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Junho: mês de festas e tradições - Revista Familia Cristã

Junho: mês de festas e tradições

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Comemoração de origem religiosa, hoje as festas juninas são vistas como uma festividade popular e estão presentes em diversas regiões do país

Por Cacilda Medeiros

”A fogueira tá queimando / Em homenagem a São João
O forró já começou / Vamos gente, rapapé nesse salão”

(Trecho da música de Luiz Gonzaga)

Fogueira, bandeirinhas, comidas feitas à base de milho, quentão, roupas caipiras, quadrilhas, forró e alegria. Tudo isso em um único mês do ano: junho, o mês das festas juninas, quando são comemorados os santos Antônio, João e Pedro. São festejos que destacam diferentes culturas, mostrando a diversidade do Brasil, principalmente na dança e na culinária. A região Nordeste se destaca nas tradições juninas, mas elas também são vividas em todas as demais regiões do país, de acordo com suas particularidades. 

Historiadores mostram que as festas juninas têm origem nas festas pagãs realizadas na Europa, na passagem da primavera para o verão. No Brasil, sabe-se que tiveram início a partir do século 16, quando as tradições populares da Península Ibérica (Portugal e Espanha) foram trazidas para cá pelos portugueses, durante o período de colonização.

A comemoração que, em sua origem, era somente religiosa, hoje é vista como uma festividade popular. Além de ser uma das mais tradicionais festividades brasileiras, é uma manifestação cultural relativa aos percursos históricos e sociais de diversas regiões do país.

Festa Junina
Pexels.com

Festejos nas escolas

As festas juninas, também conhecidas como “arraiás”, acontecem nos pátios das igrejas, nas ruas, nos clubes e nas escolas, lugares privilegiados para as festividades. Crianças e adolescentes aguardam ansiosos por essa época do ano.

Festa Junina
Festa junina no Colégio Marista. Foto: Yearbook Marista Natal

Em Natal (RN), o Colégio Marista mantém a tradição de festejar, anualmente, os santos juninos, unindo cultura e religiosidade, e envolvendo não só os alunos como também seus familiares. “Organizamos as festividades levando em consideração três palavras: fé, cultura e vida, destacando a cultura regional”, explica Carlos Henrique, responsável pelo Serviço de Arte e Cultura do Colégio Marista.

Desde 2013, a cada ano, a direção, juntamente os alunos escolhem um personagem folclórico ou um município potiguar para homenagear. “Em 2013, homenageamos o folclorista Câmara Cascudo, com o tema: ‘Marista no reino de bambuluá’. Neste ano de 2022, fizemos uma consulta entre os alunos e decidimos homenagear São Gonçalo do Amarante: cidade de fé, cultura e tradição”, diz Carlos Henrique. 

São Gonçalo é um dos municípios mais antigos do estado do Rio Grande do Norte. Localizado na região metropolitana de Natal, é rico em tradições culturais, artesanato e religiosidade, além de ser a terra dos Mártires de Uruaçu, que foram mortos por defender a fé católica, em 3 de outubro de 1645.

Cidade junina

O Colégio Marista viverá dois dias de festas, 10 e 11 de junho, reunindo alunos desde o ensino fundamental até os do último ano do ensino médio, e será transformado na cidade junina de São Gonçalo do Amarante. “Antes, em preparação, levamos os alunos a fazer todo um estudo sobre a história e as manifestações culturais do município homenageado. A partir daí, começamos a ensaiar para o festival de quadrilhas e organizar os espaços físicos para as apresentações. Esses espaços recebem nomes de lugares ou personagens do município. Teremos também feira de artesanato e gastronomia, com comidas típicas desta época do ano, além das imagens do padroeiro do município, São Gonçalo do Amarante, de Santo Antônio, de São João, de São Pedro e dos Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu”, conta o coordenador. 

Festas Juninas
Arraiá do Colégio Marista. Foto: Yearbook Marista Natal

Para instigar a participação dos alunos, a direção promove o festival de quadrilhas, que é uma competição envolvendo as turmas a partir do 8º ano. De acordo com Carlos Henrique, os próprios estudantes organizam a história, a coreografia e os trajes típicos, levando em consideração o tema escolhido.  

Lorena Eliza Teixeira, aluna do 2º ano do ensino médio, começou a estudar no Colégio Marista em 2012 e, desde então, aguarda ansiosa pelas festas juninas, especialmente agora, após dois anos sem a realização dos folguedos, devido à pandemia. “Eu gosto porque o São João tem o objetivo de, com um jeito lúdico, unir mais os alunos entre si e a coordenação, através do planejamento, dos ensaios e da própria festa. A gente idealiza, se esforça, para fazer o melhor, de um jeito competitivo, mas sadio”, diz a estudante. 

Preservação das manifestações culturais

Para Lorena Eliza, as festas juninas na escola ajudam as novas gerações a conhecerem e a preservarem as tradições dos folguedos típicos da época. “As festas juninas nos ajudam a conhecer mais a fundo os personagens homenageados e a preservar nossas tradições culturais folclóricas, especialmente as manifestadas nesta época do ano, e levá-las para a vida”, enfatiza.

Carlos Henrique lembra que uma das finalidades do Colégio, ao promover essas festividades, é resgatar manifestações culturais que pareciam estar meio adormecidas. “O simples fato de levar os adolescentes a dançar uma quadrilha junina, embalada por músicas tradicionais, já é um resgate dessas manifestações culturais”, diz.

Cacilda Medeiros é graduada em Letras e em Jornalismo, com especialização em Jornalismo Empresarial e Assessoria de Imprensa. Atualmente, coordena o Setor de Comunicação da Arquidiocese de Natal (RN). É apaixonada pela natureza e por histórias de vida e de comunidades transformadas. Instagram: @cacilda_medeiros

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