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Maker, o movimento “mão na massa” - Revista Familia Cristã

Maker, o movimento “mão na massa”

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De maneira divertida, a cultura maker estimula a criatividade, o compartilhamento de ideias e entende que o erro é o caminho para a solução do problema

Por Juliana Borga

Maker, em inglês, significa “fazedor”, “realizador”. Pode ser que você nunca tenha ouvido falar sobre cultura maker, mas certamente conhece as expressões “faça você mesmo” e “colocar a mão na massa”. Elas estão diretamente relacionadas ao conceito maker, que significa que qualquer pessoa, dotada das ferramentas e dos conhecimentos certos, pode criar as próprias soluções para problemas cotidianos.

O movimento maker surgiu nos anos 1960, inspirado na cultura punk, que incentivava quebrar as regras e estabelecer suas criações por meio de materiais próprios. A popularização do termo aconteceu em 2005, após o lançamento da revista Make e do evento Maker Faire, nos Estados Unidos. Mas o movimento não ficou restrito ao mercado empreendedor, contribuindo também no campo da educação.

Manual de instruções

Já reparou como a internet está repleta de tutoriais com o passo a passo de inúmeros processos para você reproduzir artesanalmente em casa? Esses vídeos são uma evolução dos manuais de instruções, com uma roupagem mais atraente e didática. 

cultura maker
Mari Fulfaro e Iberê Thenório são os criadores do Manual do Mundo, uma das maiores produtoras de entretenimento educativo do país. Foto: Gabriel Barrera

A cultura maker mostra que ninguém precisa ser grande especialista para ser um maker. Mari Fulfaro e Iberê Thenório são os criadores do Manual do Mundo, uma das maiores produtoras de entretenimento educativo do país, com mais de 18 milhões de seguidores em suas redes digitais. Quem assiste a seus vídeos percebe que eles defendem a premissa da “Ciência para todos”. Por isso, perguntamos sobre as características necessárias para ser um bom “fazedor”: “A principal característica é estar disposto a aprender, a melhorar. Porque, no começo, ninguém vai acertar tudo, as coisas vão sair meio tortas, meio esquisitas, feias, vai ter muito erro, mas, no futuro, você vai melhorando. E tem que estar disposto a tentar muitas vezes também, porque o gostoso é fazer e não ter necessariamente o objeto final feito”, afirma Iberê Thenório.

Sem medo de errar

Movimento maker
Divulgação Sesi SP

No universo maker podemos ter ideias, construir coisas, reformá-las e compartilhar com os amigos sem preocupação com os erros. Existe até o manifesto maker! Uma versão resumida foi publicada no livro O Manifesto do Movimento Maker: Regras para Inovação no Novo Mundo dos Artesãos, Hackers e Reformadores, de Mark Hatch, um dos gurus do movimento.

Entre os princípios do manifesto estão:

● Faça – coloque a mão na massa, não somente para criar, como também para reformar ou consertar o que já existe.

● Aprenda – procure sempre aprender mais. O desejo de aprender impulsiona o aprendizado de novas técnicas, materiais e processos.

● Permita-se errar – o erro não acontece de propósito, mas é bem-vindo, pois dá uma pista do que pode ser melhorado.

● Compartilhe – esteja aberto à colaboração! A ideia é aprimorada com a participação de todos.

● Divirta-se – tenha bom humor e alegria. O maker é uma forma de aprendizado, mas tem que ser divertido.

Educação maker

O movimento maker é um desdobramento das inúmeras possibilidades de massificação abertas nos últimos trinta anos, pela miniaturização e popularização de objetos de informática, computadores pessoais, circuitos, softwares e hardwares livres. E também pelo barateamento de equipamentos como impressoras 3D, cortadoras a laser, blocos de montar e kits eletrônicos para criação de protótipos. Aliás, graças à popularização do mundo digital e à redução dos preços de equipamentos de ponta, o movimento maker foi parar nas escolas.

Maker
Ivanei Nunes, supervisor técnico educacional do SESI São Paulo. Foto: Divulgação Sesi SP

Mas o que isso tem a ver com educação? Para o supervisor técnico educacional do SESI São Paulo, Ivanei Nunes, a educação deve ser um espelho de seu tempo, deve proporcionar aos estudantes a possibilidade de atuar na sociedade de modo que eles possam conviver e aprender, desenvolvendo e colocando em prática sua criatividade para atender a necessidades próprias ou para melhorar a vida das pessoas. “Nesse sentido, a cultura maker configura-se como uma abordagem atual, potente e significativa para aprendizagem. A eficácia da aprendizagem proporcionada pelo ‘fazer’ é enorme, por isso privilegiamos em nosso currículo aulas que integram disciplinas e estimulam a prototipagem, como programação e robótica”, explica.

Para Juliana Caetano, coordenadora de Tecnologia Educacional do Colégio Stance Dual, em São Paulo (SP), a cultura maker quebrou com a verticalização do saber, pois se contrapõe a uma educação pautada na transmissão da informação do professor para o aluno: “Ela evidencia a ação do aluno na construção do conhecimento e traz uma perspectiva que está alinhada com o que precisamos fazer hoje: experimentar, criar, ser autor”, explica.

Artesãos na internet

Não fique preso à ideia de que para ser maker é necessário entender de tecnologia ou programação. As diferentes áreas maker englobam dispositivos eletrônicos, mas também colagem, pintura, costura, marcenaria etc. “Graças ao compartilhamento na internet, os diferentes ramos desta cultura cresceram bastante. As pessoas trocam ideias sobre qual corante vão usar, qual a proporção de ingrediente, como você constrói e tudo mais. Há muita coisa ligada ao cultivo de plantas em casa, criação de horta, montar irrigação, construir objetos com marcenaria, cimento. Então, todo mundo acha alguma coisa que tem a ver com o que gosta dentro da cultura maker”, finaliza o experiente Iberê Thenório, do Manual do Mundo.

Juliana Borga é jornalista, três vezes vencedora do Prêmio Dom Helder Camara de Imprensa. É mãe coruja da Helena e adora escrever sobre temas que colaboram para um mundo mais humano e solidário.@juborgajornalista

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