Já sou assinante!

Ainda não é assinante?

Identifique-se para ganhar mais 2 artigos por semana!

ou

ou Assine Já

Diferentes gerações dividem espaço no mundo corporativo

Diferentes gerações dividem espaço
no mundo corporativo

Artigos Recentes

Convívio intergeracional nas empresas gera conflitos e troca de experiências

Por Erica Hong

Com mais de trinta anos de experiência profissional, Eraldo de Almeida, 55, analista de sistema e negócios, já viu e sentiu diversas mudanças no ambiente de trabalho. A mais evidente em sua memória é a questão da tecnologia. Na década de 1980, ele ainda tinha contato com máquinas de escrever e atualmente não fica sem os computadores e smartphones.

Para além de novas ferramentas, Eraldo também observou a diversidade crescer dentro do espaço corporativo, assim como a participação de mulheres em cargos de liderança e jovens também assumindo posições importantes. O que o analista de sistemas acompanhou foram as mudanças relacionadas ao contexto social, bem como as diferentes gerações no mercado de trabalho.

Em relação à classificação das gerações, não há um consenso exato. O ano de nascimento pode variar de acordo com a fonte da pesquisa. Porém, no geral, são divididas de acordo com os padrões de comportamento. Hoje, a principal categorização é:

Baby Boomers: nascidos entre 1945 e 1964 (atualmente com 57 a 76 anos);
Geração X: nascidos entre 1965 e 1984 (atualmente com 37 a 56 anos);
Geração Y ou millennials: nascidos entre 1985 e 1999 (atualmente com 22 a 36 anos);
Geração Z: nascidos a partir dos anos 2000 (atualmente com 21 anos).

Os anos são aproximados e as separações geracionais são tendências que identificam grande parte do grupo, mas que não são uma generalização para todos os nascidos nestes períodos.

Gerações: Mais velhos x mais novos

A idade mínima para começar a trabalhar no Brasil, de acordo com a legislação, é de 16 anos. Idade máxima, não há. Portanto, dentro do mercado de trabalho pode-se encontrar tanto pessoas iniciando as suas carreiras quanto as que estão, por assim dizer, terminando.

Para se ter uma ideia, segundo a pesquisa mais recente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 46% dos jovens entre 14 e 17 anos estão em busca de trabalho – neste caso, pessoas com 14 anos podem apenas se candidatar para menor aprendiz. Enquanto o número de brasileiros com mais de 65 anos com a carteira assinada é de 649,4 mil, de acordo com a Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia.

As duas gerações se encontram nos corredores dos ambientes corporativos e, muitas vezes, dividem as mesmas tarefas. Para a gerente de Gente e Gestão Andrea Vazquez, a geração baby boomer é mais paciente na espera do crescimento e reconhecimento dentro da empresa. A estabilidade é o ponto forte dos nascidos entre 1945 e 1964 e eles tendem a ficar muitos anos na mesma corporação. Além de sempre prezar pelo bom relacionamento e clima organizacional harmônico.

Do outro lado, a geração Z (nascidos a partir dos anos 2000) busca ascensão e retorno financeiro rápidos. Eles são multitarefas e estão sempre antenados com as tendências do universo da tecnologia. Sendo assim, são mais suscetíveis a trocar de emprego para encontrar aquilo que realmente desejam. Nesse mesmo sentido, o posicionamento da empresa em relação a causas e responsabilidades sociais também é um fator decisivo para se manterem no emprego. No geral, os jovens são mais competitivos, gostam de se superar e de estar em evidência a todo momento, segundo a gerente.

Diferentes perfis

Uma pesquisa realizada pela Cia de Talentos, com 39 mil universitários e recém-formados no Brasil, na Argentina e no México, mostrou que os jovens buscam um bom ambiente de trabalho, desenvolvimento profissional e qualidade de vida. Outro dado do estudo é que 70% deles conhecem os valores das organizações que buscam trabalhar e se identificam com suas culturas, sendo esse um motivo decisivo na escolha da empresa.

Gerações
Anastasia Shuraeva / Pexels.com

Ela ainda aponta que, quando estão trabalhando juntos, a geração Z e os baby boomers podem ter alguns conflitos. “O que eu já presenciei foi a questão de cada um ter um foco diferente. Normalmente, os mais velhos são persistentes, enquanto os jovens se frustram caso algo não saia como eles esperavam, e isso acaba gerando desentendimentos”, afirma Andrea.

Da mesma forma, quem acabou de ingressar no mercado de trabalho percebe as diferenças geracionais. Emanuelle dos Santos, 18, é jovem aprendiz em uma transportadora e considera o aprendizado essencial. Mas percebe que, se as pessoas não se atentam às mudanças ou não se adaptam às normas da empresa, independentemente da idade, pode haver desentendimentos. “No meu setor a relação é tranquila, eles ouvem as minhas ideias. Entretanto, como, algumas vezes, passo em outros setores, sinto que os gestores não confiam o suficiente no que sugiro, existe um prejulgamento pela idade ou por minha função.”

Porém, para Eraldo, que tem contato com pessoas de diversas idades no seu dia a dia, a relação é sempre positiva, com troca de aprendizado de ambos os lados. “Não observo a existência de conflitos, e sim o enriquecimento de experiência nessa relação”, diz.

A gerente Andrea Vazquez afirma ainda que cada geração pode contribuir com a outra compartilhando conhecimento e experiências, contribuindo em uma relação de aprendizado mútuo. “Vejo diariamente ambas as gerações aprendendo e se desenvolvendo no seu tempo. Existem pessoas mais velhas que progridem muito mais rápido que alguns jovens, e também o contrário. Acredito que o interesse e o comprometimento de cada profissional com seu trabalho e com sua carreira são essenciais, e esse fator está longe de idade”, finaliza ela.

Erica Hong é jornalista, apaixonada pelos seus cachorros e ama ler os mais diversos temas. Sociedade e cultura a inspiram. Admira quem dá voz àqueles que precisam ser ouvidos e sonha um dia também dar luz às questões sociais que vivemos.

Deixe seu comentário

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

error: Ação desabilitada