Já sou assinante!

Ainda não é assinante?

Identifique-se para ganhar mais 2 artigos por semana!

ou

ou Assine Já

Jovem e desemprego - Revista Familia Cristã - Editoria Juventudes

Jovem e desemprego

Artigos Recentes

A constante busca diante de um cenário sem oportunidades

Por Vitória Élida

A questão do desemprego no Brasil nunca deixou de ser pauta nos noticiários. Sofremos, por longos e exaustivos anos, com as marcas crescentes de taxas de pessoas sem emprego, chegando a um número superior a 13 milhões de brasileiros, gerando, assim, aumento de pessoas endividadas e de famílias em situações vulneráveis. Essa situação é ainda mais desafiadora para jovens com idade entre 18 e 24 anos. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) apontam que, enquanto a taxa de desemprego, de forma geral, está em 11%, em 2020, o número de jovens desempregados alcançou 27,1%.

Historicamente, os jovens já apresentam maior dificuldade em ingressar no mercado de trabalho, mas, nos últimos tempos, a situação tem se agravado. A crise financeira enfrentada pelo país, a falta de oportunidades e, em muitos casos, a desistência pela busca de uma vaga no mercado de trabalho, refletem essa realidade. Jovens recém-formados relatam a dificuldade em conseguir uma ocupação em suas áreas de formação.

As oportunidades são escassas, e a exigência por experiência atrapalha ainda mais uma possível contratação. Para a juventude, há uma questão a mais com que se preocupar, pois os jovens têm maior probabilidade de serem demitidos pelas empresas, e isso se deve à falta de experiência. Países europeus têm direcionado um olhar especial para tal situação, e estão desenvolvendo políticas públicas que facilitem o ingresso dos jovens no mercado de trabalho, amenizando, assim, a realidade mostrada nas estatísticas.

Barreiras encontradas na hora de buscar emprego

Entre os que buscam empregos, há relatos de diversas barreiras, sendo uma das principais a falta de histórico profissional como um limitador para o acesso a muitas vagas: 77% alegam que a exigência de experiência anterior é o maior obstáculo na hora de arranjar o primeiro emprego. Para muitos, a experiência informal – sem registro na carteira de trabalho ou contrato – não ajuda no processo. Isso limita as oportunidades de quem está entrando no mercado de trabalho. Os jovens se veem presos a esse ciclo, em que não se consegue emprego porque não se tem experiência, mas como conseguir experiência, se ninguém dá a primeira chance?

A falta de oportunidade reflete em outro dado importante, pessoas com ensino superior e com idade entre 24 e 35 anos têm aceitado empregos que pagam salários abaixo do seu nível de qualificação. A grande oferta de mão de obra, aumentando o leque disponível para seleção das empresas, faz com que indivíduos com boa qualificação aceitem remunerações mais baixas. E, nesse contexto, alguém inexperiente, mais uma vez, perde na disputa por uma vaga.

Especialistas afirmam que a questão do desemprego entre os jovens retrata algumas realidades do país, como a falta de qualificação e a não preparação efetiva para o mercado de trabalho por parte das universidades. Tais pontos criam uma barreira para que eles consigam se adequar às oportunidades de emprego, e aqueles que conseguem vaga precisam lidar com a maior possibilidade de serem desligados.

Contudo, nesse formato, perde o jovem e perde a empresa, pois oportunizar cargos a pessoas mais novas pode gerar inovações ao empreendimento, além de outras vantagens. A empresa precisa investir na formação dos mais jovens, pois estes chegam às empresas com vontade de aprender e de agregar.

Freepik.com

A importância da empresa na hora da contratação

O consultor empresarial e em Recursos Humanos, Cleber Andriotti, afirma que grande parte do problema se inicia na própria empresa, que rejeita a contratação de quem não tem experiência. “Apesar da alta rotatividade de muitos setores, ainda são poucas as organizações que buscam preparar adequadamente seus profissionais. Assim, segregar os candidatos a uma vaga entre os ‘sem experiência’ e os ‘com experiência’ pode ser um erro que as levará a dispensar possíveis talentos simplesmente por não adotarem uma política de treinamento que prepare adequadamente aqueles que nunca exerceram uma profissão”, destaca.

Diante de tudo isso, como incentivar e estruturar uma mudança nessa realidade? Alguns países apresentam estruturas de incentivo à formação da população de jovens. Na Dinamarca, o Sistema Público de Emprego recebe uma notificação quando o jovem está há três meses sem emprego. Ao atingir seis meses, ele é encaminhado para um programa de qualificação. Já na Alemanha, o jovem realiza a formação profissional paralela à educação básica. O nosso país também investe em algumas políticas públicas, a fim de garantir a empregabilidade dos jovens, como o Programa Jovem Aprendiz, a Lei de Estágio e os programas de trainee.

Caminhos na busca por um emprego

Nessa rota na busca por oportunidade, o jovem precisa assumir o protagonismo para se destacar, tendo em vista que a falta de experiência já é um grande obstáculo a ser vencido. Outro ponto interessante é aumentar a rede de relacionamentos, pois muitas empresas estão buscando as chamadas indicações.

Uma dica fundamental é buscar adquirir o máximo de conhecimento na área pleiteada, além de poder oferecer potencialidades a mais, como conhecimento em informática e outro idioma. Ao se apresentar para uma empresa, o jovem deve evidenciar o que tem para oferecer, mostrando, a partir de um currículo claro e objetivo, o que vai importar para a empresa, ou seja, a sua formação. Ações sociais voluntárias também são muito bem-vindas.

É preciso destacar a importância de se preparar adequadamente para as possíveis entrevistas. O interesse pela vaga deve ficar claro e ser demonstrado pelas palavras e pelos gestos. Além disso, a imagem deve sinalizar que o jovem se preocupa com a ideia que quer passar, para a empresa, a respeito de si mesmo. Ser firme e objetivo nas respostas demonstra uma atitude profissional, e isso é muito valorizado e procurado pelas empresas.

Vitória Élida é bióloga, pedagoga e jornalista. Atua na área de educação, mas dedica parte de seu tempo a escrever sobre temas referentes a meio ambiente, educação, juventude e Igreja. Encontra nos seus textos uma forma de estar em maior conexão com o mundo e consigo mesma.

Deixe seu comentário

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

error: Ação desabilitada