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Família: primeira escola de valores - Revista Familia Cristã

Família: primeira escola de valores

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“Família é tudo igual, só muda de endereço”

Por Luciana Rocha

Essa frase é bem comum quando se fala em família. Mas será que é isso mesmo? Os valores, os costumes, as ações são realmente iguais? E a questão de que “o exemplo vem de casa” é aplicável nas relações familiares?

Para o médico e psicólogo Roberto Debski, o que é aprendido em casa é levado para a vida. “A melhor maneira de transmitir aos filhos valores é falar sobre eles, explicar como atuam, suas consequências, e, principalmente, mostrar como funcionam através das próprias atitudes. Não adianta falar sobre valores, pedir ou exigir que se aja de tal maneira, se os próprios pais não derem o exemplo nem representarem modelos saudáveis a serem seguidos. Os filhos tendem a reproduzir o que veem e aprendem com o que observam nas famílias muito mais do que com aquilo que escutam”, afirma.

Djenane e sua família / Arquivo pessoal

Os valores vêm de casa

A auxiliar de produção, Djenane Alvarenga, diz que uma dificuldade da sociedade atual é receber e transmitir valores éticos. Ela é mãe da Ana, de doze anos, e da Alice, de oito anos, e também acredita que os valores vêm de casa. “Hoje temos uma dificuldade enorme em ensinar valores para nossos filhos. Temos que lutar contra as tecnologias, que os atraem muito. Muitos de nossos valores nos foram dados por nossos pais. Antigamente o tempo de diálogo entre pais e filhos era muito maior, as crianças passavam horas conversando e brincando com os pais, e era nessa hora que nos eram transmitidos valores que são fundamentais para uma boa formação. Hoje os pais trabalham muito, delegam suas ‘funções’ de educadores a terceiros, repassando para os outros essa função de educar. Penso que é daí que surgem os vários problemas que a sociedade hoje enfrenta. Não se conversa mais com os filhos. Não se dedica tempo para a educação dos filhos”, explica.

Como educar os filhos

Teoricamente, educar filhos é algo que parece ser muito belo, fácil e prazeroso. Afinal de contas, os filhos representam o amor maior dos pais. Mas nem tudo que parece fácil o é verdadeiramente. “Educar os filhos com princípios éticos e morais, para uma convivência saudável e equilibrada em sociedade, requer muito trabalho e persistência, e cada família terá que criar suas regras de convivência e controle, de acordo com seus princípios e sua ética, afirma a psicopedagoga Edzelha Augusto de Oliveira Marcenes, a Suzy.

Djenane encontrou, no momento da oração, a oportunidade de ensinar valores e aproximar-se das filhas. Segundo ela, durante as orações diárias, costuma conversar e ensinar valores éticos essenciais para uma boa formação humana. “A leitura da Palavra de Deus tem nos ajudado bastante. Conversamos muito, a partir da leitura do Evangelho do dia, e daí tiramos exemplos que devemos seguir, como amar o próximo, nos preocupar com os outros, buscando sempre ajudar”, ressalta.

Fórmula mágica

Quando se lê sobre como educar os filhos, pode parecer algo simples de se aplicar, mas a frustração dos pais costuma vir rápido, pois nenhuma teoria se aplica plenamente a todas as pessoas igualmente. “O fator interação é a surpresa! É a mágica que não está explicada nas teorias, pois pais e filhos são seres únicos”, comenta a psicopedagoga Suzy.

Ao longo da sua experiência como educadora, Suzy observou inúmeros casos em que um ou dois dos pais não entendiam o porquê de determinado comportamento do filho e se culpavam por não conseguir ajudar, apesar de seguirem as famosas teorias da educação de filhos. “A angústia sentida por inúmeros pais, por ver os filhos em caminhos contrários aos que foram ensinados em casa, nos força a repensar o julgamento que lhes é feito por parte sociedade. Os pais devem observar e aplicar, no dia a dia, tudo o que acharem ser necessário para ajudar na formação humana, no que tange à ética, solidariedade, empatia e responsabilidade”, conclui.

Modelo familiar

Para o psicólogo Robert Debski, cada família tem seus próprios modelos de funcionamento e padrões, como valores, crenças, tipos de relacionamento, e cada elemento do sistema familiar ocupa um lugar e tem uma função. “É comum as famílias passarem adiante esses padrões para os filhos e netos, para as gerações seguintes, e esperarem que estes sigam exatamente o que aprenderam. É importante que as famílias o façam, pois tais padrões e modelos servirão de parâmetro na vida dos filhos, um norte a seguir. Porém, eles nem sempre são saudáveis, somente são ‘normais’ para essa família, ou seja, são a norma, o comum, o conhecido e habitual nesse sistema”, disse o profissional.

De acordo com Robert, os valores vividos de maneira saudável são importantes e devem ser passados adiante dentro das famílias. Para um valor ser trabalhado nas famílias, seja esse empatia, respeito, gratidão ou qualquer outro, ele deve primeiro ser vivenciado pelos mais velhos, assim, os mais novos, através do exemplo, seguirão esse modelo com muito mais facilidade do que se for algo somente falado ou imposto.

Suzy explica que cada família desenvolve em seus filhos os valores em que acredita. “Poderíamos tecer aqui uma lista de valores pelos quais cada família se norteia, de forma consciente ou inconsciente, mas o ideal seria que as famílias pudessem cultivar valores que buscassem o bem-estar pessoal e coletivo”, finaliza.

Luciana Rocha é jornalista, especialista em Jornalismo e Práticas Contemporâneas e mestre em Comunicação Social e Tecnologia. É mãe da Beatriz, acredita no bem e sonha com um mundo mais humano e justo. Deus sempre em primeiro lugar!

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