Já sou assinante!

Ainda não é assinante?

Identifique-se para ganhar mais 2 artigos por semana!

ou

ou Assine Já

Gordofobia e as consequências devastadoras - Revista Familia Cristã

Gordofobia e as consequências devastadoras

Artigos Recentes

Saiba o que é gordofobia, suas causas e como lidar com isso

Por Fabiane Pita

A gordofobia é um preconceito caracterizado por aversão, desprezo, inferiorização de um indivíduo obeso, em que o julgamento negativo está relacionado a sua aparência por estar acima do peso. É com essa definição que a psicóloga clínica e bariátrica Juliana Palma (@emagrecendo_pela_mente), especialista em transtornos alimentares e obesidade, define a gordofobia.

“Este tipo de preconceito está tão entranhado na nossa sociedade que muitas vezes podemos nos pegar sendo gordofóbicos sem perceber, como em programas humorísticos, quando rimos de uma ‘piada’ com termos ofensivos, em que a pessoa com obesidade vira alvo de ridicularização”, diz a especialista.

A psicóloga explica que as consequências da gordofobia na vida de um indivíduo são devastadoras, principalmente se o preconceito começou com o bullying na infância e na adolescência, período de construção da autoimagem. Isso resulta em adultos com uma autoimagem fragilizada, passíveis de todos os possíveis transtornos psicológicos acarretados por sofrerem esse tipo de abuso.

“Sim, a gordofobia é um tipo de abuso psicológico que pode gerar sintomas depressivos, transtornos de ansiedade, baixa autoestima, isolamento social, transtornos alimentares, como a compulsão alimentar, entre outros”, alerta a psicóloga.

Como lidar com isso

Juliana lamenta o fato de não existir uma lei que regulamente a prática de preconceito e frisa a importância da conscientização da população no sentido trabalhar a temática em escolas, no ambiente corporativo e através das mídias, propagando a tolerância, o bom senso e o respeito.

“O nosso corpo é a nossa casa, porém muitas vezes, mesmo sem ser convidados a nos expressar, podemos começar a comentar sobre o corpo de alguém, violando essa privacidade, que é algo tão íntimo, com desrespeito e falta de compaixão. A conscientização gera reflexão e consequentemente ação para transformação”, diz.

Ela emenda dizendo que a psicoterapia é uma via de reflexão para ação, tanto para quem pratica a gordofobia, na desconstrução das crenças que leva a um comportamento preconceituoso, como para quem sofre o preconceito, trabalhando os traumas e angústias para o fortalecimento da sua imagem e autoestima.

Relação com o corpo

A psicóloga explica que, ao longo da história, as pessoas foram construindo várias formas de se relacionar com o seu corpo. Ela lembra que as questões que envolvem o corpo são influenciadas pela sociedade, cultura, religião, ciências e política, que infelizmente direcionam o ser humano para um ideal de “corpo perfeito”.

Gordofobia
Pexels.com/Shvets Production

Ângela Cheirosa (@angelacheirosa), mulher preta, nordestina e obesa, tem 48 anos. É mãe, bailarina, produtora cultural, coreógrafa e mantenedora do projeto social Flor de Lótus, que empodera mulheres através da dança do ventre, no município de Camaçari, na Bahia. Ela conta que se tornou uma mulher gorda após os 35 anos. “Primeiro é difícil se reconhecer em um corpo que não te pertence e no momento seguinte entender que essas mudanças fazem parte de você”, diz.

Na pele do outro

A bailarina diz que existe uma pressão estética e social, um padrão exercido dentro da sociedade, do que é considerado bonito, do que é considerado bom, que não envolve e não contempla mulheres pretas e gordas.

“No meu caso existe ainda a dupla discriminação. No mercado da dança do ventre, ressalto que aqui no Brasil culturalmente se criou uma estética para mulheres brancas, altas, magras, com cabelos compridos e alisados. Padrões que não se encaixam em mulheres pretas ou gordas. Durante muito tempo se acreditou nisso e se afastou mulheres da dança”, conta.

Ângela defende a dança do ventre como qualidade de vida e como atividade física. “Encaro a pressão estética com resistência, longe de fazer apologia à obesidade ou dizer que não me importo com qualidade de vida ou com a saúde das pessoas. O que quero dizer é que, a partir do momento que eu vivo nesse corpo, eu preciso estar bem com ele, procurando cada dia ser melhor, manter a saúde física e mental”, completa.

Redes sociais

A bailarina fala das dificuldades em lidar com as críticas nas redes sociais. “As pessoas não têm filtro e dizem o que bem entendem. Muito se fala da saúde mental, mas as pessoas estão pouquíssimo preocupadas com a saúde mental do outro. Por outro lado, existe uma pressão estética e social, um padrão exercido dentro da sociedade do que é considerado bonito e que não contempla mulheres pretas e gordas”, finaliza.

A psicóloga Juliana Palma pontua que atualmente as redes sociais são uma das maiores influenciadoras da chamada “cultura da magreza’, incentivando pessoas a ser “escravas” de um padrão corporal a fim de obterem aprovação e reconhecimento social. “Propaga-se um dualismo onde ser magro é bonito e saudável e ser gordo é doentio e repugnante, fortalecendo na sociedade o preconceito. Apesar de existirem alguns movimentos de liberdade e respeito à diversidade dos corpos, estes ainda não sobrepujam a grande massa que exalta os padrões estético corporais.”

Área médica

A psicóloga clínica e bariátrica finaliza chamando a atenção para algo que considera muito importante a ser discutido. A tendência que as pessoas têm de confundir o tratamento da obesidade com a gordofobia. “A obesidade é uma doença crônica e multifatorial, que traz como consequência muitas vezes outras doenças associadas; logo, ninguém é obeso porque quer ou porque é preguiçoso ou desleixado, até porque pensar assim é uma forma de ser gordofóbico e inferiorizar o obeso. O obeso merece respeito e acesso a um tratamento eficaz, para uma qualidade de vida a longo prazo.”

Fabiane Pita, mulher negra, católica, jornalista, especialista em Gestão da Informação para Multimeios. Curiosa por natureza, foi assim que surgiu seu perfil no Instagram, @curiando_o_role, criado com uma amiga. Ama ler, escrever, contar boas histórias e viajar. Coloca amor em tudo o que faz. Seu sorriso é sua marca registrada.

Deixe seu comentário

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

error: Ação desabilitada