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A juventude e suas fragilidades na atualidade - Revista Familia Cristã

A juventude e suas fragilidades na atualidade

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Cercado de tecnologia, competitividade e permissividade, por que o jovem é considerado frágil?

Por Simone Vioto

Ser jovem! Muitas pessoas, ainda quando crianças, esperam ansiosamente por essa fase da vida. Há uma nuvem mágica que envolve ser jovem! Há incutido nesse momento do ciclo vital a ideia de plenitude do corpo, das capacidades de aprender, de viver e conhecer o mundo, tecendo experiências que serão um alicerce para vida.

Porém, atualmente, a juventude tem sido permeada por grandes dificuldades, situações essas que têm deflagrado acometimentos na saúde mental, social e, até mesmo, física.

Quem é o jovem na atualidade e o que acontece com ele? Quais obstáculos eles têm enfrentado? Podemos comparar o jovem atual com gerações passadas e com como essas lidavam com seus conflitos?

A juventude: o que é?

A definição de juventude é algo bastante complexo. Para alguns autores, adolescência e juventude são sinônimos. Para outros, a utilização do conceito de juventude se aplica mais às questões de ordem sociológica, enquanto o conceito de adolescência é relativo às discussões psicológicas.

Em relação a alguns documentos, como o Estatuto da Juventude, o jovem é aquele com idade entre 15 e 29 anos. Já para a Organização das Nações Unidas (ONU), a idade referência é entre 15 e 24 anos. Contudo, mais que a faixa etária e o consenso entre teóricos, a juventude é permeada por questões sociais, culturais e econômicas.

A adolescência é um momento de grandes mudanças em vários aspectos. Fisicamente, as mudanças hormonais e, por consequência, no corpo, podendo ser compreendidas como a puberdade; nos aspectos cognitivos, ocorre o avanço e maturidade do pensar; nas questões afetivas, o jovem busca ter sua própria identidade, ligar-se emocionalmente e manter relações de intimidade com as pessoas; quanto às condições sociais e econômicas, ele tem a necessidade de ser um componente do meio que o cerca e de poder manter-se economicamente independente dos pais.

Porém, temos assistido ao fenômeno de alargamento desse período do ciclo vital: a entrada na adolescência tornou-se mais precoce e a saída dela mais tardia. O tempo de permanência e dependência dos pais ou dos adultos que cercam o jovem aumentou. O enfrentamento das responsabilidades e demandas da vida adulta está cada vez sendo mais postergado. Mas, por que esta condição tem acontecido?

A atualidade e a juventude

O jovem, na atualidade, é cercado da tecnologia, de uma enxurrada de informações encontradas a partir de um clique. Vive diante de uma grande competitividade, gerada por um sistema de concorrência, desde a vida acadêmica até o mercado de trabalho. Enfrenta o aumento da violência, uma das principais causas que levam os jovens a óbito, condições de vulnerabilidades, tais como o uso e abuso de substâncias e transtornos relacionados à saúde mental, como ansiedade, depressão, transtorno dismórfico corporal, automutilação, entre outros.

Jovem
Pexels.com/Helena Lopes 933964

A juventude atual tem enfrentado também grandes dificuldades em inserir-se no mercado de trabalho. A mudança dos mercados, as exigências das vagas e também a diminuição delas, têm deixado os jovens longe da atividade de trabalho, e isso tem atrasado sua autonomia financeira.

Além disso, os pais e familiares dos jovens da atualidade adotaram um manejo de educação marcada por grande permissividade. O psiquiatra Içami Tiba usou a expressão “parafusos de geleia” para descrever a consequência dessa conduta dos pais para com seus filhos. A dificuldade dos pais em dizer não, favorecendo e proporcionando tudo e conduzindo coisas que poderiam ser assumidas pelo filho, facilitou a pouca resistência e autonomia do jovem. Diante de um “apertão”, rapidamente a fragilidade se torna evidente.

Em muitos casos, ante as culpas vividas pelos pais por estarem muito tempo no trabalho, por estarem distantes física e emocionalmente dos filhos, a dificuldade em dizer não, em frustrar, em impor limites, é grande e a construção de condições que facilitem experiências de busca de alternativas em lidar com a dor não é proporcionada.

Esses e outros fatores têm levado a juventude a viver uma ausência de desejo, uma dificuldade em querer sair do estado de ser jovem e adentrar na vida adulta. Esse não desejo pode ser visto por muitos como sinônimo de fragilidade.

Mas, na minha época, não era assim!

É comum ouvirmos essa frase por parte das pessoas envolvidas com o jovem de hoje. E realmente, é verdadeira a sentença acima! Em outra época não era assim. Alguns autores adotam a denominação de gerações: X, Y, Z, Alfa ou Glass. Cada uma dessas gerações é marcada por características concernentes àquele momento, e isso faz toda a diferença na compreensão dos outros.

Dessa maneira, ao olharmos o nosso jovem, precisamos estar atentos ao aqui e agora. As comparações podem facilitar a compreensão de mudanças, mas não devem servir como pontos de partida para classificar se há gerações melhores ou piores. A geração que aqui está é fruto de construções de um mundo marcado pelas gerações passadas.

E o que podemos fazer mediante as fragilidades da nossa juventude? Abrir espaços de escuta, dizer não quando assim for preciso, favorecer o protagonismo do jovem, despertar vivências da criatividade, desenvolver o sentimento de pertença, proporcionar o cultivo da autoestima, ressaltar a importância da família, do estar junto, da busca pela religiosidade, da saúde física e mental, são algumas das possibilidades para auxiliar nossa juventude a ser mais forte e resiliente.

A vida não está em um clique! O caminho se constrói ao caminhar! A vida se vivencia, vivendo!

Simone Vioto é psicóloga há 21 anos, professora universitária e cantora. Atua nas áreas da psicologia clínica e educacional. Gosta de viajar, cantar, estudar, dividir momentos com seu esposo, familiares e amigos. O trabalho é uma das coisas que a torna mais feliz.

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