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A educação e o “Ponto de Deus” - Revista Familia Cristã

A educação e o “Ponto de Deus”

Inteligência espiritual
Pixabay.com

Estudos sobre o funcionamento do cérebro ajudam a entender as inteligências humanas: intelectual, emocional e espiritual

Por Amaro França

Ao final da década de 1990, foi sendo tecida pela comunidade militar norte-americana uma concepção de mundo que se revelava na expressão da sigla VUCA, cujo significado em inglês é: Volatility (volatilidade), Uncertainty (incerteza), Complexity (complexidade) e Ambiguity (ambiguidade). Esse conceito foi criado no Colégio de Guerra (Army War College) para retratar o cenário em que o mundo se encontrava nos anos pós-Guerra Fria.

Com a propagação do conceito VUCA em todo o planeta e, inclusive, em várias frentes acadêmicas e de negócios, outros estudiosos acrescentaram à concepção inicial dois outros elementos de visão sobre o mundo: os conceitos sobre a dimensão do significado e do impacto global, ambos expressando a concepção de que a realidade é significativa (Meaningful) e, também, universal (Universal/Global).

MUVUCA

Ou seja, mesmo que o mundo seja volátil, marcado por incerteza, complexidade e ambiguidade, deve-se ter um senso de propósito e saber que as decisões tomadas impactam o mundo. Assim, ao conceito inicial (VUCA) se agregou a sigla MU, gerando a terminologia MUVUCA.

No entanto, com a dinamicidade própria do mundo em que vivemos, as concepções VUCA ou MUVUCA já não revelavam outras marcas e fenômenos sociais tão presentes na sociedade atual; daí foi acontecendo uma transição conceitual para uma nova concepção, dessa vez cunhada por um historiador e pesquisador da Universidade da Califórnia, o professor Jamais Cascio.

Através da publicação do seu artigo, traduzido para o português como “Enfrentando a era do caos”, Cascio apresenta o conceito do mundo BANI – acrônimo de Brittleness, Anxiety, Nonlinearity and Incomprehensibility –, que significa, em tradução livre para o português, um mundo marcado por fragilidade (Brittleness), ansiedade (Anxiety), não linearidade (Nonlinearity) e incompreensibilidade (Incomprehensibility).

Diante desse cenário de fragilidades e incompreensões, constata-se que a mutabilidade é a “permanência”, como afirmava o filósofo pré-socrático Heráclito de Éfeso: “Nada é permanente, exceto a mudança”. Dessa forma, a neurociência e a neurobiologia vêm contribuindo significativamente para a compreensão desses fenômenos sociais, a partir da sistematização dos estudos neuronais do funcionamento do cérebro humano, principalmente, no aprofundamento das composições das múltiplas inteligências quanto ao seu comportamento e ao seu desenvolvimento.

Inteligência espiritual
Nataliya Vaitkevich/Pexels.com

Historicamente já consolidadas, há maior compreensão e aceitação social no que diz respeito às inteligências humanas: intelectual e emocional. Principalmente, quanto aos indicadores de quociente (Q) tão propagados e expressos através dos testes de Quociente Intelectual (QI)/Inteligência Intelectual e Quociente Emocional (QE)/Inteligência Emocional.

Entretanto, pesquisadores neurocientistas, principalmente na última década, vêm comprovando a existência de fenômenos neurais situados no lobo frontal direito do cérebro. Esses fenômenos acontecem principalmente mediante experiências ou vivências de espiritualidade – manifestadas através de: veneração, adoração, devoção, respeito e atitudes de relacionamento da pessoa com o sagrado, com o transcendente –, observando-se, assim, um aumento vibracional em hertz dos neurônios do cérebro humano.

Existência da Inteligência Espiritual

A esse fenômeno os cientistas chamam de “Ponto de Deus”. Portanto, o reconhecimento da existência da Inteligência Espiritual – QS (Quociente Spiritual) tem importância não apenas pela dimensão da espiritualidade em si, como também porque a QS potencializa qualidades como a dimensão do afeto, da criatividade, da iluminação, do poder. Nas palavras do pesquisador Fabrício Nogueira: “A Inteligência Espiritual é capaz de criar conexões de sentido e significado entre todas as coisas”.

Há, ainda, um elemento importantíssimo a ser considerado: a Inteligência Espiritual (QS) é uma dimensão existente, sim, mas essa inteligência precisa ser desenvolvida. Nesse sentido, a educação em sua dimensão de integralidade tem papel fundamental, pois possibilita aprendizagens de: autoconhecimento, autovalorização, integração das emoções, vivência de valores nas relações interpessoais e sociais, bem como vivência na dimensão do cuidado para com o outro e para com o planeta.

A necessidade de exercitar a Inteligência Espiritual

Portanto, todas as vivências educacionais que cultivarem uma dimensão de subjetividade harmônica e integradora fomentarão rupturas com o egocentrismo, com o consumo em excesso, com a ausência de empatia, com o estresse ou mesmo com patologias psicossomáticas, fortalecendo vínculos saudáveis de vida. Segundo o professor e escritor José Roberto Marques: “A Inteligência Espiritual diz respeito à aptidão do ser humano em dar sentido e valor aos pensamentos e comportamentos, fazendo com que eles guiem ações e solucionem problemas. Portanto, a Inteligência Espiritual nada mais é do que a capacidade de o ser humano, de acordo com crenças, valores e ações corretas, equilibrar sua razão e sua emoção com o mundo exterior e, assim, encontrar o seu propósito de vida”. 

Amaro França é escritor, palestrante e gestor educacional; autor do livro Gestão Humanizada: liderança e resultados organizacionais, da Ed. Ramalhete. Apaixonado pela educação, gosta de escrever, tendo como propósito impactar positivamente as pessoas com suas ideias, liderança e trabalho.

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