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Filhos que leem e filhos que não leem - Revista Familia Cristã

Filhos que leem e filhos que não leem

Filhos
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Existem muitos livros que falam ao coração e aos interesses dos leitores, e são esses que devemos pôr no caminho de nossas crianças e, principalmente, dos adolescentes

Por Leo Cunha

“Meu filho não quer ler!” “Minha filha não gosta de livros!” “Por que meus filhos só leem os livros da escola?” “O que eu posso fazer, Leo, para eles lerem mais?” Recebo frequentemente esse tipo de queixa e de pergunta, sobretudo com relação a filhos adolescentes.

A mais recente edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, organizada pelo Instituto Pró-Livro, confirma que, em nosso país, os índices de leitura por prazer caem pela metade da infância para a adolescência. Portanto, não é de estranhar o incômodo dos pais e o desejo de que seus filhos leiam mais.

A primeira coisa que digo a quem me pede esse tipo de ajuda é que, infelizmente, não existem fórmulas mágicas, métodos infalíveis, receitas miraculosas. Quem me dera ter a resposta certeira! Pelo contrário, deixo claro que eu mesmo já senti na pele essa mesma dificuldade.

Tenho uma filha de 21 anos, a Sofia, e um filho de 12, o André. Ela sempre gostou muito de ler, tanto os títulos indicados pela escola quanto outros, de leitura espontânea, e continua amando livros, a ponto de me dizer coisas como “estou doida para entrar de férias na faculdade e poder ler um pouco de literatura, só pra curtir”. Atualmente, ela cursa Direito na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde a carga de leitura de obras técnicas e jurídicas é bem pesada. 

Filhos: cada um é único

Nunca forcei nada com a Sofia, em termos de leitura. Apenas li muito para ela e com ela, desde muito pequena (desde a barriga da mãe, na verdade), e sempre tive muitos livros de literatura em casa, para ela escolher. No mundo ideal, isso bastaria, e com ela bastou.

Leitura
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Já o André limita-se a ler o que precisa, para as tarefas escolares. Raramente pega um livro literário de forma espontânea, a não ser algumas séries, como a do Pedro Bandeira, ou livros derivados de filmes e séries de TV.

Até onde consigo perceber, ofereci aos meus dois filhos os mesmos estímulos e a mesma casa cheia de livros, dei o exemplo – importantíssimo! – de ser um pai leitor, visitei com eles bibliotecas públicas e feiras de livros. Além disso, ambos estudaram na mesma escola, desde o infantil até o final do fundamental. Mesmo assim, em termos do hábito e do gosto pela leitura, as coisas caminharam de forma oposta. Os filhos são diferentes, fazer o quê? Cada um é outro, como dizia meu avô, ele próprio um leitor apaixonado, embora tenha saído muito cedo da escola, lá no início do século XX.

A hora do best-seller

Há alguns dias, um amigo me escreveu, preocupado: “Meu filho de 13 anos está querendo ler um livro da Agatha Christie, influenciado pelos amigos. Será que eu compro o livro para ele, ou o estimulo a uma leitura mais complexa, menos best-seller?”.

Minha sugestão foi: não barre a Agatha Christie! Pelo contrário! Se a vontade do garoto já existe, celebre e apoie. Eu mesmo tive minha fase de leitor da Agatha, mais ou menos nessa idade. Se me lembro bem, li uns trinta livros em sequência, e só parei quando comecei a perceber que eu estava adivinhando os assassinos antes mesmo dos detetives: o topetudo Hercule Poirot e a adorável Miss Marple. Chegou um momento em que eu conseguia sacar as entrelinhas, notar as pistas falsas e pum! De um dia para o outro, passou o encanto.

Antes da Agatha Christie, tive fases em que lia vários livros de um só autor. Foi assim com Julio Verne, Orígenes Lessa, João Carlos Marinho, Lygia Bojunga, Edy Lima e outros autores nacionais e estrangeiros. Depois, à medida que fui crescendo, e até hoje (estou com 55), tive inúmeras fases: Machado, Millôr, Dostoievski, Veríssimo, Calvino, Stephen King, Cortázar e tantos outros. Alguns mais pops, outros considerados mais “sofisticados”.

Contudo, até por dever de ofício, me mantive até hoje um bom leitor da chamada “literatura infantojuvenil”. Sei que existem muitos livros que falam ao coração e aos interesses dos leitores, e são esses que devemos pôr no caminho das nossas crianças e, principalmente, dos adolescentes. Assim temos mais chance de evitar que eles leiam somente na base da chantagem, da súplica ou do castigo.


Leo Cunha é graduado em Jornalismo e Publicidade e especialista em Literatura Infantil pela PUC Minas. Mestre em Ciência da Informação e doutor em Artes pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Casado com Valéria, pai da Sofia e do André. Apaixonado pelas artes e pelo humor.Além de autor do livro Cachinhos de Prata, publicado pela Paulinas Editora.

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