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Impacto da pandemia na educação - Revista Familia Cristã

Impacto da pandemia na educação

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Crianças de 6 a 10 anos foram as mais afetadas pela exclusão escolar, dificuldade de acesso à internet expôs o abismo entre escolas públicas e particulares

Por Juliana Borga

Os impactos da pandemia na educação do Brasil não foram poucos. Estima-se que mais de 5,5 milhões de crianças e adolescentes tiveram seu direito à educação negado em 2020. É o que afirma o relatório “Enfrentamento da Cultura do Atraso Escolar”, lançado recentemente pelo Unicef, braço da Organização das Nações Unidas (ONU) para a infância.

O documento “Cenário da exclusão escolar no Brasil – um alerta sobre os impactos da pandemia da Covid-19 no Brasil”, outro estudo do Unicef em parceria com o Cenpec Educação, mostra que as crianças de 6 a 10 anos são as mais afetadas pela exclusão escolar na pandemia. São crianças dos anos iniciais do ensino fundamental, fase de alfabetização e aprendizagens essenciais às demais etapas escolares. “Ciclos de alfabetização incompletos podem acarretar reprovações e abandono escolar. A mudança observada em 2020 pode ter impactos em toda uma geração e o país corre o risco de regredir duas décadas nesta área”, conclui Adriana Alvarenga, coordenadora do Unicef São Paulo.

educação
Lucicleide e filhos. Foto: Arquivo pessoal

Pública X Particular

Lucicleide Silva relata a dificuldade em conseguir contato com a escola de seu filho Fábio, 17 anos. “A escola fechou, o telefone não funcionava e meu filho passou o ano inteiro sem fazer nada. A direção entrou em contato com os pais no final do ano dando desculpas esfarrapadas e avisando que teriam que fazer algumas provas. Todos foram aprovados”, conta. Já o filho caçula Mateus, de 11 anos, matriculado em outra escola pública, conseguiu assistir às aulas pré-gravadas pelo aplicativo, mas a rotina de estudos diminuiu muito. “As informações chegavam para os alunos e para o grupo de mães. Ele cumpriu com esta nova rotina, ainda assim bem diferente do que se estivesse indo à escola”, diz Lucicleide.

Pandemia
“Minhas filhas não deixaram de ter aula em um só dia! O colégio investiu em tecnologia e em pouco tempo iniciaram as aulas on-line em tempo real”, afirma Eliana Fargione, mãe de Fernanda, 13 e Júlia, 9 anos. Foto: Arquivo pessoal

A realidade de quem estuda em escola particular é outra. “Minhas filhas não deixaram de ter aula em um só dia! O colégio investiu em tecnologia e em pouco tempo iniciaram as aulas on-line em tempo real”, afirma Eliana Fargione, mãe de Fernanda, 13 e Júlia, 9 anos. Ela relata o desafio da adaptação das aulas on-line. “A Fernanda não se adaptou bem ao ensino on-line, no início até estava atenta, mas no decorrer dos meses foi ficando desestimulada e o seu rendimento escolar caiu. Já a adaptação da Júlia foi excelente, talvez por ter menos professores e pelo incentivo da professora principal que consegue dar dinamismo às aulas”, conta.

Conectividade para todos

Como diz a expressão popular “todos foram pegos de calça curta”. As escolas não estavam preparadas para uma prática pedagógica de aprendizagem remota e as famílias não dispunham de computadores ou celulares para cada um dos filhos. Aliás, o abismo da conectividade ficou ainda mais exposto durante a pandemia.

Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em 2020: mais de 1,8 milhão de alunos não possuíam equipamentos eletrônicos para estudar, e cerca de 6 milhões não tinham acesso à internet. A já citada pesquisa do Unicef avaliou também a questão do ensino à distância levando em consideração crianças e adolescentes de 6 a 17 anos com rotinas escolares remotas e/ou presenciais. 

Os dados levantados reforçam a importância de garantir o direito das crianças e adolescentes à conectividade. “Um modelo on-line de aulas não assume de maneira integral o papel desempenhado pelo modelo presencial, não somente por conta das limitações didáticas, mas por uma questão operacional, já que milhares de crianças e adolescentes não possuem redes de internet em suas residências, principalmente as famílias em situações de vulnerabilidade”, acrescenta Adriana Alvarenga.

diálogo empático
A pedagoga e especialista em Gestão e Liderança, Lidiane Coelho de Souza, destaca a importância do diálogo empático entre escola, família e estudante. Foto: Arquivo pessoal

Soluções possíveis

Especialistas em educação afirmam que existem ações que já podem ser feitas hoje na tentativa de amenizar os prejuízos. A pedagoga e especialista em Gestão e Liderança, Lidiane Coelho de Souza, destaca a importância do diálogo empático entre escola, família e estudante uma vez que cada um passa por esse momento de pandemia de forma diferente. “Embora as estruturas escolares tenham muita experiência em educação, somos todos ‘aprendizes’ em como educar em uma pandemia. Hoje, mais do que nunca, é preciso olhar a educação como um processo individual e buscar soluções específicas para cada caso. Agora é hora de tentar ‘apagar o incêndio’ e minimizar os estragos causados por ele. É essencial uma ação que amplie as possibilidades do estudante em aprender e socializar, de forma remota ou presencial com os protocolos sendo seguidos, além de equilibrar melhor suas emoções”, declara.

O estudo o Unicef traz como recomendação um plano de ação imediato que compreenda:

  • a busca ativa de crianças e adolescentes que estão fora da escola; 
  • a garantia acesso à internet para todos, em especial os mais vulneráveis; 
  • a realização de campanhas de comunicação comunitária, com foco em retomar as matrículas nas escolas; 
  • a mobilização das escolas para que enfrentem a exclusão escolar; 
  • e o fortalecimento do sistema de garantia de direitos para garantir condições às crianças e aos adolescentes para que permaneçam na escola, ou retornem a ela.

Os dados apresentados pelas pesquisas são alarmantes e é preciso agir para que cada criança e adolescente usufrua do direito à educação. “Estamos oferecendo apoio a estados e municípios para realizar a Busca Ativa Escolar, reabrir as escolas em segurança, promover o acesso à internet e garantir o direito de aprender a cada menina e menino”, finaliza a coordenadora do Unicef São Paulo, Adriana Alvarenga.

 Juliana Borga é jornalista, três vezes vencedora do Prêmio Dom Hélder Câmara de Imprensa. É mãe coruja da Helena e adora escrever sobre temas que colaboram para um mundo mais humano e solidário. Instagram: @juborgajornalista

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