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Lixo doméstico: a consciência ambiental começa em casa

Lixo doméstico: a consciência ambiental começa em casa

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O lixo que produzimos ameaça o meio ambiente e a saúde do planeta. Saiba como se tornar mais sustentável e reduzir a produção de resíduos no dia a dia

Por Vitória Élida

Nos últimos trinta anos, a geração de resíduos sólidos nas cidades cresceu três vezes mais do que a população urbana. Dados revelam que, atualmente, produzimos mais de 1,4 bilhões de toneladas por ano de lixo, ou seja, cada um dos sete bilhões de habitantes do planeta é responsável por produzir mais de um quilo de lixo por dia.

Essa realidade faz com que a questão dos resíduos sólidos seja um dos grandes problemas para a promoção efetiva da sustentabilidade. Parte desse desafio se dá pela destinação incorreta desses resíduos, atingindo rios, mares e lençóis freáticos. O lixo mal destinado afeta não só a biodiversidade como também a atividade pesqueira e turística, trazendo prejuízos financeiros, além dos ambientais.

Mas o que a população em geral pode fazer para mudar a realidade que envolve essas questões? Para que o meio ambiente caminhe de fato para a sustentabilidade é preciso que estimulemos ainda mais a formação cidadã no que concerne à sensibilização ambiental, levando, além de tudo, conhecimento sobre o uso consciente.

O lixo é reflexo das nossas escolhas

Apesar de ser um tema já bastante discutido, a questão da reciclagem ainda não é algo que ganhou força como uma atitude comum nas populações. A dificuldade de entender o conceito e a forma de como fazer uso da reciclagem ainda existe entre as pessoas. Nesse contexto, cabe a discussão sobre a implementação eficaz dessa prática nas populações, em especial no que se trata da produção e manutenção do lixo produzido nas casas. A presidente da Comissão de Gestão de Resíduos Sólidos da UTFPR de Londrina, dra. Tatiane Cristina Dal Bosco, diz que, desde 2010, o Brasil conta com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, lei em que está prevista essa responsabilidade do gerador de resíduos no que diz respeito à separação na fonte e sua destinação adequada aos sistemas de coleta.

Segundo ela, de modo prático, “reduzimos a geração de resíduos quando fazemos escolhas mais conscientes, e a questão ambiental passa a ser critério de nossas compras, quando mudamos nossos hábitos e entendemos que os resíduos não são um ‘problema’, mas sim um recurso, que podem servir, inclusive, como fonte de renda para outras pessoas, como é o caso dos recicláveis para os catadores”, diz.

Meio ambiente
Pexels / Gustavo Fring

Outro ponto relevante nessa questão emergiu com a pandemia causada pela Covid-19. Com a exigência de que as pessoas precisariam evitar sair de suas casas, o aumento no uso dos serviços de deliveries e de compras online aumentou de forma significativa, gerando um acentuado crescimento na produção e descarte de embalagens, principalmente as descartáveis. Com relação a isso, Tatiane afirma que há como a população evitar a geração destes resíduos, como quando não faz o uso do canudo plástico ou quando escolhe talheres permanentes e sacolas retornáveis.

A bióloga e professora Gabriela Zuza fez o percurso contrário: ao invés de aumentar o uso desses materiais durante a pandemia, dedicou-se a conhecer ainda mais sobre práticas de reciclagem e tratamento dos resíduos. Para isso, pesquisou e estudou sobre o tema, principalmente através do movimento Menos Um Lixo, que promove a educação ambiental. Para ela, foi muito importante compreender mais não só sobre a reciclagem, como principalmente sobre a produção do lixo. “Como professora de Ciências, sempre busquei trabalhar esse tema com meus alunos, mas foi na pandemia que consegui me dedicar a saber o quanto de lixo produzimos, o que realmente é necessário produzir, o que podemos reutilizar, como podemos evitar o uso de descartáveis”. Com ações, ela reduziu o lixo doméstico iniciando pelas embalagens, produzindo seus próprios produtos de limpeza e comprando produtos com embalagens de papel. Além disso, potencializou a coleta seletiva do seu lixo, separando os materiais e levando para locais de reciclagem. Quanto ao lixo orgânico, Gabriela afirmou já ter iniciado a confecção de sua própria composteira.

Como reduzir e descartar o lixo doméstico

Repensar as nossas práticas e buscar novas estratégias se faz emergente na sociedade atual. A cultura do descarte e da efemeridade das coisas induz as populações a não pensarem de forma sustentável. Nesse sentido, a dra. Tatiane assegura que devemos buscar formas de como reduzir o quantitativo de resíduos, além de aprendermos a maneira correta de descartarmos o que produzimos em nossas casas.

Segundo ela, práticas como reusar os resíduos que geramos, antes do seu descarte, é bastante válida nesse caminho. Outras dicas importantes são: compreender como é feita a coleta de resíduos no município em que se vive, já que algumas cidades fazem duas coletas (resíduos recicláveis e orgânicos e rejeitos misturados) e outras, três (resíduos recicláveis, orgânicos e rejeitos).

Além dos resíduos tradicionalmente gerados, há os “especiais”, que são gerados esporadicamente, como é o caso de pilhas, baterias, lâmpadas fluorescentes, medicamentos vencidos, eletroeletrônicos, entre outros. Estes resíduos já possuem sistema de logística reversa implementados, com pontos de coleta em cada município.

Nesse caminho de redução do lixo doméstico, outras estratégias para a separação dos resíduos também podem ser utilizadas, como: lavar as embalagens do tipo longa vida, latas, garrafas e frascos de vidro e plástico, e secá-los antes de separar em coletores. Guardar os papéis secos, dobrados e não amassados. Não misturar material orgânico com recicláveis.

Ao repensarmos a forma com que lidamos com nosso lixo, geramos uma sensibilização acerca da nossa relação com o ambiente. “Ações como estas, locais, pequenas, mudam o mundo.”

Vitória Élida é bióloga, pedagoga e jornalista. Atua na área de educação, mas dedica parte de seu tempo a escrever sobre temas referentes a meio ambiente, educação, juventude e Igreja. Encontra nos seus textos uma forma de estar em maior conexão com o mundo e consigo mesma.

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