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Cuidar da casa comum vem de berço? - Revista Familia Cristã

Cuidar da casa comum vem de berço?

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Como os pais podem incentivar o amor e o cuidado pelo planeta

Por Vitória Élida

Cuidar do meio ambiente é um dever de todos, principalmente com as diversas mudanças que estamos acompanhando com o passar dos anos, em que mais espécies de animais vão entrando em processo de extinção, mais áreas verdes são devastadas, mais leis são flexibilizadas, mais águas são poluídas, há mais mudanças climáticas e lutas por posses de terras, e o capitalismo urgindo por ainda mais espaço.

Diante desse cenário, é preciso lembrar que carregamos coletivamente a responsabilidade de promover a harmonia com a natureza, mais ainda em tempos em que a Terra parece pedir socorro. É necessário termos consciência da ameaça que somos à saúde do planeta, e com isso ser conscientes também da obrigação de mudar essa realidade. 

O exercício de preservação incentiva a mudança de percepção com relação ao ambiente ao nosso redor, gerando a compreensão de que estamos inseridos nele e, por isso, temos um importante papel dentro do ecossistema. Sendo assim, cuidar do meio ambiente é também cuidar do nosso futuro. 

Nesse contexto, encontra-se a prática domiciliar de educação ambiental, levando a uma sensibilização acerca do olhar mais atento para as questões do meio ambiente e da relação homem-natureza. Estimular o cuidado com o meio desde a primeira infância, com a construção de uma casa ecologicamente consciente e inteligente, pode proporcionar lições valiosas de generosidade, paciência, compreensão e amor. 

Educação ambiental

Com incentivo dos pais, Elis rega Pau Brasil um anos após ter sido plantado em comemoração do seu aniversário. Crédito Karla Larissa.

Segundo a especialista em Educação Ambiental Maria Hosana da Silva, a introdução dessa sensibilização no dia a dia infantil, através da educação ambiental, faz com que as crianças já cresçam sabendo da importância de cuidar da natureza para o progresso da vida, tornando-se adultos mais conscientes do trato do planeta. Ainda segundo ela, ações com esse público infantil são muito positivas e efetivas, visto que desenvolvem esse hábito para que já atuem influenciando outras crianças e também dando exemplos aos próprios adultos. “A educação ambiental desenvolvida com a criança é muito importante, pois ela passa a se ver como parte da natureza, ela se reconhece dentro desse todo que é o meio. Além disso, como os pequenos estão em formação, se torna mais fácil a geração de hábito, diferente dos adultos que já trazem todos os vícios e costumes”, afirma.

Porém, para que a educação ambiental faça parte da formação infantil, faz-se necessário que os pais sejam exemplos dentro das próprias casas e iniciem o quanto antes esse processo de amor à casa comum. Por isso, abordar sobre a sustentabilidade, a importância de cada ser vivo para o equilíbrio ecológico e sugerir ações mais conscientes de cuidado, promovendo o engajamento de toda a família, são importantes passos na formação dos filhos e na transformação do lar.

Sem desperdício

A professora de inglês Eliude Tindô estimulou desde os primeiros anos de vida das suas duas filhas a percepção e a relação mais consciente com o meio ambiente. Segundo ela, as ações se direcionaram em algumas linhas como alimentação mais saudável, não desperdício, correto descarte do lixo e consumo. “Sempre falei para as minhas filhas que comida não é para ficar no prato e ir para o lixo. Sempre demonstrei também que o que sobra na panela é para ser reaproveitado em outras alimentações e nunca ser desperdiçado”. Além disso, Eliude afirma que há alguns anos vem trabalhando com as filhas a origem dos alimentos, criando esse laço de afetividade mesmo em um hábito tão corriqueiro que é a alimentação. “Eu venho trabalhando com elas questões como: de onde vem o alimento e qual o impacto que a produção desse alimento causa no meio ambiente”, afirma. Com relação ao consumo de produtos, a professora diz que trabalha bastante o pensamento do uso sustentável, no qual o que não é mais utilizado pode ser passado adiante, reaproveitado ou reciclado, e sempre fazendo a reflexão da real necessidade.

Mais árvores

Educação ambiental
Fred, Elis e Karla Larissa plantando Ipê em comemoração aos 6 meses.. Crédito Karla Larissa

Com isso, compreendemos que cuidar da natureza vai muito além de simplesmente saber da sua importância e passar a enxergá-la de forma diferente. É preciso ser ativo no cuidado e incentivar desde o berço, assim como faz a jornalista Karla Larissa, mãe de Elis, de apenas 2 anos e 10 meses. Karla nos conta que a preocupação com o ambiente vem desde antes do nascimento de sua filha, quando pensava no impacto que teria mais uma pessoa no mundo e na forma como poderia educá-la para o cuidado e o respeito com o meio ambiente. Por isso, os pais da pequena Elis pensaram até na formação do enxoval, em práticas que fossem menos impactantes ao ambiente. “Até a lembrancinha de nascimento dela foi um kit com sementes de trevo-de-quatro-folhas”, diz. 

Além disso, Karla e o esposo optaram por comemorar cada mês do primeiro ano de vida da filha plantando uma árvore em lugares significativos para eles, como a casa dos bisavós e avós. “A ideia agora é plantar uma árvore a cada aniversário dela. Apesar de ela ser ainda bebê, sempre fazíamos fotos para registrar e mostrar para ela depois. Em nosso apartamento também temos plantinhas e sempre a chamo para regar, dizendo que essa é a ‘tarefa’ dela”. A jornalista adotou a dieta vegetariana para a família e diz que, por isso, a filha sempre fala que “não come animais, só comida”.

Diante de tudo isso, percebe-se que é possível, sim, através de pequenos gestos diários, gerar a consciência ambiental, em que o ser humano é capaz de se enxergar como parte da natureza, se apropriando do espaço, se autoconhecendo e, assim, promovendo o cuidado, a manutenção e a sobrevivência da biodiversidade.

Vitória Élida é bióloga, pedagoga e jornalista. Atua na área de educação, mas dedica parte de seu tempo a escrever sobre temas referentes a meio ambiente, educação, juventude e Igreja. Encontra nos seus textos uma forma de estar em maior conexão com o mundo e consigo mesma.

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