.

Fé e maternidade

Maternidade
Carla e os 3 filhos. Foto: Arquivo Pessoal

Carla Maria Fernandes Andrade de Freixo faz parte do Grupo das Mães que Oram pelos Filhos, da paróquia Santo Afonso, no bairro Tijuca, no Rio de Janeiro. Ela fala que a iniciativa a fez aproximar-se da religião católica e foi um grande divisor em sua vida.

 Carla busca viver intensamente a fé e a missão. Como a maioria das jovens da época, tinha o sonho de casar e ter filhos. Conheceu o marido na faculdade e engravidou pela primeira vez. “Nosso primeiro filho Daniel nasceu com uma síndrome genética rara que exige muitos cuidados. Ele passou por uma internação grave, pensamos que iríamos perdê-lo. Mas Deus veio ao nosso auxílio e não permitiu que isso acontecesse. Não pensávamos em ter mais filhos, porém, após a saída dessa internação de cerca de 26 dias, descobri que estava novamente grávida. Apesar do receio de vir outro filho com as mesmas condições, não tive dúvida de que queria aquele filho. Então, nasceu o Vítor, lindo e saudável”, lembra.

Alguns anos depois, Carla teve problemas ginecológicos e o médico a orientou a retirar o útero e os ovários. Antes da cirurgia, uma surpresa. Estava grávida e, apesar dos riscos e incertezas, decidiu que teria o terceiro filho. Mas, em uma ultrassonografia no sétimo mês, houve a suspeita de que era outro filho com deficiência, dessa vez com acondroplasia (nanismo). Apesar de tudo, ela tem certeza de que Deus esteve e está presente. “Todas as experiências das minhas maternidades fizeram com que eu me tornasse uma pessoa melhor. Tenho aprendido tanto com meus filhos! Eles são realmente tesouros que nosso amado Pai nos presenteou, para que nós, que somos mães, possamos nos aproximar da dimensão do grande amor que Ele tem por cada uma de nós”, finaliza.

Luciana Rocha é jornalista, especialista em Jornalismo e Práticas Contemporâneas e mestra em Comunicação Social e Tecnologia. É mãe da Beatriz, acredita no bem e sonha com um mundo mais humano e justo. Deus sempre em primeiro lugar!

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