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Como lidar com o dinheiro desde a infância? - Revista Familia Cristã

Como lidar com o dinheiro desde a infância?

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Educação financeira ganha espaço no currículo das escolas do Brasil

Por Andrea Adelio

Há pouco tempo, os cuidados com as finanças pessoais não eram um tema de muita relevância entre os brasileiros. Tanto que existem cerca de 64 milhões de endividados no país, de acordo com dados do SERASA. 

Embora a realidade comece a mudar e hoje sejam bem mais comuns as discussões sobre finanças em diferentes ambientes, em especial pela grande demanda de cursos presenciais e online disponíveis no mercado, os números mostram que o brasileiro ainda não sabe muito bem como controlar, poupar ou investir o seu dinheiro, e, independentemente da quantia que recebe, falta conhecimento e consciência sobre a importância de bem administrar as finanças. Este é apenas um dos sinais sobre quanto fez falta, aos adultos de hoje, não terem tido uma educação financeira desde os seus primeiros anos.

Finanças na escola

Investimentos
De acordo com o professor Jorge Luis Prado, a situação de endividamento no Brasil é preocupante. São 100 milhões de brasileiros economicamente ativos, sendo 64 milhões que não conseguiram honrar seus compromissos nos últimos meses e, destes, 12 milhões são os jovens brasileiros. Foto: Arquivo Pessoal

“Na maioria das instituições privadas, o tema de educação financeira e empreendedorismo já é uma realidade há mais de uma década; no entanto, percebe-se um interesse maior por alguns estados e municípios em acelerar a implantação nas instituições de ensino público”, afirma o professor Jorge Luis Prado, educador financeiro e assessor de investimentos. 

Desde 2020, o Banco Central do Brasil vem implementando nas escolas do Ceará, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará e Paraná o programa Aprender Valor, que tem por objetivo estimular o desenvolvimento de competências e habilidades de Educação Financeira e para o Consumo em estudantes da rede pública. A iniciativa, que conta com recursos do Ministério da Justiça e Segurança Pública, já está em fase de expansão nacional. 

Educação financeira
Professora Jéssica Thalita Boagenski. Foto: Arquivo Pessoal

Também um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Ministério da Educação (MEC) pretende capacitar 500 mil professores e levar a educação financeira a 25 milhões de alunos da rede pública e privada. As atividades começaram no segundo semestre de 2021 e têm duração de três anos. A iniciativa oferece cursos virtuais gratuitos para estudantes dos ensinos fundamental e médio.

Jessica Thalita Boagenski, professora da rede municipal de Curitiba (PR), trabalhou no programa Aprender Valor com alunos entre 9 e 10 anos. Ela destaca que, para esses jovens, “aprender sobre planejamento financeiro foi fundamental para saberem como se organizar financeiramente, evitar consumir itens desnecessários e planejar as compras”. 

Mentalidade próspera

Outro aspecto relevante, quando se trata da educação financeira na fase infantil ou na pré-adolescência, é trabalhar a mentalidade para fortalecer diariamente pensamentos e sentimentos positivos em relação ao dinheiro, comenta a mentora financeira Ticiane Revoredo. 

Mesada
Freepik.com
Educação financeira
Ticiane Revoredo, contadora e especialista em Finanças Corporativas. Foto: Arquivo Pessoal

“A partir dos três anos de idade, os pais podem começar a conversar com a criança e mostrar que o dinheiro é importante para a realização dos sonhos. Isso irá contribuir para que, na fase adulta, ela se sinta mais motivada a continuar buscando conhecimentos nessa área”, considera Ticiane. Conquistar um patrimônio e reconhecer o verdadeiro valor do dinheiro, sem que o mesmo seja um objeto de consumo e de ostentação, poderá trazer liberdade e qualidade de vida.  

Administrando a mesada 

O professor Jorge orienta que, a partir dos seis anos de idade, os pais comecem a dar dinheiro, eventualmente, para a criança ir se familiarizando com ele. Aos sete anos, o ideal é que os pais comecem com uma semanada, passando para a quinzenada entre nove e dez anos, para só então começar com a mesada. “Mas isso vai depender muito da maturidade de cada criança. Cabe aos pais entenderem o melhor momento para começar. Uma dica é identificar a demanda do seu filho de ter o próprio dinheiro”, afirma.

Educação financeira e investimentos

“O brasileiro costuma dizer: quando eu tiver muito dinheiro vou investir. Isso é errado, ele tem que começar hoje, mesmo que seja pouco. Mais importante que o valor é a regularidade com ele faz esses aportes”, diz o professor.  

Contudo, na maioria das vezes, mesmo quando consegue se organizar para poupar algum valor, as pessoas não têm o conhecimento necessário para fazer escolhas assertivas. Por tudo isso, a educação financeira nas escolas representa uma esperança para mudar a realidade que se vê atualmente, formando crianças, adolescentes e jovens conscientes e aptos a se desenvolverem prósperos e livres de dívidas. 

Educação financeira
Freepik.com

E aos que ainda não têm acesso à educação financeira na escola, fica uma dica aos pais: “No passado, o problema era que tínhamos pouca informação; atualmente o problema é que temos excesso de informação, o que acaba atrapalhando e dificultando o entendimento do que deve ser consumido. Mas as livrarias possuem muito conteúdo para todos os públicos, do iniciante até o avançado”, conclui Prado. 

Links úteis sobre educação financeira:

Projeto Educação Financeira na Escola, entre o MEC e a CVM: edufinanceiranaescola.gov.br
Portal do Investidor da CVM: https://www.investidor.gov.br
Projeto Aprenda Valor, do Banco Central: https://aprendervalor.caeddigital.net/#!/pagina-inicial
Ações de Cidadania Financeira, do Banco Central: https://www.bcb.gov.br/cidadaniafinanceira

Andrea Adelio é jornalista, especialista em comunicação assertiva, imagem pessoal e desenvolvimento humano. Fundadora da Tô em Foco, escreve histórias que eternizam momentos da vida de pessoas, empresas e negócios. @andrea_adelio 

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