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Empreendedorismo feminino - Revista Familia Cristã - Editoria Família

Empreendedorismo feminino

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Dia a dia de mulheres que usam a sensibilidade feminina para exercer, com maestria, profissões consideradas “masculinas”

Por Andrea Adelio

O que diferencia homens e mulheres? Essa é uma pergunta que poderia ter uma resposta óbvia: características físicas e biológicas, entre vários outros aspectos. Contudo, muito além das aparências, e de todos os demais estereótipos de gênero, para algumas mulheres que exercem profissões predominantemente masculinas, conviver com essas diferenças no dia a dia é mais do que entender de comportamento masculino ou feminino. É saber se desafiar, diariamente, usando essa particularidade como estímulo para potencializar os seus negócios.

Desde fazer frente à concorrência a conquistar clientes pelo diferencial que oferecem, lidar com a diversidade fortalece a sensibilidade feminina, de acordo com elas. É o caso de Guerda Tiziane, proprietária de uma empresa especializada em pintura e estética automotiva, e Carla Jansson, que gerencia uma empresa de encomendas urgentes. Ambas empreendem em Curitiba, no Paraná, e trabalham em ambientes considerados “masculinos”.

Qual é o lugar da mulher?

“Meu pai era pintor automotivo, e, ainda que eu nunca tenha trabalhado com ele, abracei o mesmo segmento”, conta Guerda. Segundo ela, o sonho de ter o seu próprio negócio foi a motivação para que, em 2016, se tornasse sócia da empresa onde atualmente é a única proprietária. “Eu sempre gostei de carros e, como não entendia nada sobre eles, eu tinha dificuldade quando precisava de atendimento. Por isso, eu despertei para esse serviço com o intuito de oferecer segurança tanto para homens quanto para mulheres que buscassem uma funilaria”, afirma.

Guerda Tiziane, em sua empresa, especializada em pintura e estética automotiva. / Crédito: Sandro Oliveira

Conviver em um ambiente totalmente masculino (entre os colaboradores de Guerda, há só uma mulher) traz a ela desafios até no momento da contratação, pois nem sempre as mulheres se dispõem a desbravar o universo automobilístico. “Para os homens, o carro é uma extensão da masculinidade, uma vez que, desde crianças, brincam com eles; então, na fase adulta, seu brinquedo apenas muda de tamanho. Por outro lado, as mulheres quase não frequentam oficinas. Geralmente são os pais, maridos ou namorados que levam os seus carros para o conserto”, diz ela. 

“Você não sabe se colocar no seu lugar.” Essa foi uma das tantas frases que Guerda já ouviu, simplesmente por ser mulher e estar no comando da empresa. Ela comenta que antes o preconceito era maior, visto que ela ainda não dominava todos os aspectos do serviço. Hoje, no entanto, a convivência é harmônica. Sejam clientes ou colaboradores, todos compreendem que o lugar da mulher é onde ela quiser estar.

Muito além do trabalho

Engana-se quem pensa que os desafios surgem apenas no trabalho. A visão sobre uma mulher que exerce uma função “masculina” vai além do aspecto profissional. “Temos muitas atribuições e cobranças. Mãe, esposa, filha, profissional. E exige-se que estejamos sempre bem e com aparência impecável. Que seja uma Mulher Maravilha”, considera Guerda.

Apesar disso, ela se diz muito realizada com a escolha que fez.  “Este movimento de sororidade que está acontecendo atualmente veio para nos fortalecer. Seja em grupos de networking, seja em reuniões de empreendedoras, uma fortalece a outra, pois compartilhamos das mesmas dores e alegrias”, conclui.

Guerda Tiziane, proprietária da Car Station. / Crédito: Sandro Oliveira

Diferentes posições, desafios em comum

Carla também convive no ambiente “masculino” desde que seu pai iniciou a empresa, em 1988. Apesar disso, foi a partir do início da pandemia, quando ele se ausentou, em virtude do lockdown, e optou por continuar em casa, que ela assumiu oficialmente o comando.

“Demorei para perceber o quanto a empresa já estava sob a minha responsabilidade, e só agora sinto que realmente ‘estou’ empreendedora”, afirma ela. Tendo o pai como mentor, ela diz gostar muito da área do transporte e logística, pois nunca cai na rotina. Em contrapartida, o longo tempo de dedicação ao trabalho acaba por comprometer a vida social.

Doçura e firmeza

Ser empreendedor(a), hoje, já representa um grande desafio. Assumir essa função sendo mulher exige ainda mais empenho. Em contrapartida, saber utilizar as características femininas como trampolim para o sucesso se traduz no grande trunfo das mulheres que sabem ter postura firme, sem, contudo, perder a doçura. Carla usa o tom de voz, por exemplo, para tranquilizar clientes ou colaboradores que porventura estejam alterados. “Sempre funciona”, se diverte ao contar.

Única mulher na empresa, ela tem o zelo de cuidar da aparência com toda a sua vaidade. Não dispensa salto alto nem maquiagem, porém evita saias e vestidos. “Exercer um cargo masculino não tira a feminilidade de ninguém, nem vice-versa. Acho que todo e qualquer trabalho honrado fica muito acima desta discussão”, opina.

Sob a proteção de Deus

Mulheres que são a minoria nas funções que desempenham precisam aprender a administrar também a concorrência masculina. De acordo com elas, os homens competem em tudo, e de uma forma diferente. Mas isso também ajuda a desenvolver novas estratégias. “Acho que já superamos os maiores obstáculos e agora há espaço para todas as mulheres. Nós podemos tudo!”

Carla finaliza revelando um segredo para manter-se firme frente aos desafios do dia a dia. “Desde que meu pai deixou de ir para a empresa, coloquei Jesus como meu sócio majoritário. Ao entrar, peço proteção; ao sair, tenho gratidão por tudo. O que deu certo foi merecimento, e o que deu errado, aprendizado. Com a ajuda dele, o fardo fica bem mais leve”, conclui.

Andrea Adelio é jornalista, fundadora da Tô em Foco Fábrica de Revistas, empresa especializada em eternizar histórias de pessoas, empresas e negócios. É também consultora de imagem e estilo, e master coach integral sistêmico. Tem como hobbies dançar e viajar (em histórias e lugares).

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